México redondo
Alan Donato descreve trip mexicana com altas ondas ao lado de Luel Felipe e Gabriel Farias
As melhores recordações possíveis. Essa é a frase que descreve a minha última temporada no México. Já tínhamos passado no ano anterior por lá competindo em alguns eventos, na ocasião em Cabo San Lucas. Fizemos boas amizades com alguns locais que nos levaram para conhecer ondas pelas redondezas, como também apreciar o melhor que a comida mexicana tem.
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Antes do nosso retorno este ano, eu e Luel Felipe entramos em contato com o mexicano Yony, que sempre nos falava de outras ondas da região de onde ele tinha nascido, depois de ter migrado para Cabo San Lucas. Muito receptivo, Yony acolheu Luel em sua casa durante o período do WQS que teve por lá, enquanto nesse mesmo tempo organizava a surf trip que tanto nos indicava a fazer.
Eu, o fotógrafo Clemente Coutinho e outro atleta da Seaway, Gabriel Farias, saímos do Recife um dia depois da data programada, já que a empresa aérea na véspera do voo veio nos comunicar que ele seria cancelado e teríamos que ir no dia seguinte.
A principio não ficamos muito satisfeitos com a ideia, A ansiedade já era grande e todos já contavam em surfar no amanhecer do dia seguinte. Alguns dias depois, a empresa nos enviou um e-mail através do nosso agente de viagem informando que teríamos um voucher com um bilhete prêmio para uma outra data. As coisas estavam melhorando pro nosso lado.
Quando chegamos, no meio da tarde, o vento já tomava conta. O mar tinha um certo tamanho e dava pra ver a pressão da onda, mesmo com tudo mexido. A boa notícia veio logo com Luel, que chegou no dia anterior: “Hoje deu altas ondas” .
No dia seguinte, nossa primeira caída foi inesquecível. Confesso nunca ter visto um beach break quebrar daquele jeito. As ondas pareciam de mentira e eu não acreditava no que estava presenciando. Luel, sempre o mais instigado, era o primeiro a tocar a buzina e acordar todo mundo: “Bora, bora, bora que está perfeito, galera”.
Yony, sempre prestativo, nos apresentava aos locais e seus amigos de infância. Em muitas tardes, era comum irmos à casa de um deles para conversar sobre surf.
E assim se foram 16 dias de altas ondas comendo muito peixe e pegando muito tubo. Depois de cada sessão de surf e de separar o material que foi produzido no dia, era impossível não comer um ceviche fresquinho, uma quesadilla ou um taco de camarão.
Nesse mesmo período rolava a Copa do Mundo no Brasil. Meu irmão, se arrependimento matasse, acho que estaria enterrado. Perdi algumas horas de altas ondas pra ver aquela sofrida vitória contra o Chile.
Essas são algumas lembranças de um país, de pessoas do bem que nos receberam de braços abertos. Os empecilhos a gente tira de letra, porque se for tudo maravilha, nos falta história pra contar. Em breve a temporada recomeça e a ansiedade chegará novamente pra gente reviver e surfar aquelas ondas alucinantes.