Gigantes do long

Confira entrevista com os longboarders Ewandro Ballalai, Dudo Ballalai e Luan Araújo


O trio de gigantes do longboard baiano partem em busca do título em Jericoacoara (CE), Luan Araújo, Dudu Ballalai e seu pai Ewandrinho Ballalai.

Nosso colaborador, Peterson Sitônio, bateu um papo descontraído com o trio para saber mais detalhes dos preparativos para a competição.

Peterson Sitônio - Segundo ano consecutivo do campeonato brasileiro em Jericoacoara e a energia lá em cima, me conta como a preparação para disputar mais uma etapa do brasileiro de longboard.

Luan Araújo - Energia sempre lá em cima. Nesse ano to pretendendo correr todas as etapas do Brasileiro, estou focado e treinando a parte física com a galera da Xreach. Ultimamente as condições das ondas não estão boas, mas busco estar na água treinando sempre que possível.

Dudu Ballalai - Estou me preparando fisicamente e mentalmente e procurando surfar todos os dias em algum pico de Salvador, apesar de ser verão, ou seja, período de ondas pequenas, mas a remada no mar de longboard sempre vale.

Ewandro Ballalai - Isto mesmo, energia lá em cima e uma pegada de “surf de alma”. O Marcelo Ferro, o Bibita, nos convidou no ano passado, mas não foi possível ir, este ano é ainda mais importante estar presente ao convite do velho amigo Bibita, pois meu filho é o atual campeão Baiano de Long. O Longboard é o esporte que mais amo e Jericoacoara tem uma grande identificação com o esporte pelo tipo de onda e pelo clima e cultura do local. Mantenho a minha preparação física em dia por obrigações médicas, sou diabético e o surf, junto com o skate, são para mim como remédio. Me mantenho surfando quase que diariamente, seja com pranchinhas ou com Longboard e pratico skate pelo menos três vezes por semana, assim fico também apto a competir nos eventos de surf.

PS - Como está sendo toda essa experiência de competição profissional, o que tem vivido lá dentro, suas dificuldades, nível da galera. O que mais te deixa instigado em continuar competindo aos 55 anos. Acredito que o fato de estar levando seu filho Dudu é uma energia extra né?

Ewandro Ballalai - Se eu conseguir estar presente em todas as etapas deste ano, será meu quinto ano correndo o circuito integralmente, mas frequento os eventos fora da Bahia desde o meio dos anos 90, o que vivemos lá é como uma grande tribo, somos mais parecidos uns com os outros do que se supõe, mesmo sendo de regiões e até de gerações diferentes. A dificuldade de estar presente é basicamente por falta de patrocínio, os custos de traslado e estadia são altos, o equipamento é caro e os prêmios irrisórios, pois a maior parte das verbas são destinadas à execução do evento e não à remuneração dos atletas. O nível dos atletas é muito alto, temos no Brasil um grande número de atletas com alto desempenho, que não fazem feio no plano internacional, como Rodrigo Sphaier, Carlos Bahia, Phil Hajzman, Augusto Olinto, Eduardo Bagé, Wenderson Biludo, Robson Fraga e Halley Batista são apenas alguns deles. Melhor parar por aqui para não ter a pretensão de citar todo mundo, são muitos, e muitas mulheres também. O que me deixa mais instigado é que há uma paixão em comum em toda a tribo do long, há respeito e admiração mútua e paradoxalmente, muita competição, mas principalmente amizade. Outra coisa que me instiga é a busca da evolução, da superação, de representar minha terra, a Bahia, e do aprendizado, que é constante, mesmo tendo 46 anos de esporte. Quando a competição é por idade, a instigação é ainda maior, pois a possibilidade de ganhar é maior e os competidores são invariavelmente amigos de longa data. Sem dúvida, estar viajando com meu filho é uma energia extra, tenho muito orgulho e vejo nele muito potencial, até para eventos internacionais, ele tem evoluído muito bem. Espero que minha presença ajude a desenvolver e aproveitar todo este potencial.

PS - Me fala da sua estreia ano passado no circuito brasileiro em Pernambuco, como foi a experiência? Quais suas expectativas para esse ano em Jericoacoara?

Luan Araújo - Então, ano passado fui pra minha primeira competição a nível nacional, junto com Dudu Ballalai e a experiência foi incrível, pude aprender bastante observando o surf de alto nível da galera e fiquei muito feliz por ter sido bem recebido por todos. As expectativas pra a etapa de Jeri são as melhores possíveis, já ouvi falar muito bem do pico, onda para direita, abrindo e pedindo um surf mais clássico, paraíso do longboard. Esse evento vai muito além de uma competição, é uma confraternização de amantes dessa cultura, que estão ali para se divertir e celebrar. Além de tudo, vou ter a companhia de dois amigos para representar a Bahia, Ewandrinho Ballalai e Dudu Ballalai, tenho certeza que vamos nos divertir bastante surfando essas ondas. Espero voltar com muito aprendizado na bagagem.

PS - Me fala da sua estréia em 2016 no circuito brasileiro em Maracaípe, como foi a experiência?

Dudu Ballalai - Foi uma experiência única, a primeira competição nacional a gente nunca esquece. Acabei perdendo de cara nas categorias que competi, mas foi uma etapa de muito aprendizado.

