Eterno apaixonado
Fabricio Fernandes presta homenagem para sua esposa no dia em que comemoram dois anos de casados
Será que ela sabe que está se casando com um surfista? Era essa a pergunta que rondava a minha cabeça enquanto eu estava dentro da água pegando a minha décima saideira.
Faltando apenas meia hora para o horário marcado para inciar a cerimônia, mas tudo bem, eu morava na cara do pico e o casamento era em casa. Cheguei correndo, de sunga, driblei alguns convidados que chegaram antecipados e viam aquilo sem acreditar, mas exatos 30 minutos depois, lá estava eu, relaxado e feliz, esperando o amor da minha vida chegar.
Essas são questões que só mesmo em um casamento de surfista podem acontecer. A foto do meu casamento deixava bem claro que ela teria que dividir o tempo com mais alguém, a prancha.
Ter a capacidade e a paciência de entender isso não é para qualquer uma. Por isso, passados dois anos, admiro muito minha esposa. Super companheira e incentivadora, sempre está disposta a acordar cedo, me acompanhar nas idas a praia, chegando até a comprar um bodyboard para me acompanhar quando as condições não estão críticas ou ficar horas na areia esperando que eu saia da água.
Muitas vezes é ela que coloca a pilha para sairmos logo, que surfista acorda cedo e que o mar deve estar bom. Quando chego ao mar e que as condições estão desanimadoras, pequeno ou fechando, ela me diz para ir lá dentro, dropar, me divertir e que ainda vai fazer bons cliques meus.
Fissurado como eu sou, com certeza tirei a sorte grande, porque passar por tudo isso e ainda ter que suportar 8 horas de frente para a tv enquanto acontece as etapas do WCT não é mesmo algo fácil.
Por tudo isso e muito mais, valorizo a minha mulher, que sempre me diz que adora me ver saindo do mar com os olhos brilhando, porque no resto do dia essa energia de felicidade será toda para ela.