Pânico na PF
SurfBahia relembra pânico de surfistas com tubarão na Praia do Forte em 2007
Muitos surfistas já enfrentaram situações parecidas com a do australiano Mick Fanning em Jeffreys Bay, África do Sul.
No último domingo, o top da elite mundial levou um enorme susto ao chocar-se com um enorme tubarão-branco de 2,5 metros durante a final da sexta etapa do tour.
Em 2007, o SurfBahia publicou uma reportagem sobre um tubarão que fez a galera ficar apavorada na Praia do Forte, litoral norte da Bahia.
No dia 3 de junho daquele ano, num domingo, alguns surfistas desfrutavam de condições perfeitas num pico secreto, quando um tubarão atingiu a prancha do surfista e médico anestesista Afrânio.
A cena foi presenciada por todos que estavam na água, como o fotógrafo e free surfer Eduardo Moody, o competidor Lalo Giudice e os free surfers Marcelo Primata, Leo Tzanas e Rocão, entre outros.
"Tomei um grande susto. Senti uma forte pancada e capotei junto com a prancha. Ainda vi o bicho passando por mim depois que ele acertou a prancha. Graças a Deus ele não me atacou, foi um alívio muito grande", contou um aliviado Afrânio.
O free surfer Adrian Vilas Bôas, que estava muito próximo a Afrânio, relatou o desespero da galera.
"Entramos todos em pânico e foi uma gritaria, um bate-perna, braço, coração
saindo pela boca, dezenas de surfistas se embolando, remando na mesma onda e
torcendo pra chegar inteiro à areia, sem ter tomado nenhuma dentada do animal", disse Adrian.
Na ocasião, o SurfBahia chegou a divulgar a notícia como uma tentativa de ataque, mas o biólogo marinho Marcelo Szpilman entrou em contato com a redação para contestar a notícia.
"O tubarão devia estar concentrado, tentando capturar um peixe na zona de surf, e não percebeu a aproximação da prancha. A pancada deve tê-lo assustado tanto quanto ao surfista", afirmou o biólogo.
"Se o tubarão estivesse realmente interessado no surfista, teria atacado seus membros imersos na água ou até mesmo, como já aconteceu, mordido também a prancha. Nenhuma espécie de tubarão 'tenta' atacar um surfista dando apenas uma trombada na prancha de surf", continuou Szpilman.
"No litoral baiano sempre foi, e continua sendo, muito comum a ocorrência de diversas espécies de tubarões, mas só há cinco registros de ataque de tubarões entre 1920 e 2006. Por isso, não há nenhuma razão plausível para alertas sobre perigo de ataque", concluiu Szpilman na reportagem publicada em 2007.
Szpilman também se manifestou no último domingo, logo depois do episódio envolvendo o australiano Mick Fanning em Jeffreys Bay. Procurado pela redação do site Waves minutos depois da cena chocante, o biólogo fez uma análise semelhante ao caso ocorrido na Praia do Forte, em 2007.
“Dois tubarões perseguindo e atacando uma presa bem ao lado do surfista, que não era o alvo. Mick estava no local errado, na hora errada. Splashes como esses vistos no vídeo são muito comuns em situações em que o tubarão persegue e ataca presas na superfície, mas não em verdadeiros ataques a pessoas ou surfistas”, disse o biólogo ao site Waves.
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