Julho inusitado - 2
Lucas Gantois passeia pelo canudo no litoral norte baiano
Era uma terça-feira (10/7), quando peguei um final de tarde surpreendente em um dos mais potentes fundos de coral do litoral norte.
Surpreendente porque os sites de previsão indicavam que o vento só iria parar na quarta-feira, e quinta seria o clássico, com terral soprando. No entanto, durante essa sessão que começou por volta das 3 horas da tarde, o vento foi parando, parando e, no finalzinho do dia, já era um leve terral.
Talvez por isso mesmo na água só havia eu, meu irmão e mais dois amigos. Surfar altas ondas e completamente sem crowd está cada dia mais dificil nos dias de hoje, e para os próximos dias de swell era fato que essa vibe não rolaria de novo, pelo menos não nos picos de coral do litoral norte.
Ainda à noite, o celular pipocou de mensagem e ligações de amigos me chamando para cair na PF, Scar e outros picos, mas eu queria fugir do famoso crowd da PF, que quebraria de gala, tinha a certeza, e já estava articulando um surf com alguns poucos amigos em um beach break muito tubular nas redondezas de Barra de Jacuípe.
Eu costumo chamá-lo apropriadamente como Zicatela Bahia, pois, nas devidas proporções, tamanha é a semelhança com esse pico famoso de Puerto Escondido, México. É o tipico lugar que na maioria das vezes está bem vazio, porque para conferir o surf você leva um tempinho, pois é um pouco distante da estrada, na maioria das vezes está fechando e balançado, as ondas funcionam com uma determinada maré...
Durante essa noite, acordei várias vezes para checar o wind report do aeroporto de Salvador, e via que o terral se mantinha forte durante toda a noite. Com um misto de ansiedade e insanidade, às 4:27 da manhã, me lembro muito bem, já estava pegando a Paralela rumo ao condominio Encontro das Águas, onde me encontraria com o resto da galera.
E que galera... Thiago Maluco, Adriano Sabiá, Marquinho Costa, Lucas Gantois - que estava de passagem em Salvador, rumo às Maldivas -, Marcio Viana e Afonso Zumbi. Mais adiante, na estrada, ainda encontrariamos Carlos Guilherme, mais conhecido como Guiga.
Todo mundo foi à loucura quando avistamos as séries de até 2 metros marchando em direção ao raso fundo de areia, e quase todas as ondas cuspindo baforadas insanas. Separei algumas das melhores fotos do surf que rolou nesse beach break nesse dia e nos outros dois dias, ainda mais clássicos, que viriam na sequência.
Confira mais galerias de fotos da série "Julho inusitado" em nossas próximas reportagens.
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