Exemplo de vida

Flávio Marola é exemplo de superação e motivação com sua história de vida


Através da campanha Doe Órgãos Doe Vida, o surfista baiano Flávio Marola tem como propósito de vida levar esperança para pessoas que esperam por um órgão na fila de transplante. Há dez anos, ele foi transplantado de rim, após ter seus dois órgãos paralisados e fazer sessões de hemodiálise por mais de dois anos

Quem convive no meio do surf da Bahia e acompanha as competições, certamente conhece o simpático surfista Flávio Marola. Apaixonado pelo esporte e pela vida, Marola está sempre nas baterias dos campeonatos de longboard. Bom competidor no pranchão, ele também pode ser visto com frequência nas ondas ou nas areias de praias como Jaguaribe e Stella Maris. Através de mensagens na prancha, em banners esticados nas áreas dos eventos e nos pódios, em conversa com a moçada e em campanhas nas redes sociais da internet, ele é incansável na missão de conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos para salvar vidas.

A motivação de Flávio Marola, 43 anos, em mostrar para as pessoas que a doação é responsável por devolver a vida a milhares de pessoas que estão doentes nas filas de transplante veio da sua própria experiência. Aos 28 anos de idade, seus dois rins pararam de funcionar e ele teve de fazer sessões de hemodiálise por mais de dois anos, até que, em 2001, foi transplantado de um rim, doado por sua mãe, Vera Lúcia Coelho.

Na hemodiálise, uma máquina faz a função dos rins, de filtrar todo o sangue do organismo, removendo as substâncias tóxicas e as impurezas que saem pela urina. No processo, a circulação sanguínea passa pelo equipamento e retorna ao organismo. No período de espera pelo transplante, Flávio Marola foi submetido a três sessões quatro horas de hemodiálise toda semana. Na Bahia, quase 4 mil pessoas esperam por um transplante de órgão. Desses, em torno de 2,5 mil esperam por novos rins.

Hoje, ele tem uma bela família, com duas filhas, e o surf como atividade. Mas a barra que ele e a família seguraram foi muito pesada. Além da fragilidade do organismo, do isolamento das pessoas e do sofrimento físico da doença, ele teve de conviver com a perspectiva de morte.

Segundo o surfista, só no período de espera pelo transplante, perdeu 15 amigos que sofriam do mesmo problema. “Tinha que conviver com a morte ao lado o tempo todo. Às vezes, chegava no hospital e não encontrava alguma pessoa. Quando perguntava, tinha a notícia de que havia morrido. Ficava difícil buscar forças para acreditar na recuperação e na sobrevivência”, lamenta.

“Fazia hemodiálise sempre com um grupo de 25 a 30 pacientes, sendo que eu era um dos piores, pois meus rins estavam 100% sem realizar filtragem do sangue”, explica.

O processo gera o aumento de fósforo, potássio e creatinina no organismo. Entre os riscos provocados pela insuficiência renal, o paciente pode ter uma parada cardíaca, por causa do alto índice de potássio, ou convulsão no processo de hemodiálise. Além disso, o não funcionamento dos rins poderia causar diabetes e hipertensão e a alta taxa de creatinina pode levar à morte.

Flávio Marola explica que tem um agradecimento muito grande a Deus por estar transplantado e vivo e por poder ajudar as pessoas que sofrem com sessões de hemodiálise e em filas de transplantes.

“Sempre que estou no mar, agradeço muito a Deus. Tenho uma felicidade muito grande de estar com saúde e mostrar para as pessoas que estou vivo graças a um transplante de órgão”.  

Flávio Marola está escrevendo, com um amigo ator, uma peça teatral com o tema da doação de órgãos. Ele também está formando um grupo para realizar blitz informativas na cidade sobre a importância da doação e intensificando as campanhas nas redes sociais. Através do site www.doeorgaosdoevida.com.br  pode-se obter mais informações sobre as campanhas.

“Hoje, meus maiores propósitos de vida são minha família e ajudar as pessoas que estão na fila de transplante. Não posso ficar de braços cruzados enquanto sei que muitas pessoas estão passando o que eu passei”, emociona-se.

Os doadores de rins podem ser pessoas vivas ou mortas. Após doar um dos seus rins para o filho, dona Vera Lúcia continua com uma vida normal.

“Um doador vivo tem que estar consciente e inteirado do que vai acontecer. Desde a ausência do rim que será doado ao procedimento da cirurgia e do risco de haver uma rejeição por parte do doador”, explica a matriarca.

Dona Vera Lúcia conta ainda que nem por um minuto recuou da decisão.

“Doei e doarei, se necessário for, para salvar a vida de alguém. Sou doadora de todos os órgãos. Ver hoje meu filho saudável, alegre, casado e com duas lindas meninas me faz muito feliz. Agradeço a Deus e aos médicos por ele poder surfar e ter uma vida normal".
 

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