Caminho das pedras

Peterson Rangel e amigos de Valença dão dicas para conhecer a Nicarágua


Depois das mais de cinco horas de voo no trajeto Guarulhos (SP) até Lima, Peru, nada como uma cerveja Cusqueña gelada pra rebater aquele avião apertado, à espera da bagagem e assistindo pelos vidros do saguão suas pranchas serem arremessadas como sacos de cimento na esteira do avião.

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Primeiro conselho para quem tem conexão aérea: capa sob capa e sob capa e sob plástico bolha e sob camisinha de prancha, pois os operadores de carga dos aeroportos parecem que estão disputando prancha à distância.

E nem fique feliz se colarem um adesivo “fragile” na boia, meu brother. Dá no mesmo.

Depois, dinheiro no bolso. A companhia te cobrará 50 doletas por uma capa com até duas pranchas dentro.

Nem pense em atochar 3 que não cola, porque pedirão para você tirar uma de dentro, pagar o dobro e ir sem capa, ou seja, desastre.

Pouso em Manágua, imigração, câmbio de dólares para Córdobas (um dólar são 19,75 córdobas neste momento) e você chegou ao paraíso das ondas. Ou não.

Manágua (olhe no mapa) está sobre o lago menor, ao centro do país e longe do litoral. Agora, duas opções: Sul, com Popoyo, a mais visitada; Norte, com a igualmente conhecida Puerto Sandino. Minha opinião pessoal? As duas!

Nicarágua é tranquila, ao contrário do que nos alertaram. Fomos a todas as praias que podemos e não nos sentimos nem por um segundo ameaçados por violência, furtos, assaltos. Inclusive usei minha câmera e meu notebook a todo tempo. A única história que soubemos foi de policiais extorquindo colegas, por 20 dólares.

Mas, se preparem para uma área pobre. Não há supermercados, só vendas (pulpileiras), estradas de barro, mas sem atoleiro, já que quase nunca chove e sobrevivência com base em criação de poucos porcos, salinas e algumas plantações de algo que ninguém conseguiu identificar.

A vegetação é beirando o árido. As praias são maravilhosas e muito próximas, em Popoyo. A própria Playa Popoyo é algo de inacreditável e linda em qualquer maré. Ondas que vão acima dos 2 metros e certamente além dos 3 metros no topo da série, com uma grande extensão e parede de grande verticalidade.

Temos Astillero (meia-maré para cheia) ao lado e bem ao lado de Lances Left (meia-maré para seca) e logo depois Playgrounds, que só se vai de barco e a maré é meia para cheia.

Logo acima de Popoyo temos Santana, que pegamos com drop cavado e difícil, porém com ondas lindas que tive imensa satisfação em fotografar.

Não fomos a Mesanillo, que dizem ser ótimo pico. Percebemos que o crowd está presente na Nicarágua, sim, apesar do que as agências de surf propagam; porém, certamente haverá ondas para todos, mesmo porque brasileiros aqui são 89% das cabeças e sabemos como lidar uns com os outros. Como disse um amigo aqui ao lado, o crowd somos nós.

Vamos às informações de sobrevivência. As estradas são bem conservadas enquanto se está nas carreteiras (rodovias), porém não há acostamento e esteja sempre vigilante, porque os motoristas param inadvertidamente no meio da pista para fazer uma conversão de pista.

Vá no Google Maps e imprima o que puder (e no zoom que puder e quiser) até o sentido do seu destino.

Chegamos e não havia GPS para alugar na locadora de veículos e estes impressos foram o que nos salvou.

Aonde for, leve água, protetor solar, dinheiro e ande sempre com o seu carro abastecido, devido ao fato de não haver sequer postos de gasolina em Popoyo.

Os moradores locais vendem em tunéis, mas vale quase 8 reais o litro, enquanto nos postos das carreteiras vale menos de 3.

Partimos de Popoyo para Puerto Sandino e não nos arrependemos nem um pouco, apesar de perdermos uma diária já paga em Popoyo.

Na chegada, terá Punta Miramar e The Pipes maravilhando seus olhos com ondas extensas, imponentes e crowd de moderado a nenhum. Precisará de um barco para chegar a Puerto Sandino (10 minutos apenas), a onda mais forte que vimos durante toda a trip.

Quatro pranchas foram destruídas em um dia e meio, sendo pelo menos duas novíssimas e de marcas reconhecidas.

Nem pense em vir com uma só, a não ser que queira vê-la também dependurada no teto do Miramar Surf Camp, coberta de assinaturas, e ficar só assistindo aos demais brasileiros aproveitando o resto do dia.

Em resumo, Nicarágua é um ótimo lugar para surfar e fotografar. Não só pelas ondas perfeitas, consequência do terral incessante, mas pelos demais atrativos como o seu pôr-do-sol incrível, o seu povo humilde e a sua grandeza admirável. Aloha!

*Texto escrito por Robert Andrade, Mamed Acruz, Peterson Rangel, Albert Andrade e Augusto Souza.

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