Medidas extremas

Governo francês polemiza ao criar lei de incentivo à caça aos tubarões


O governo francês anunciou que pagará aos pescadores para que matem tubarões da espécie cabeça-chata (um dos mais agressivos), nas Ilhas Reunião, paraíso do turismo e de excelentes ondas no Oceano Índico.

Essa medida foi tomada depois de um considerável aumento no número de ataques, principalmente depois da morte, na semana passada, de um surfista de 22 anos que teve uma perna devorada e não resistiu aos ferimentos.

A tragédia foi o sétimo ataque e o terceiro fatal desde que esses animais começaram a infestar as águas ao redor da ilha, em 2011.

Casos isolados aconteciam esporadicamente, sendo que entre 2000 e 2010 não foi registrado nenhum caso de ataque de tubarão.

Os grupos franceses de defesa dos animais não receberam bem a ideia do governo e teceram duras críticas ao projeto.

A espécie cabeça-chata é comum nas águas do Oceano Índico e está ameaçada de extinção.

Os grupos ambientais defendem medidas que limitam a eliminação de resíduos em zonas costeiras, uma prática que se acredita atrair os tubarões para se alimentar.

É crescente o aumento de ataques de tubarões em países como África do Sul e Austrália. Recentemente, a Austrália registrou o sexto ataque em apenas um mês, o que também preocupa o governo australiano, que já investiga o recente fenômeno.

Em depoimento exclusivo ao SurfBahia, o carioca Marcelo Szpilman - um dos biólogos marinhos mais conceituados do Brasil - criticou a medida adotada pelo governo francês. "Acho um total absurdo e despropósito sair matando tubarões com o objetivo de diminuir os acidentais ataques. Devemos entender que esses ataques ocorrem, em 90% dos casos, por erro de identificação do animal. Os movimentos e membros dos surfistas na água podem, de forma muito ocasional, serem confundidos com peixes, que são a base da dieta habitual dos cabeça-chatas", explica.

"Ao morder acidentalmente o surfista, o tubarão imediatamente percebe o erro e solta sua vítima, que se não for logo resgatada pode morrer de hemorragia e afogamento secundário. Não é, em absoluto, o tubarão querendo comer o homem. A solução, nesses casos, como foi feito em Recife, é a educação e esclarecimento da população local", afirma Szpilman.

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