Saga peruana
Equipe Smolder continua sua viagem pela cultura e as ondas no Peru
A saga dos amigos nordestinos que uniram surfe e música para juntos percorrerem a Terra Sagrada dos Incas continua.
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Em busca do sonho pela onda perfeita, esses caçadores já percorreram mais de mil quilômetros de estradas de asfalto e terra batida à procura de vivenciar um pouco de uma cultura milenar, rica em segredos e mistérios.
Depois da incrível experiência de surfar com golfinhos em Puerto Viejo, no litoral sul peruano, o grupo formado por cearenses, potiguares e baianos cruzou o país em direção ao norte em busca da famosa onda de El Faro, localizada a cerca de 800km da capital, Lima, no município de Pacasmayo.
Logo que chegamos em Pacasmayo, a visão das linhas quase infinitas "marchando em grupo" foi algo impressionante. Uma visão sagrada para os surfistas.
Dentro d'água, Dunga Neto comandava os ataques junto com os amigos baianos Rudá Carvalho e Franklin Serpa, garantindo o show diário de surfe aos que estavam na água. Os mais maduros da trip, os potiguares Sérgio Testinha e Armando Diniz, também deram show, no caso deles, de disposição, chegando a fazer três caídas diárias nos dias de melhores ondas, e isso no auge dos seus 52 anos. Além destes, ainda tinham os surfistas da banda Muita Vibe, que dentro d'água não puderam fazer frente ao surfe moderno e agressivo dos profissionais e dos masters, mas fora dela garantiram o show, levando a onda da surf music brasileira para todos os lugares onde o grupo passava.
"O projeto Surf Trip Smolder no Peru e Banda Muita Vibe representa um grupo grande e qualquer deslocamento se torna um exercício de logística. Mesmo assim, estamos bem entrosados", conta Dunga.
El Faro - As ondas de El Faro são míticas, mas além dela, outras também têm ajudado a deixar o nome do Peru como um dos principais destinos de surfe do mundo. Como é o caso da onda, Puemape, localizada a cerca de 30km de Pacasmayo. O único cuidado é na hora de entrar na onda, pois se cair da prancha, pode ser arremessado nas pedras. No norte, estavamos sofrendo menos com o frio. Até mesmo nas sessões de surfe, já que no sul não conseguiamos nem ficar com as mãos dentro d'água, devido ao desconforto e à falta de costume com a água congelante nas mãos.
Os pescadores da região estavam ali apenas com roupas leves. Qualquer um de nós sucumbiria em poucos minutos ao frio, enquanto os nativos pareciam desconhecer o que significa sentir frio. Depois fomos pra dentro d'água (com a roupa de borracha). Foi uma sessão memorável de surfe em um lugar de atmosfera sedutora e misteriosa.
Cabalitos - Após a confirmação da previsão da baixa nas ondas, o grupo se dirigiu para o museu e a Pirâmide da Lua, conhecida como Huaca de La Luna.
Ali, todos os mistérios de que tínhamos ouvido falar ao chegar foram desvendados. Ao ver cabalitos de Totora e pessoas pescando sobre eles em gravuras que estão ali há pelo menos 3 mil anos, dá para ter noção da estreita relação que os antigos habitantes do Peru tinham com o mar.