Fora dos planos
Marco Fernandez fala sobre o risco de ataques em Jeffreys Bay e revela medo de retornar ao pico
Quando o australiano Mick Fanning chocou-se com um enorme tubarão-branco em Jeffreys Bay, África do Sul, muitos surfistas que frequentam um dos picos mais cobiçados do planeta passaram a pensar seriamente na possibilidade de tirar J-Bay da sua lista de viagens.
É o caso do baiano Marco Fernandez, que esteve no palco da sexta etapa do tour recentemente e inclusive já enfrentou e derrotou Fanning numa competição em Burleigh Heads, Austrália, em 2013.
Um dos principais representantes do surf baiano na atualidade, Fernandez fez uma parada em Jeffreys Bay há cerca de três semanas, pouco antes da etapa do Qualifying Series (divisão de acesso do Mundial) em Ballito, também na África do Sul.
Foi a segunda vez que o atleta viajou para J-Bay, onde já disputou uma etapa do QS em 2012. “Sempre fiquei pensando nisso. Sei que lá é repleto de tubarões e sempre dava aquele medo antes de entrar na água, principalmente quando a gente fica lá fora, esperando a onda sozinho. Procurava ficar próximo a outras pessoas, evitava ficar sozinho, assim os tubarões tinham mais opções antes de me escolher se quisessem atacar (risos)”, diz Fernandez.
“Alguns amigos, como Jessé Mendes e Ian Gouveia, caíam no mar cedão, ainda escuro, buscando aproveitar o máximo de ondas antes de o crowd tomar conta do pico. Já eu evitava correr esse risco e esperava o dia clarear e outras pessoas chegarem”, continua o atleta.
Assim como Mick Fanning e o também finalista Julian Wilson, Fernandez não aceitaria voltar à água para a final da etapa. “Eu ficaria um bom tempo sem cair na água. Não voltaria ali para a final nem que dobrassem a premiação. Inclusive eu e alguns amigos vínhamos comentando que valia muito a pena fazer essa parada em J-Bay antes do QS em Ballito e queríamos repetir todos os anos. Mas agora eu não pretendo voltar ali tão cedo”, diz Fernandez.
O baiano já disputou alguns eventos outras praias com maior risco de ataque, como Manly Beach e Newcastle, na Austrália. “A vantagem é que nesses lugares os salva-vidas fazem um trabalho legal para monitorar a presença de tubarões. Mas, confesso que por mim cancelavam todos esses eventos em praias com maior risco de ataque”, finaliza Fernandez.