Trip dos sonhos

Tárek Roveran comenta sua experiência em viagem para Fernando de Noronha


Então, vamos falar dessa trip em Noronha, o "Hawaii Brasileiro"? Assim ouvi dizer, ainda não fui ao Hawaii, mas se for como Noronha, está tudo lindo.

Tudo começou quando eu e minha companheira procurávamos passagens para Indonésia, já havíamos ido para lá dois anos atrás em uma dessas promoções.

Nem passava pelas nossas cabeças viajar para Noronha, pois sempre ouvíamos falar de custos altos e principalmente do período de ondas na ilha (dezembro a março), que coincide com a alta estação do turismo em Itacaré, a época do ano em que estamos mais focados e atarefados. Porém, por uma dessas "sorte da vida", procurando as passagens, encontramos um site com um vôo imperdível saindo de Salvador e decidimos aproveitar.

Era final de fevereiro, então, ao longo do ano, pesquisamos bastante sobre a ilha, dicas de alimentação, surf, taxas e passeios. Com isso pudemos adiantar alguns pagamentos e economizar em alguns gastos que faríamos. Tudo para chegar por lá mais tranquilos e podendo curtir o máximo possível os oito dias em Noronha.

O lugar é realmente alucinante, muito intenso. Em um mesmo dia você pode surfar altas ondas, fazer um mergulho alucinante, ver muita vida marinha (inclusive os tubarões), curtir um pôr do sol inesquecível do mirante, com vista para a Cacimba do Padre e ainda fazer um rolê tranquilo pela Vila dos Remédios a noite.

Foi tudo uma grande sorte, compramos a passagem com muito tempo de antecedência, não tinha como prever um swell, mas dos oito dias na ilha, quatro deles pude surfar boas ondas, dias abençoados.

Os dias sem ondas aproveitamos para conhecer a parte histórica da ilha e também outros picos lindos, como por exemplo, a praia do Leão, a Enseada dos Tubarões, o Forte Nossa Senhora dos Remédios e o Air France, onde fica o Museu dos Tubarões (muito legal), além de mergulhar muito.

É muito bom ver o quanto um lugar preservado tem vida em abundância. O ICMBio faz um trabalho importantíssimo por lá. Cuidam mesmo. Junto com o surf, duas experiências marcaram minha mente nessa trip, a primeira foi um mergulho na Baia do Sancho, onde um tubarão Tigre de 3 metros veio muito perto. Essa é uma cena inexplicável, a sensação é de ter gastado uma vida ali. Outra foi a remada de Canoa Havaiana com a galera do Noronha Canoe Clube, um passeio incrível, com integração com o mar, história, conhecimento, mergulho e muitos golfinhos, mais de mil nesse dia.

Tudo muito massa, mas vamos falar de surf. Chegamos fim de tarde, Célio, que nos alugou o buggy (fundamental para aproveitar os poucos dias e fazer muitas coisas), já fez um pequeno tour pela Ilha, na sequência, já quase fim de tarde, partimos para Cacimba. Sol quase se pondo, o swell começando a ganhar força e ali com o visual do Morro Dois Irmãos de fundo, uns 15 tubarões limão se alimentando de sardinhas no raso. Na hora mexe com o psicológico, mas o lugar é muito preservado, com muito alimento e eles querem é sardinha. Claro que já ouvimos falar de acidentes, como por exemplo o que rolou com o brother que conheci lá na Ilha, o Vinicius do Açaí da Cacimba (melhor Açaí da Ilha), onde um dia fazendo body surf, acabou caindo em cima de um tubarão limão grande, que instintivamente virou e o mordeu na cabeça. Passado o susto, ele continua surfando lá todo dia, tem consciência total que foi um acidente. Claro que dicas como não surfar muito cedo, fim de tarde ou no meio do cardume de sardinha são sempre úteis e devem ser respeitadas.

