Around the world
Acácio Neto comenta trips ao redor do mundo e dá dicas interessantes
Nascido em Coaraci, lapidado nas ondas de Ilhéus e morando no Rio de Janeiro há muitos anos, Acácio Neto é um verdadeiro amante do free surf.
Hawaii, México, Austrália, Peru, Chile e Panamá foram os principais destinos visitados por ele.
Depois de juntar um bom material fotográfico, Acácio lembra os melhores momentos das viagens e dá dicas interessantes aos internautas do SurfBahia.
Hawaii Fui duas vezes ao Hawaii, totalizando oito meses no North Shore. Lá encontrei as melhores e mais desafiadoras ondas da minha vida. O clima, para quem quer pegar os picos famosos, é bem hostil. Só que, como pareço um pouco índio, me dei bem, pois a maioria dos gringos achava que eu era havaiano. Fiz muitas amizades, entre as quais Danilo Couto e Marcio Freire, baianos nota mil, além de vários outros. Fiquei impressionante como um casca-grossa como Danilo é humilde e gente boa. Foram tantos mares clássicos que não dá nem para mencionar um específico".
Panamá Surfei a onda de Santa Catalina, onde peguei uns cinco dias muito bons, de 4 a 7 pés. A onda é alucinante: perfeita e forte. Lembro que fiquei instigado em ir pra lá depois de uma enquete da Fluir, que apontava o pico como a melhor onda da América Central. O único problema é que lá é no meio do nada e não tem nada. Quando o mar baixou, foi difícil aturar."
Chile Fui duas vezes e surfei altas ondas. O grande problema é o frio. Lá tem que ser uma roupa de borracha com manga longa, de 4.3 mm, e das boas. Ainda assim, você passa bastante frio. Tem que ter botinha e luvas. Em um pico chamado Infernillo, aconteceu algo interessante. Na minha primeira caída lá, chegando ao pico, vi que só tinha um cara na água e não me animei no primeiro momento. Então, vi o surfista - que depois descobri ser um californiano - descer uma onda e, resumindo, tirar três tubaços nela. Começei a gritar e saí correndo para entrar no mar o mais rápido possível. Estava clássico, parecia Desert Point".
Austrália Fiquei dois meses e tive a oportunidade de surfar boas ondas em Manly, Maroubra, Bondi e North Narrabeen. Teve um pico que eu era fissurado em surfar das antigas, por conta de uma foto na Fluir com Davi Husadel em uma direita cabeluda: Shark Island. Foi uma novela surfar lá, pois tive que pegar dois trens e dois ônibus pra chegar ao pico, e nesta época, em 1998, eu não falava quase nada de inglês. Chegando lá, estava 6 pés rodando tudo. No drop era até mais ou menos tranquilo (eu estava novo, cheio de velocidade!!). Mas, depois de umas duas passadas, fechava um buraco cabuloso e tinha que estar já a 200 quilômetros por hora para fazer o tubo.
Confesso que não me joguei tanto, pois estava intimidado, mas fiz alguns tubos nas intermediárias. Também fiquei cabreiro com os locais, que ficavam o tempo todo me encarando, mas graças a Deus não rolou nada. No penúltimo dia, peguei um mar clássico, tipo aqueles de filme. Tirei uns 20 tubos. Austrália é demais - muito bonita, organizada, limpa e com um clima que lembra o Brasil (a região de Sydney). Lembro que, em uma visita a um ponto turístico - a torre de Sydney - ponto mais alto da cidade -, fui sorteado pelo microfone com um cartão que me deu o direito de comprar o trio Big Mac por apenas 1 dólar por 1 mês inteiro, e nesta época o dólar estava 1 pra 1. Foi um mês de trio Big Mac, todo santo dia!!! Minha sorte é que nessa época meu colesterol e triglicerídos eram baixos".
Peru É nota mil, pois, além de ter as melhores ondas da América do Sul, é bem acessível quanto ao custo. Lá você encontra 200 picos diferentes para surfar, desde tubos em beach break, ondas quilométricas para 20 manobras, até ondas de 20 pés para big surf. Para aquele que nunca viajou para o exterior e tiver oportunidade, vá!! Um dia bom de surf lá vale por 10 dias de surf no Brasil, e você ainda conhece uma nova cultura. Já fui pra lá umas 15 vezes e, agora em dezembro, vou de novo, só que com família, e para ir também a Machu Pichu. Em várias vezes me deparei com meus conterrâneos baianos lá."
México Já fui ao México três vezes, sendo duas para Puerto Escondido. Se você tem culhões e gosta de desafios, lá é o lugar certo. Minha primeira viagem internacional de surf foi pra lá, em 1996. Levei quatro pranchas, dentre as quais uma 6'6 do meu grande amigo, o finado Olimpinho. Como era bem grossa, ficou perfeita pra lá. Lá tem que ser prancha grande e grossa, pois a força da onda é algo bizarro. Lá tu pode morrer ou ficar de cadeira de rodas, como já aconteceu com vários.
Quem estava em Puerto na minha segunda temporada foi Fabio Gouveia. Fiquei amarradão com duas coisas. O cara realmente não foi top 5 do WCT à toa. Ele é sinistro mesmo, pois tira altos tubos e se taca nas grande. Por último, me elogiou bastante, dizendo que viu altos tubos meus.
Ainda na minha segunda temporada, para se ter uma ideia, com ondas de 3 a 4 pés eu já botava minha 7'2 na água. Depois de quebrá-la ao meio e comprar um 7'6 bem grossa, meu desempenho melhorou ainda mais. Com fé em Deus, em 2013 estarei lá de novo.