Professor Spirro
Christiano Spirro divide as ondas de Stella Maris com o filho Kael
Domingão de votação, a maioria da galera se agilizou para votar (ou justificar) cedo, adivinha para fazer o que? Ficar com o resto do dia livre para aproveitar as valinhas da orla de Salvador.
Várias praias apresentaram uma condição bacana, então o crowd deu uma espalhada. Sempre aparecem uns mais fominhas, que chegam sem respeitar a galera no pico, mas em geral, a galera local acaba dominando a ciranda da alegria da valinha amistosa da primavera. Todos se respeitando, todos se divertem, esse é o lema. Perdeu o respeito, perde-se a diversão, simples.
Tem um pequeno pedacinho de Stella Maris que ainda escapa de uma muvuca com educação limitada. A maioria da galera se conhece, rola um astral bacana dentro e fora da água, não rola aquela “pagação egocêntrica”, a praia não lota e o equilíbrio costuma pairar na maioria dos dias.
Uma das coisas mais bacanas de se ver em mares assim é quando excelentes surfistas estão na água. Eles não precisam rabear, eles não precisam se posicionar de forma “maldosa” pra atrapalhar, ou dar a volta no pico. Dificilmente disputam onda na remada com os demais, simplesmente tem a maestria do surf, o faro pelas ondas. Parece que as ondas os procuram.
Christiano Spirro é um lord dentro da água. Se você não o conhece, ele passará despercebido, até claro, pegar a primeira onda. Surfar com um ex top da elite mundial de surf, mesmo que ele tenha disputado o circuito há tempos, é um imenso privilégio. Ainda mais se for um surfista com uma linha tão polida, com curvas no lugar certo, uma leitura de onda perto do impecável, e claro, que ainda está no rip forte.
Ultimamente tenho visto uma molecada cada vez mais com uma única linha: mirando o aéreo. Deixam de fazer duas ou três manobras só para ganharem velocidade até a junção e voar. Maneiro, plástico, excelente, mas, e o surf de borda? Está mais do que provado, principalmente para quem acompanha de perto os campeonatos da WSL, quem só surfa pensando em uma manobra, está fora do contexto competitivo. Podem ter certeza, isso não é porque ainda existe uma transição entre uma velha guarda que ainda abusa de rasgadas, e a nova geração que tem se destacado pelas manobras aéreas.
A nova geração precisa entender que o surf é um conjunto da obra. Tem muito garotão dando uma puxadinha ou outra, com bastante força, mas sem estilo, base feia, meio afobados. Fazem isso porque seus cérebros só estão focados na tal finalização aérea. Em campeonatos deixam de pontuar mais alto por terem deixado sessões da onda passar sem uma bela cravada, sem uma batida reta, sem uma rasgada redonda abrindo aquele arco homogêneo de água.
Claro, cada um surfa como quiser, esse toque vale mais para quem compete mesmo. Se você não compete e quer plantar bananeira, dropar de base trocada, etc, o surf é pra todos os estilos.
Observar caras como Spirro surfar ao vivo, dentro da água, é um filme de surf free, na sua cara, então aproveitem esses momentos. Vejam o que é surfar sem se debater em cima da prancha, sem aquelas quicadas feias que tanto vemos e criticamos, ao compararmos muitos de nossos atletas quando lado a lado com alguns tops (gringos ou não) de estilo mais polido.
Ah, e claro, para nós, meros mortais free surfers é uma aula de surf, comportamento e posicionamento no surf do dia a dia. Em picos cada vez mais crowdeados, com a massificação do surf ano após ano, precisamos exercitar cada vez mais a paciência e educação. Só assim conseguiremos coexistir sem passarmos um por cima do outro.
Com apoio da prestativa e talentosa fotógrafa, Eliana Lopes (Aloha Picture), juntamos alguns clicks onde congelamos momentos mágicos do ex top e de seu filho, Kael, que possui um backside afiado, sempre se destacando no free surf dentro da água.