Um ano terrível ou épico

Rafael Ribeiro faz uma reflexão sobre os esportes e a vida durante o ano de 2020


É até clichê falarmos que 2020 foi um ano atípico. Uma pandemia global que já teve 1 milhão e 600 mil óbitos. Várias outras consequências de proporções ainda incalculáveis. Até o número de divórcios aumentou. A situação no Brasil é a segunda pior do mundo com 180 mil mortes, perdendo apenas para os EUA, que já acumula mais de 300 mil.

Falando especificamente de esporte, tivemos um ano bem difícil. Inúmeros eventos, ligas e circuitos inteiros cancelados. Até as Olimpíadas de Tóquio teve de ser adiada para 2021. Prejuízos financeiros, desmotivação, incertezas, os atletas profissionais de quase todas as modalidades sofreram um impacto gigantesco. Vários casos inclusive de depressão.

No surfe, foi também assim. Além do circuito da WSL ter sido inteiramente cancelado, vimos uma retração no mercado imensa. As surf trips quase que em sua totalidade canceladas, e todo o sistema de empregos diretos e indiretos foi comprometido.

Porém, com toda essa situação difícil, você que está aí em casa, teve dois caminhos comportamentais a seguir: foi passivo e permissivo ao ponto de ficar somente lamentando e sofrendo com o stress coletivo ou usou o que um famoso provérbio árabe diz que “tempos difíceis geram homens fortes”.

Então, tudo depende na verdade de como você primeiramente enxerga o problema e em seguida reage a situação. Vamos então olhar por um outro prisma?

- Esse foi um ano que os pais tiveram mais tempo para passarem com seus filhos;
- Cada setor da economia, precisou se reinventar e aqui existe um espaço gigantesco de crescimento profissional ;
- Com o aumento da convivência em família, cada indivíduo precisou se esforçar bastante para evitar o caos nas relações. E aqui mais um espaço para crescimento, dessa vez o pessoal ;
- A solidariedade foi praticada até por aqueles que jamais o fizeram ;
- E foi um ano espetacular de onda em todo o planeta.

Sim, pegando esse último item, aqueles que conseguiram ter uma logística para surfarem, aproveitaram um dos melhores anos que já tivemos. Swells constantes e disponibilidade na agenda, foi uma união de fatores que quase nunca temos. Lembrem aí quando foi que grande parte dos surfistas tiveram a oportunidade de surfar 3 ou 4 dias do meio da semana em qualquer horário do dia? E deu onda em todos os lugares do mundo de maneira bem constante. Quem acompanha as redes sociais pôde ver isso. Teremos, provavelmente, até o recorde de maior onda quebrado, com aquela sessão que houve em Nazaré no mês passado. Alguns lugares que estão acostumados a receberem muitos surfistas, como a Indonésia, mais vazios. Mentawai sem boat trips e sem australianos? Acredito que jamais veremos isso na vida novamente.

Por outro lado, é verdade, que em alguns lugares a situação do crowd ficou terrível, como por exemplo a Praia do Forte e algumas outras praias do Litoral Norte. Pior ainda foi a região de Maresias, onde o crowd já é normalmente intenso e qualificado, mas pelo fato que o circuito profissional de surfe estava suspenso, todos os profissionais estavam naquela região. Imagine você entrar em Paúba e ter 30 a 40 profissionais num espaço de 50 metros e todos precisando gerar mídia? Dá pra ter noção? Então multiplique isso aí que você pensou por algumas vezes mais.

Você considera um infortúnio ter que dividir as ondas com todo esse crowd faminto ou um sortudo de poder estar surfando enquanto muita gente morre e passa fome?

Na parte dois, vou fazer um retrospecto de todo o ano, começando já pelo dia do Réveillon. Então segura aí sua opinião sobre o título do texto e me fala após ler a segunda parte ok?

Oss!

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