Onda solidária

Projeto Estrela do Mar promove integração de crianças com necessidades especiais


Há pouco mais de um ano, foi criado o projeto Estrela do Mar, seu idealizador, Byron Virgílio, transformou o sonho do bodyboarder Jose Ailton Sebastião, o "Kostela", em realidade.

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O surfista, que foi assassinado durante um assalto, sempre sonhou em fazer um projeto direcionado para crianças com necessidades especiais, ou seja, quebrar paradigmas e incluí-las de forma mais verdadeira na sociedade.

Infelizmente ele não pôde concretizar essa vontade, porém, seus amigos entraram em ação e colocaram em prática esse projeto.

Mesmo com pouquíssimos apoiadores, o Projeto Estrela do Mar vai dando alegria e oportunidade a crianças e adultos com necessidades especiais.

Através de voluntários, essas pessoas entram na água e têm a oportunidade de pegar onda, o que antes desse projeto, nunca imaginaram fazer.

Confira a entrevista com Byron Virgílio, responsável pelo projeto:

Quando surgiu a ideia de botar em prática esse projeto?

Em março de 2010, um atleta sergipano foi vitima da violência. Tentando evitar um assalto, foi assassinado. Esse atleta se chamava Jose Ailton Sebastião, o "Kostela", e ele tinha o sonho de criar uma escola de bodyboard para crianças em situação de risco. Sendo assim, e para homenageá-lo, criei o Projeto Estrelas do Mar. O Projeto foi iniciado em 26 junho de 2011, com oito crianças da APAE- Aracaju e três sem necessidades específicas, que eram familiares nossos. Esse foi o grande inicio.

Por que o bodyboard como ferramenta desse projeto?

Primeiramente o projeto foi pensado como forma de dar prosseguimento ao modelo de vida de Ailton Kostela, um bodyboarder que faleceu quando tentava impedir que um garoto fosse assaltado. Ele levou três tiros. Pensamos no bodyboarding como forma de manter viva a sua história. Além disso, sou bodyboarder há 23 anos. Fui eu quem o colocou no mar, daí então a ideia desse esporte como meio de inclusão.

Qual a importância do Estrela do Mar para o estado de Sergipe?

O Projeto é importante porque mostra de forma prática que os jovens com necessidade especial, ao serem estimulados e motivados, procuram superar as suas limitações e acabam, de forma espontânea, superando as nossas expectativas. Quebramos paradigmas, vencemos preconceitos.

Quais as maiores dificuldades?

Esbarramos como sempre na falta de patrocinadores para fornecimento de alimentação e equipamento para serem utilizados na execução do Projeto Estrela do Mar. Para dar continuidade a esse projeto, necessitamos de voluntários para execução. Parceiros que nos forneçam protetores solares, sucos, frutas. Tudo que hoje disponibilizamos sai de nossos bolsos, pois eles são em sua maioria carentes.

Quem são os principais apoiadores?

O pai de um aluno ajuda no pão do cachorro-quente e no refrigerante. A gente reforça com mais alguns lanches. A Litoral 655 apoia com as lycras; Antônio Valdir, do Bar Abrolhos, com a concessão do local; SEEL com o transporte dos alunos da APAE/SE (micro ônibus).

Quem pode participar e quem pode colaborar com esse projeto?

Hoje não podemos receber mais nenhum aluno em função da carência de voluntários. A colaboração com o projeto pode ser feita com os itens tipo sucos, protetores solares, frutas, biscoitos, materiais esportivos, pois todos esse itens são adquiridos por conta própria.

Como é feito o acompanhamento das crianças e adultos (dentro e fora d’água) nesse projeto?

Temos voluntários com formação acadêmica voltada à educação. Duas pedagogas especialistas em Educação Inclusiva preparam toda parte pedagógica da aula. Ao chegarem, os jovens são recepcionados por uma parte da equipe e os pais são instruídos pelos instrutores acerca do que vamos trabalhar naquele dia na parte lúdica da aula, que antecede a ida ao mar. Na aula lúdica procuramos envolver os pais, sempre. Eles brincam conosco e com os seus filhos (algo que não deve ser cotidiano no dia-a-dia deles). Após a parte lúdica da aula, é feito alongamento por uma educadora física, repassamos as técnicas do bodyboarding e descemos para a água, um instrutor por aluno.

Recentemente você foi para o Mundial de Bodyboard e o projeto foi muito bem aceito pelos melhores atletas do mundo. Conte como foi.

Eu e minha esposa, também envolvida no Projeto, pensamos em viajar para curtir uma lua-de-mel que não tivemos. Calhou de estar havendo no Rio o Mundial de Bodyboarding. Fomos e levamos algumas camisas do Projeto, banner e um tablet com os nossos arquivos. Chegando lá, conhecemos os organizadores oficiais do Mundial, que se interessaram em saber quem éramos e o que fazíamos. Fomos apresentados à elite do bodyboarding. E todos se mostravam interessados em saber algo sobre o nosso trabalho. Falamos do Projeto a Guilherme Tâmega, hexacampeão mundial, Karla Costa, campeã mundial, Neymara Carvalho, pentacampeã mundial, Jeff Hubbard, bicampeão mundial. Todos vestiram a camisa do Projeto Estrelas do Mar, literalmente. Foi uma experiência perfeita e gratificante.

O que mais te gratifica em fazer esse projeto?

O mais gratificante desse Projeto é saber que os responsáveis pelos jovens com necessidades específicas confiam no nosso trabalho e veem resultados positivos em seus filhos. Eles saem de casa aos sábados bem cedo, mesmo chovendo ou ventando, ou fazendo muito calor, com ou sem transporte próprio. Eles chegam lá. Algumas pessoas saem do Conj. Marcos Freire, pegam três ônibus e chegam lá. Isso é sinal de que os pais acreditam no progresso dos seus filhos e valorizam o prazer que veem estampados no semblante de cada um. O que mais nos dá força é o carinho dos jovens e de seus pais conosco. Nos tornamos referência para muitos deles. Isso nos faz tentar ser sempre um tanto melhores.

Qual seu sonho em relação a esse projeto?

Que mais pessoas possam ser beneficiadas, mantendo a qualidade existente. Fisicamente, seria uma sede própria, na praia. Seria fantástico.

 
Informações:

Byron Virgílio dos Santos Silva tem 34 anos, nascido em 29 de junho de 1978. Trabalha na Polícia Militar como soldado PM há 14 anos. Natural de Aracaju e bacharel em Direito pela UNIT(Universidade Tiradentes) em 2009. Atleta de bodyboarding desde 1989.

O Projeto é executado pela Waves - Escola de Bodyboarding, vinculada à Organização Beneficente Estrelas do Mar.

Contatos: Tel: (79) 88083797/ (79) 99129102, com Byron Silva (cbpm.byron@hotmail.com) e (79) 8804 5111 com Anne Silva (ten.anne@hotmail.com)
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