Ventos e cultura
Célio Beleza continua sua saga pela região de Matanzas, no Chile
No Smolder na Estrada, além do objetivo de velejar e surfar as ondas mais geladas da América do Sul, o grupo também tem a missão de conhecer e compreender a cultura local.
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A região de Matanzas é um local de contrastes. Pouco povoada, com incríveis paisagens naturais para se ver e visitar, com uma gastronomia deliciosa a base de pescado, uma cultura inca, hispânica e aborígene.
A gastronomia da região é variada COM seus peixes e frutos do mar em abundância. Nessa região, é costume comer fora de casa, em grupos de amigos ou em casais. A comida costuma ser sinônimo de patache, de panela na mesa, de abundância. Na mesa sempre terá espaço para mais uma cadeira. Seus pratos principais são o congro frito com guarnição e a paila marinha, que adiciona todo tipo de frutos do mar. É necessário tempo, paciência e apetite para provar de tudo.
Acordamos bem cedinho e fomos velejar nas perfeitas esquerdas da praia de Pupuya, que tem menor porte para os esportes com prancha da região. Sua onda é formada próximo a desembocadura do rio Rapel, que fica cercado por altos rochedos e protegida por enormes pedras e arrecifes. O vento aqui vem do mar para terra, podendo ficar lateral em alguns pontos da onda, ficando em torno 25 knots o dia todo.
Após o velejo, fomos conhecer os aspectos culturais desse lugar com dois moradores da região, a Magaly e o seu marido Juan Francisco. Eles comentaram que o rio Rapel traz vida e sustento para essa região desde os tempos dos aborígenes Promaucaes, que foram os povos antes dos Incas. Não é a toa que as antigas civilizações construíram suas cidades na sua foz. O material que eles usaram para fazer suas construções eram de adobe, um tijolo feito de um tipo de argila arenosa, que tinha a assinatura da pessoa que fazia.
Devido ao fenômeno do El Niño e toda a chuva que houve durante esses milhares de anos, essas construções foram se desintegrando.
Depois de um dia intenso de velejo e cultura, é hora de acender uma fogueira para espantar o frio que chega forte com o entardecer. Trocamos rápido as roupas e fomos sentar em torno da fogueira, que fica no terraço do hotel. O cardápio do dia era garoupa com tomate-cereja e arroz. Jantamos com vista para um magnífico pôr do sol e de frente para a arrebentação do Oceano Pacífico. A lua surgiu no horizonte, como se assistíssemos um filme em três dimensões.
Como as previsões indicam que o mar voltará a ficar grande e o vento intenso, vamos descansar sexta e sábado e a partir de domingo a ação vai começar cedo e forte nas boas ondulações que chegaram na costa de Matanzas.
"O cenário dessa região é único, pois os aspectos naturais e os animais dão ao point um ar diferenciado, parece que estamos num lugar inexplorado e inóspito", comenta a fotógrafa Livia Melo.