Boa remada
Joel Parkinson surpreende em travessia no Hawaii
O australiano Joel Parkinson, 31 anos, fez um esforço notável para terminar em terceiro lugar na 16a edição da travessia Molokai - Oahu, no Hawaii.
Um dos melhores surfistas da elite mundial, Parko mostrou um ótimo preparo físico em sua primeira participação no evento disputado com paddleboards (pranchas de remada).
Ele dividiu uma prancha com o compatriota Wes Berg, de 32 anos. "Estávamos esperando ficar entre os top 5, então o terceiro lugar foi sensacional para nós", revela Parko.
A dupla entrou em ação na categoria Stock e completou a travessia em um tempo de 5 horas e 49 minutos. "Foi muito bom porque os caras que ganharam - os havaianos Mikey Cote e Degues Mitch - são remadores inacreditáveis, profissionais, e eu sou apenas um surfista. Um dos caras detinha o recorde individual da travessia por anos".
Os 50 quilômetros de travessia através do Canal Ka'iwi (apelidado de Canal dos Ossos) entre as ilhas havaianas Molokai e Oahu fazem dessa travessia uma das mais difíceis do mundo na remada. "Meus joelhos estão sangrando, estou queimado pelo sol e o resto do meu corpo está acabado, mas me sinto incrível", diz Parko. "Só o zumbido de ter remado até outra ilha, ao longo do horizonte, é enorme".
Parko e Berg combinaram de revezar de 20 em 20 minutos através do canal, onde os ventos e marés foram bastante favoráveis. "As condições eram muito boas. Estávamos a favor do vento na maioria da remada, mas, chegando em volta de Koko Head, a corrente estava muito contrária".
O top australiano havia treinado durante dois meses para a corrida e falou dos desafios mentais da remada. "Havia vários montes e vales e por diversas vezes fiquei pensando no que estava fazendo aqui - pois você sabe que sou um surfista, não um remador. Em certos momentos eu me sentia como se estivesse remando para trás, e cinco minutos depois, estava remando remando firme para a frente e me sentia ótimo. Eram montes e vales, como eu nunca havia sentido antes. Mas foi legal", ri o australiano.
"Tive meus amigos havaianos Makua (Rothman) e Marcus (Hickman) no barco de suporte e eles estavam tocando reggae por todo o percurso, então parecia uma festa".
Berg, um competitivo salva-vidas que também treina a parte física de Joel Parkinson, já completou a travessia anteriormente, mas ficou feliz por ter repetido a dose ao lado do amigo. "Foi incrível remar com Joel, especialmente porque viemos de dois esportes profissionais diferentes. Vai ser a travessia mais memorável para mim. Joel me surpreendeu muito. Ele continuamente puxou seu limite através da corrida e foi impressionante para quem só usou um paddleboard havia três meses e teve uma preparação limitada em torno dos seus eventos de surf".
"Há apenas uma coisa realmente primordial sobre estar no meio do oceano, remando de uma ilha para a outra", comenta Parkinson. "Umas duas vezes, no meio do canal, eu pulei do barco de apoio para revezar com Wes e olhei para o oceano como se estivesse olhando para um abismo. Eu não queria nem saber o quão profundo era, e a água estava com a cor mais escura de cobalto, e você estava apenas esperando por um mako (espécie de tubarão) enorme vir e te pegar".
"Foi uma sensação incrível passar pela linha de chegada em Maunaloa Bay. É a vibe mais irada em terra, porque é uma corrida tão grande no Hawaii e existe uma camaradagem entre todos os envolvidos. É muito mais do que uma simples competição esportiva e muito diferente de estar em uma competição de surf. Eu nunca havia competido em um esporte de equipe na minha vida, além do futebol na escola primária. Fazer isso em equipe foi muito divertido".
O australiano Jamie Mitchell, 10 vezes campeão na categoria individual, não competiu este ano. O vencedor dessa categoria foi seu compatriota Brad Gália. Já no Feminino, Jordan Mercer, também da Austrália, manteve o posto de número 1.
Fonte Aspworldtour.com