Pistas de sonho

Guido Ramos descreve trip de sonho a Bali e Mentawai, na Indonésia


Muito pouca coisa na vida é tão bom quanto viajar. Conhecer lugares, fazer amizades, encontrar ondas perfeitas em picos paradisíacos ao lado de grandes amigos é mais que um sonho.

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A Indonésia reúne algumas das melhores características possíveis para uma surf trip. Ondas tubulares, perfeitas, água quente e transparente, tudo isso em frente a paisagens alucinógenas fazem dessa região do planeta umas das mais atraentes para qualquer surfista.

Como nada é perfeito, passar dias entre aeroportos, voos intermináveis, barcos de tudo quanto é jeito e um crowd faminto também fazem parte do sonho. Esse foi o cenário dos 20 dias entre a região de Bali e as ilhas Mentawai nas primeiras semanas de julho.
 
A previsão já indicava altas ondas no início da viagem, logo depois da etapa balinesa do WCT. Leo “Kbça” Belitardo, Alexandre "Xan" Paes e eu ficamos hospedados sobre a falésia de Uluwatu e pudemos acompanhar de camarote a chegada do swell.

Todos botaram pra baixo sem considerar o reef afiado, no espírito "insane", como diria Xan, que não considerava os lips. Mesmo sem uma prancha maior e mais adequada às condições, Leo fez questão de passear pelas ladeiras do outside corner de Uluwatu num dia pesado.
 
Nos dois primeiros dias o vento ainda não tinha acertado e a solução foi aproveitar as direitas lisas que os tops haviam deixado em Keramas. Do terceiro dia em diante o vento acertou, o mar subiu e a festa começou: Uluwatu, Padang Padang, Impossibles e Bingin quebraram clássicas por três dias.

Acordar antes do sol virou rotina e a busca pelas melhores condições era a única preocupação. No maior dia, o inside corner de Uluwatu tinha mais de 10 pés e pouco mais de cinco cabeças na água. O mar liso e um terral incessante deixavam as pistas mais parecidas com as autobahns - estradas alemãs sem limite de velocidade.

Nesse mesmo dia, ainda escuro, a sessão foi em Padang Padang épica. A onda é uma máquina de tubos, com um drop tranquilo. O segredo é acelerar e passar pelo canudo que fica oco mesmo um pouco mais pro inside.

Bingin é outro lugar no qual se pode encher a mala de barrels. A primeira seção da onda já começa rodando, e segue até o final, quando termina sobre uma rasa bancada de coral. Depois é só voltar remando contra a forte corrente e lutar pela sua vez no meio do crowd sem lei.
 
O próximo destino foi Pulau Pagai-utara, a ilha onde quebram as famosas esquerdas de Macaronis e Greenbush. Depois de algumas horas num trânsito nada amigável entre as scooters insanas de Bali, dois voos, 12 horas de ferry e mais duas horas de speedboat, finalmente pudemos brincar no parque de diversão natural feito de água salgada e coral chamado de Macaronis.

Seguramente entre as melhores ondas high performance da Indo, Maca's é onde se pode treinar todo o repertório de manobras com o direito de repetir exatamente a mesma coisa na onda seguinte. Impressionante. Neste período, a ondulação tinha baixado e o jeito foi jogar água pra cima nas rasgadas, andar protegido do sol nos tubos que apareciam, pescar e tomar aquela Bintang gelada no final do expediente. Essa rotina poderia durar anos!!
 
Depois de acordar sendo sacudido por um terremoto de 5.5 graus no meio da noite e certificar que não haveria tsunami, era hora de conhecer Greenbush. Esquerda de cinema dentro de uma baía rodeada por uma floresta densa, faz o lugar parecer cenário de filme ganhador do Oscar de fotografia.

Sessão inesquecível com mais de quatro horas e tubos mais perfeitos do que os famosos desenhos no caderno da escola. Bastava dropar colado na parede e esperar a cortina baixar. Foram dezenas de tubos perfeitos em mais de duas horas com apenas seis felizardos, até que atracou um barco no canal.

Neste momento foi inevitável remar uns vinte minutos para conferir uma outra esquerda que quebrava solitária, mais rápida, mais rasa, porém menor do que Greenbush. Segundo o dono do Macaronis Resort, frequentador da região há muitos anos, nunca tinha visto ninguém surfando aquela onda, que em tom de brincadeira foi batizada de Guido´s Reef por ele.
 
Assim como as ondas, é importante conhecer um pouco da cultura nativa e o modo de vida do povo que nasceu no paraíso. Visitar a região de Silabu, nesta ilha, onde há uma vila muito humilde, faz com que a viagem se torne mais rica em informações. Essa diversidade incentiva sempre a reavaliação dos nossos valores e o conceito de felicidade.

Famílias com muitas crianças que vivem num lugar sem nenhuma infra-estrutura urbana, vivendo apenas do que pescam e mantendo um sorriso constante. É realmente uma aula para quem acha que precisamos de muito para viver bem.
 
Agora resta esperar, trabalhar muito e voltar para conhecer outras partes dessa região abençoada do nosso globo. Terima Kasih Indo!

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