Susto no paraíso

Turista é mordido por tubarão em Fernando de Noronha


Na última segunda-feira, um turista paranaense de 33 anos foi mordido por um tubarão na praia do Sueste, em Fernando de Noronha (PE).

O turista teve a mão e parte do braço amputados. Em depoimento concedido ao NETV 1ª Edição, o paranaense explicou ainda que estava boiando a cerca de 150 metros da areia quando foi surpreendido pelo tubarão. "Eu olhei para a direita, vendo os peixes. Quando olhei para a esquerda, dei de cara com o tubarão. Estava do meu lado. Tentei me afastar nadando", recordou o turista, que lembra de ter visto "a parte de baixo da boca, branca" do animal.

Ele foi mordido e puxado para o fundo do mar. Apesar de tudo ter durado apenas alguns segundos, ele conseguiu ver o tamanho do tubarão, que estimou em aproximadamente 1,5 metro. O turista contou ainda que estava com colete e nadadeiras. "Eu tinha nadado para o lado que a água estava mais limpa, que tinha menos pedra", apontou.

Ao blog Viver Noronha, o pesquisador de tubarões Leonardo Veras falou que o cenário não estava muito favorável. “A água estava um pouco turva, nós vimos muitos peixes, comida farta, o meio ambiente equilibrado, mas não encontramos nenhum tubarão. A nossa suspeita é que o acidente tenha ocorrido com um tubarão da espécie tigre, mais agressivo e que tem força na mandíbula suficiente para arrancar um membro humano. O tigre, que não é residente na ilha, é bem diferente do tubarão limão, espécie  encontrada com facilidade em Noronha”, afirmou.

O Sueste foi fechado para o mergulho na terça-feira (22), pelo Instituto Chico Mendes, responsável pela fiscalização da região que faz parte da área do Parque Nacional Marinho. Apenas o pesquisador de tubarões, Leonardo Veras, e a fotógrafa e bióloga Zaira Mateus, estão autorizados a realizar um mergulho na Praia do Sueste para investigar o ataque nesta terça-feira. “Vamos tentar identificar a espécie responsável por este ataque. Toda informação neste momento é importante”, informou Leonardo Veras em reportagem publicada pelo Globo.com.

Em depoimento concedido ao SurfBahia, Caia Souza - presidente da Associação de Surf de Fernando de Noronha - falou sobre a repercussão do ataque. "Há muitas especulações aqui na ilha sobre isso. Conversei com diversos nativos que estavam no Sueste e me disseram que havia um cardume muito grande de sardinhas no local em que o turista mergulhava, no canto esquerdo da praia. A versão que temos escutado aqui era de que o turista tentou segurar o rabo do tubarão para fazer um selfie, e aí foi atacado. Mas não temos certeza de nada ainda, vamos esperar o Instituto se pronunciar", disse Caia.

Nota de biólogo

Em nota enviada à imprensa, o conceituado biólogo Marcelo Szpilman opinou sobre o assunto. Leia abaixo o texto escrito por Szpilman.

"Ontem, alguns sites noticiaram que um turista sofreu “ataque de tubarão” na praia do Sueste no Arquipélago de Fernando de Noronha e perdeu a mão e parte do braço. Como já começaram a postar comentários do tipo “deveriam exterminar estes e outros animais ferozes da face da terra e quero saber qual o bem que o tubarão faz para a humanidade?”, é preciso esclarecer alguns pontos importantes sobre o tema.
 
As informações ainda são confusas, mas há a suspeita de que o turista sofreu a mordida num mergulho e após tentar tocar num animal. As espécies mais comuns em Fernando de Noronha são o tubarão-lixa, o cação-coralino (lá chamado de cabeça-de-cesto) e o tubarão-limão. Qualquer indivíduo de uma dessas espécies, em uma atitude de medo ou defesa, ao sentir-se ameaçado, pode reagir e morder como faria qualquer outro animal. Nesse sentido, é preciso alertar que, em um mergulho recreativo, não se deve mexer ou tocar em nenhum animal, muito menos peixes e tubarões. Outro ponto importante a ser esclarecido é que receber uma mordida nessas circunstâncias é considerado um ataque “provocado” pelo homem, um incidente que não entra nas estatísticas de ataque de tubarão (não provocado).
 
Mergulhar com tubarões, como eu e muitos mergulhadores fazem em áreas específicas ao redor do Planeta, inclusive em Fernando de Noronha, sempre respeitando as regras de segurança e o bom-senso, é muito mais seguro do que inúmeras atividades esportivas ou recreativas. Você pode mergulhar com um tubarão e, com certeza, ele não atacará em um ambiente equilibrado e de águas claras, como ocorre em Fernando de Noronha. A menos, é claro, que você o provoque de alguma forma. Posso afirmar, categoricamente, que é muito raro, em qualquer lugar do mundo, um tubarão atacar o ser humano sem provocação. Além disso, dos poucos ataques não provocados no mundo todo, inclusive em Recife, mais de 90% ocorrem por erro de identificação visual em situações muito específicas e já conhecidas.
 
Infelizmente, a fobia coletiva continua contribuindo para que a sociedade não se preocupe com a pesca predatória e o consumo insustentável dos tubarões e não se dê conta de que nós, seres humanos, é que somos os animais mais ferozes da face da terra. Atualmente, cerca de 100 milhões de tubarões são capturados e mortos a cada ano em todos os mares, em grande parte para obtenção exclusiva das nadadeiras que irão prover o lucrativo mercado oriental de sopa de barbatana de tubarão. Isso representa uma monumental ameaça à sobrevivência dos tubarões e está levando muitas populações ao declínio vertiginoso. E para convencer as pessoas a proteger e preservar os tubarões é preciso explicar qual é o papel dos tubarões no ecossistema marinho e o quanto sua falta influenciará no bem-estar da humanidade.
 
Os tubarões exercem duas funções primordiais no meio ambiente marinho. Primeiro, como predadores situados no topo da cadeia alimentar, o equivalente oceânico aos leões africanos e tigres asiáticos, os tubarões asseguram um tipo de ordem nos oceanos. Mantêm o controle populacional de suas presas habituais e exercem importante papel na seleção natural ao predar os mais lentos e os mais fracos. Em segundo, ao comerem os animais e peixes doentes, feridos ou mortos, exercem também uma função extremamente importante na manutenção da saúde dos oceanos. Para entender melhor o que isso significa basta ver a semelhante função do urubu no ambiente terrestre. Os urubus, assim como os grandes carniceiros, consomem um cadáver (de qualquer animal que morre na natureza) em questão de minutos. Se acabássemos com os grandes carniceiros terrestres, as carniças passariam a ser consumidas somente por insetos, bactérias e micróbios, que levariam dias ou semanas nesse intento. O nível de microrganismos no ar que respiramos seria insuportável e insalubre. No mar acontece a mesma coisa. Sem esses guardiões dos mares, teremos um ambiente marinho doente, frágil e com desequilíbrios ambientais imprevisíveis que podem representar graves consequências para nossas vidas e atividades comerciais."

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