No terceiro dia na Ilha o swell encostou com consistência, Cacimba fechadeira. Surfei Conceição nesse dia, altos tubos, água transparente, pude estrear minha Index Krowm 6’5, peguei várias ondas, minha compamheira salvou fazendo algumas imagens. (recordação da vida)

Nos dias seguintes fiz um confere no Boldró e Cachorro, mas a direção do swell não favoreceu muito o surf, fechando muito, a saída foi sempre Conceição ou Cacimba. No dia do passeio de Canoa Hawaiana, pude ver a famosa onda do Abras, que quebra sobre o coral, estava pequeno para surf, mas deu para ver o potencial do pico.

Meu primeiro surf na Cacimba foi alucinante, uma mistura de realização, ansiedade, glória e tubarão (risos). Passei os meses antes da viagem treinando, correndo e surfando muita Tiririca na maré seca. Isso e a 6’5 garantiram um ótimo surf. Peguei uns tubos na Cacimba, coisa linda. Onda pesada, intensa e lendária, crowd tranqüilo, como todo lugar, a dica é respeitar e saber chegar, tem onda pra todo mundo.

Por coincidência, nessa semana em que estávamos lá, rolou a famosa Corrida 21K Noronha, com show da banda Raimundos em um pôr do Sol alucinante na Praia da Conceição. Surfei todos os dias antes disso e mais ainda depois com a música "Eu quero ver o Oco" na cabeça.

Aproveitei cada passeio pela Ilha para registrar tudo com o drone, quem já acompanha no insta o @itacaredrone pode ver agora também o @noronhadrone, vou postando aos poucos e colocando as dicas por lá.

Muito legal ver as aves marinhas surfando as ondas, são as que mais surfam, o dia todo. Alguns momentos no outside eu fiquei contemplando tudo isso, muito massa, dias de glória, que energia forte tem esse pedacinho de Terra no meio do Oceano, que onda especial.

Oito dias passam como um raio e depois de tubos, sol, muita água, mergulhos, música boa e muito surf, voltei para Itacaré muito satisfeito e agradecido. Conheci uma galera lá da Ilha e turistas de outros estados do Brasil que acompanham o Boletim das Ondas aqui de Itacaré pelo @surfbahianaspraias e foi muito massa.

Foi realmente uma trip dos sonhos. Aprendi muito e vou agradecer sempre esse lugar mágico, cheio de vida e alucinante que é o arquipélago Fernando de Noronha.

Só posso finalizar agradecendo muito a Deus pela vida e saúde, a minha companheira pelo amor e companhia, a família, amigos e parcerias pela torcida, a minha Escola de Surf, a Clínica do Surf, por me proporcionar viver tudo isso, ao surf por ampliar meus horizontes, a Noronha pela vibe, a Itacaré onde eu vivo e meu surf evolui e a essa equipe do SurfBahia pela oportunidade de compartilhar minha experiência nessa Trip Noronha. Compartilhamos do mesmo Amor e Estilo de Vida Surf, então muito obrigado.

*Tárek Roveran é instrutor de surf na @clinicadosurf, guia, free surfer e responsável pelo boletim diário da praia da Tiririca, em Itacaré, pelo @surfbahianaspraias.

PUBLICIDADE

Relacionadas

Yagê Araújo surfando as ondas do seu quintal de casa, em Itacaré (BA)

Confira o atleta Fabrício Bulhões em ação nas ondas da praia de Stella Maris

Fotógrafo Douglas Pedrosa registra sessão na praia de Stella Maris

Fotógrafo Lucas Cavalcante registra sessão de free surf no litoral norte

Fotógrafo Peu Fernandes registra swell clássico em plena segunda-feira

Fotógrafo Fabriciano Junior registra dia de treinos dos atletas para abertura do CBSurf Junior Tour na Tiririca

Fotógrafo Luis Castro registra sessão especial de Carnaval na praia de Jaguaribe

De passagem por Itacaré, fotógrafo João Camilo registra o free surf na praia da Tiririca