PS - Quais suas expectativas para esse ano em Jericoacoara?

Dudu Ballalai - Estou ansioso para conhecer Jericoacoara, todos dizem que é um lugar lindo e com altas ondas, espero que tenha um bom swell no período do campeonato e que seja mais uma viagem irada.

PS - Ano passado você correu em qual categoria? Esse ano vai correr em qual?

Luan Araújo - No ano passado corri a categoria Profissional e a Open. Esse ano também vou correr as duas.

Dudu Ballalai - Ano passado competi na profissional e tive meu melhor resultado, um 9° lugar. Esse ano vou competir na profissional de novo.

PS - Como é estar ali na água com os ídolos Phil Rajzman, Chloé Calmon, Carlos Bahia, Sphaier, Atalanta Batista? Você me contou que vai chegar lá por volta do dia 18 né? Como é o free surf com essa galera?

Luan Araújo - É muito bom poder surfar ao lado da galera que me inspira desde criança, não só esses citados, mas muitos outros, tenho como ídolos. Lembro há uns 10 anos, quando rolou o LQS em Itacimirim, na época a cultura longboard em Itacimirim era forte, eu surfava de pranchinha e quando o mar diminuia, pegava o long para me divertir. Fiquei impressionado com o que essa galera fazia no longboard e fiquei instigado a tentar fazer aquilo, iniciou minha curiosidade pelo surf de longboard, sou muito grato pelo que eles fazem por essa cultura e feliz em dividir o outside com eles, poder observar e aprender mais com cada um. Gratidão.

Dudu Ballalai - É muito irado estar ali perto desses longboarders, que são ídolos do Brasil e do mundo, todos surfam muito e a energia é muito boa.

Ewandro Ballalai - Estar na água com os ídolos é muito bom, é como um curso de pós graduação em termos de aprendizado e é ótimo reencontrar a galera e ver que de alguma forma fazemos parte de uma história. Por exemplo as meninas, Chloe e Atalanta, conheci ambas ainda adolescentes. Phil, Bahia, Sphaier e outros são parceiros desde os tempos dos circuitos Petrobrás, também os conheci no começo de suas carreiras e ainda tem os outros mais velhos da tribo, que sempre serão referenciais, como Rico de Souza, Mudinho, Vadih Mansur, nomes fundamentais do esporte, é fantástico rever a todos e ver em que estágio de surf cada um deles está. O freesurf com esta galera é simplesmente maravilhoso, é um momento em que me sinto em casa.

PS - E falando sobre quiver. Tá levando quantas pranchas? Vai cair de monoquilha ou tri?

Luan Araújo - Lá em Jeri o pico puxa bastante para o estilo clássico, pretendo levar duas pranchas, uma classica 9’6 single fin e uma mestiça 9’1, as duas feitas na Mamute Sup Surf. Tenho preferido o surf de monoquilha, me sinto mais a vontade, principalmente em ondas como essa.

Dudu Ballalai - Provavelmente vou levar duas, uma progressiva e uma clássica. A depender das condições do mar, escolho o jogo de quilhas que mais se encaixa.

Ewandro Ballalai - Vou levar uma prancha só, uma 9‘6” de linha esticada e alto rendimento, que pretendo usar com uma única quilha de 6” para melhorar a conexão e o aproveitamento em ondas mais fracas e com mais sustentação no noserider.

PS - Sei que nas condições de hoje todo apoio é válido, tem recebido apoio das empresas para ir na busca desse campeonato? Quem é seu shaper?

Luan Araújo - Com certeza, todo apoio é válido. Nesse ano busquei assessoria com o fotógrafo Lucciano Cruz. Estamos realizando um trabalho junto com empresa de vestuário baiana Souldila, que tem me apoiado bastante. Na parte física conto com o apoio do pessoal da Xreach, que me mantém focado nos treinos, conto também com o apoio do shaper Ptolomeu, da Mamute Sup Surf, que tem feito ótimas pranchas. E estamos em busca de outros parceiros para dar sequência a esse projeto.

Dudu Ballalai - Infelizmente estou indo para competição por conta própria e estou sem shaper fixo, mas quem sabe aparece alguém para ajudar.

Ewandro Ballalai - Hoje surfo com uma prancha importada shapeada por Donald Takayama, que me foi cedida por um amigo que me patrocina com equipamentos e é também patrocinador do evento anual Dinossauros do Surf, Zeca do Farol ou Zeca Sampaio. Antes do apoio de Zeca, eu estava surfando com uma prancha do meu shaper feito a quatro mãos com Buy Souza para o Mundial de 2009, depois o apoio de Zeca foi fundamental para me manter competitivo, me dando acesso a uma prancha do shaper Pastor, também muito boa. Sou funcionário público e renda não é o forte neste ramo, mas acredito que posso representar bem nosso estado e marcas interessadas neste mercado, bem como acredito que meu filho, Dudu, tem um grande potencial de retorno de investimento em forma de mídia nacional, também receberia de bom grado qualquer auxílio que as pessoas pudessem oferecer, mesmo a título de doação, a causa é nobre. Quem estiver interessado em apoiar pode entrar em contato pelo e-mail surfballa@gmail.com.

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