Trip inesquecível
Leonardo Miranda conta a aventura em sua primeira vez em Nias, Indonésia
Minha ida para Indonésia foi bastante conturbada. Primeiramente porque estava em Phuket na Tailândia e tinha que pegar um avião para Bangkok que chegava 15:10, ir no hostel pegar minha mala e as três pranchas, voltar para o aeroporto e embarcar num vôo internacional para Indonésia 17:50 horas.
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Antes mesmo da partida de Phuket, já estava estressado pelo pouco tempo que ia ter para fazer tudo isso, ainda mais carregando uma capa com 3 pranchas, dois laptops, uma mochila e uma mala numa cidade populosa que chove toda hora.
Não deu outra, foi uma loucura fazer esse trajeto até conseguir embarcar para o vôo que seguia para Medan (Indonésia). Acho que nunca suei tanto em minha vida.
Quando consegui entrar no avião, tive aquele sentimento de conquista, pois imaginava que aquilo que fiz seria impossível em tão pouco tempo, levando em consideração que tive que pegar três trens para ir e mais três para voltar para o aeroporto de Bangkok.
Tudo pronto, parti para realizar o sonho da minha vida. Se alguém me perguntasse qual o lugar no mundo que mais queria conhecer, eu sempre respondia: a Indonésia.
Não é por menos, o país na verdade é um conjunto de milhares e milhares de ilhas espalhadas pelo Oceano Índico, além de ter ondas perfeitas, água cristalina, um povo alegre e sol o ano inteiro. Isso realmente representa aqueles desenhos que fazia no caderno no meio da aula de matemática ou química.
Já dentro do avião, ouvia um homem falar em voz alta coisas em indonésio que todos sempre riam. Achei que estava contando piadas para passar o tempo no vôo. Mais tarde descobri que ele era o governador de Sumatra, que estava indo visitar Nias para inauguração de uma escola.
Segui mais três horas de carro para o pequeno vilarejo de Lagundri Bay junto com Hash, o rapaz que iria me hospedar. Depois de dois dias viajando sem parar, finalmente cheguei ao destino final. A casa de Hash é composta por dois andares em frente à praia, onde ele sustenta a esposa, dois filhos e duas filhas. Toda a parte de cima da casa era apenas um quarto e uma varanda enorme, onde passei 12 dias maravilhosos.
Extremamente ansioso, tirei a camisa, pus o chinelo e fui checar as ondas que sempre vi em fotos e filmes de surf. Kelvin, um dos filhos de Hash, seguiu comigo até a bancada, que dava uns 5 minutos de caminhada. Vi ondas inacreditáveis, todas iguais e alguns surfistas na água. Por um momento fiquei emocionado de ver aquele visual que tanto sonhava. Ficava tentando imaginar como seria realmente o local, pois nunca imaginamos exatamente a realidade, algumas vezes nos decepcionamos, mas desta vez foi um visual que superou todas as expectativas.
Voltei correndo para casa, tirei as pranchas da capa e parti para água. Foi um dia de adaptação. Surfar em ondas tão perfeitas em um reef break não é como surfar as ondas do Brasil. As ondas são bem mais rápidas e você tem que controlar a prancha para não escapar do pé.
Em Nias não é preciso grandes swells para o mar estar bom para o surf. Porém, quando esses entram, se prepare, porque as ondas ficam enormes, tubulares e perigosas.
Este era um sonho que sempre busquei. Minha vida toda sonhei com esse dia. Estava vivendo um sonho que não tinha idéia, antes de chegar ali, de quando iria realizá-lo, muito menos tão cedo assim. Esse é um daqueles sonhos na vida que você pode esperar toda a eternidade, ele irá te perseguir até o dia de realiza-lo.