Garoto sexagenário
Kleber Batinga, o Klebão, esbanja saúde e disposição aos 60 anos
"Quando ficar mais velho, quero ter essa vitalidade, essa energia, continuar pegando onda e sempre rodeado da família e dos amigos". Frases desse tipo são comuns entre os surfistas mais jovens quando veem um legend com uma prancha de surf.
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Carioca de nascença, mas baiano de coração, Kleber Batinga, que completa 60 anos no próximo dia 8 de junho, se encaixa perfeitamente nesse perfil.
Sempre sorridente, o pai de Thamires e Julia, casado com Cassia, Klebão é presença constante nas ondas de Stella Maris, seja com suas gunzeiras havaianas ou com seu Stand Up Paddle. "De 1971 até hoje, nunca parei de surfar. Durmo e acordo todos os dias sonhando em pegar onda", diz ele.
O amor pelo mar começou aos 6 anos de idade, no Porto da Barra, e depois em Belmonte, aos 10 anos, quando se dividia entre travessias do rio Jequitinhonha e a praia, pegando onda de "jacaré".
A paixão por esportes é imensa. Além de surfar e remar, ele faz natação, mergulho, apneia e até boxe. Profissionalmente, Klebão é uma mistura de engenheiro e mecânico, mas adora escrever artigos.
Segundo ele, são 42 anos dedicados ao surf na Bahia. Frequentador do arquipélago havaiano há quase 30 anos, o legend contabiliza 12 temporadas no North Shore de Oahu.
Depois de curtir seu primeiro inverno no Hawaii, em 1986, ele voltou à Meca do surf em 1990, desta vez para morar na Keiki Road, em Waimea, junto com Mauricio Abubakir, Mauricio Corti, Fernando Lopes, o "Sheena" (in memorian) e Luciana Chapelin.
Klebão possui ainda alguns títulos em competições, como o vice-campeonato brasileiro de longboard, em 2005, na categoria Super Legends (acima de 50 anos) , vice do circuito baiano de long na Super Legends e terceiro na Clássico, em 2007.
Como dirigente, fez parte da organização e competiu na segunda etapa do primeiro circuito baiano de surf master, em 2003; foi vice-presidente do clube de surf Corrente Brothers, promovendo e participando de eventos de 2006 e 2008; promoveu e participou do primeiro campeonato de SUP Wave, em 2008, nas ondas de Itacimirim, litoral norte baiano.
Fissurado pelo Stand Up Paddle, ele participou das primeiras travessias Mar Grande - Salvador, entre 2009 e 2011. Em 2011, Klebão venceu a travessia de SUP do Corsário ao Jardim de Alah durante o Coca-Cola Games. Outro percurso notável de SUP foi a Remada Ecológica de Limpeza das Praias, de Stella Maris ao Farol de Itapuã (ida e volta), nos anos de 2012 e 2013.
Klebão recorda ainda da sua participação na quebra do recorde de maior número de surfistas em uma mesma onda. "Foi em 2005, na praia da Macumba (RJ). Foram 42 caras na mesma onda".
Seu pai era piloto de avião e sua mãe professora. Klebão revela ter dado muito trabalho na infância, principalmente em Belmonte. "Quando eu tinha de 10, 11 anos, na minha casa, todos os dias chegavam noticias para minha mãe do tipo 'corre ali que seu filho morreu afogado, corre ali que seu filho brigou e está na farmácia, corre ali que seu filho está com um cavalo em disparada pelo meio da cidade, corre ali que seu filho desligou o gerador e está faltando luz na cidade', além de treinar com badogue para quebrar as lâmpadas dos postes, botar meu galo de raça para brigar com os da terra… E isso era todo santo dia", diverte Klebão.
Aos 14 anos ele foi morar em Salvador. Os primeiros anos foram tranquilos, mas depois dos 18 as confusões voltaram a aparecer. "Comecei a andar de moto e foram muitas quedas. Numa delas, a roda soltou em alta velocidade e voei. Também costumávamos fazer pegas com carro. Capotamos duas vezes e em uma delas paramos debaixo de um ônibus. Quatro foram para o hospital e fui o único que não sofreu nada. Um quebrou a mandíbula em três partes e ficou de boca amarrada por 40 dias. Ainda chegaram lá em casa disseram para a minha mãe 'corre que teu filho está morto lá em cima', mas ela já não acreditava mais porque ouvia tanta coisa", brinca Klebão.
Os acidentes também marcaram suas sessões de surf. A primeira delas foi em Stella, em 1978. "Caí de cabeça no banco de areia e fiquei paralisado. Tive que ser levado ao hospital. Depois um ano de tratamento, a quilha da minha prancha acertou meu nariz e foram mais 13 pontos, depois as quatro quilhas da minha quad 5´11 entraram na minha canela e lá vai pronto socorro. Depois foi a clavícula, em 2006, e por último a querida laje da minha querida bancada do Corrente acertou a minha testa. Se eu tivesse desmaiado, já não estaria aqui para contar a história, e aí a mão de Deus foi forte e providencial mais uma vez", conta o legend.
Klebão conta que tem planos de ensinar surf e SUP para os mais novos e os mais velhos. "Quero passar adiante esse presente que me foi dado por Deus, cumprir as metas e campanhas de conscientização e limpeza das praias e conservação do meio ambiente. Também pretendo disputar provas de longboard ou SUP no Brasil e no Hawaii, para atletas na categoria acima de 60 anos", continua.
Para finalizar, Batinga deixa um agradecimento especial. "Agradeço a Deus por todos os presentes que me deu e por ter me preservado pelos caminhos que passei para que eu pudesse conseguir chegar até aqui na companhia de minha família e dos meus amigos".