Sumatra dreams

Ader Oliveira, André Teixeira e Guto Boni curtem ondas perfeitas na Indonésia


Entre os últimos dias 10 e 31 de maio, tive a oportunidade de curtir parte das minhas férias com dois grandes amigos - André Teixeira e Guto Boni.

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Nosso destino foi a ilha de Nias, em Sumatra, Indonésia. Depois de tudo organizado, partimos da Gold Coast, Australia, ansiosos para desfrutar das famosas direitas de Lagundri Bay.

Foram sete horas de voo da Gold até Kuala Lumpur, capital da Malásia, num desconfortável avião da Air Asia. Roubada - Na Malásia, pegamos um novo voo para Medan, na Sumatra, mas de apenas uma hora. A pior roubada da viagem estava por vir. Em Medan, ainda no saguão de desembarque, começamos a sentir o famoso "clima" da Indonésia.

Dezenas de pessoas oferecendo ajuda (obviamente querendo dinheiro) e tentando carregar nossas malas, um calor infernal e um cheiro insuportável de cigarro o tempo inteiro. Um motorista de uma agência de viagem nos aguardava para levar o trio até a empresa, onde acertaríamos os últimos detalhes para pegar o voo até Nias.

Encaramos um trânsito sinistro, totalmente desorganizado, repleto de motos, bicicletas, motoristas despreparados e buzinando o tempo inteiro. Ninguém reclama, ninguém xinga, nada... Acho que eles se comunicam por intermédio da buzina!

Já na empresa, conversa vai, conversa vem e no meio da história o proprietário (Tom) fala que não poderíamos embarcar naquele dia porque não havíamos comprado os bilhetes para Nias.

"Infelizmente só tem vaga na sexta-feira", disse Tom. Vale ressaltar que isso foi na segunda-feira e, além de extremamente exaustos da viagem e ansiosos para chegar a Nias, estávamos numa cidade caótica, com muita poluição e sem nada para apreciar.

Depois de muita conversa, Tom deu uma segunda solução para que não esperássemos até sexta-feira. "Vocês podem ir amanhã (terça-feira), mas, em vez de pegar um voo de 1 hora direto até Nias e mais um translado de 3 horas até Lagundri Bay, vão ter de pegar um voo de 1 hora até Sebolga, mais 40 minutos de translado até o porto, onde vão pegar um speed boat de 4 horas até Nias. Por fim, pegam o translado de 3 horas até Lagundri", disse Tom.

Resumindo: passaríamos por uma verdadeira roubada para chegar a Nias. Além de dormir em Medan, teríamos de viajar 8:40 horas para chegar a Nias, em vez de 3:40. Sem falar no desgaste de carregar tantas pranchas (12 no total) e bagagens em tantos veículos diferentes.

Cenas inusitadas - Não havia outra solução. Fomos até um hotel e saímos para almoçar. Atravessar a rua em Medan é uma aventura. Mesmo com sinal fechado, os carros podem passar por uma faixa lateral e ninguém se importa se você quer atravessar. Tem de passar correndo e driblando os carros.

No shopping - muito bonito, por sinal - todas as pessoas nos olhavam como se fôssemos de outro mundo. Ficamos totalmente sem graça. Outra cena inusitada foi no caminho ao hotel. Um cara vendendo uma gaiola repleta de morcegos vivos. "Dá vontade de botar esse palhaço nessa gaiola para ele aprender o que é bom", irritou-se Guto. A verdade é que até agora não sabemos o que esse vendedor estava fazendo.

Depois de tanto desgaste, ficamos no hotel esperando anoitecer e falando sobre a roubada que enfrentaríamos no dia seguinte. Acordamos e fomos ao aeroporto de Medan, onde um pequeno e antigo avião (também conhecido como teco teco) nos aguardava.
Ficamos tensos e rezamos para que tudo desse certo. O avião comportava no máximo uns 18 passageiros e o voo foi muito tranquilo. Em Sebolga, um motorista da agência de Tom nos levou ao porto da cidade.
 
Sem dúvida foi a pior parte de toda a viagem. Um porto sujo, um barco lotado (e sujo também) e um sol escaldante deixaram a galera tensa. Depois de muita demora, o barco finalmente partiu em direção a Nias. A fumaça de cigarro não parou de entrar em ação um minuto sequer. Era extremamente irritante e os caras acendiam um cigarro atrás do outro. Nunca vi tantos fumantes juntos em minha vida... No meio do caminho, André chegou ao ponto de enrolar a camisa no rosto para não respirar tanta fumaça, mas os caras não estavam nem aí.

Ainda no meio do caminho, André viu uma cena bastante deprimente. Um funcionário do barco pegou a cesta de lixo, foi até o fundo do barco e jogou tudo em pleno oceano!

Depois de quatro horas, chegamos a Nias, onde nosso barco - que já estava cheio - foi invadido por diversos nativos. Os caras entraram pulando pelas janelas, pelo fundo e por cima do barco, gritando, dando risada, fingindo que estavam desembarcando junto com os tripulantes. Com certeza era uma diversão para eles. Ao sairmos do barco, vimos dezenas de nativos movendo as bagagens, inclusive as nossas. Depois de tirar nossas coisas de cima do barco (sem o nosso consentimento), um cara mal humorado veio pedir dinheiro e ainda achou ruim quando demos 10 mil rupiahs (cerca de 1 dólar americano). Ficou exigindo o dobro e André, já irritado, deu mais 10 mil ao cara para que nos livrássemos do mala.

Um novo motorista da agência nos levou até Lagundri Bay, vilarejo situado a 3 horas do porto e onde está a famosa direita que tanto buscávamos. Ficamos lá na pousada Marlitos, onde fomos muito bem recepcionados pela família dos irmãos Justin e Alex, dois dos melhores surfistas locais.

A primeira semana contou com boas ondas de 1 metro e alguns tubos. Na semana seguinte o mar perdeu força, mas continuou com séries de até 1 metro. Checamos a previsão e vimos que um swell com ondas de até 2,5 metros estava a caminho.
 
Antes do swell, fomos duas vezes até Rock Star, pico situado entre Nias e Lagundri Bay. A valinha é rápida e quebra sobre uma rasa bancada de coral. Geralmente está menor do que Lagundri, mas sem o mesmo crowd. A diversão é garantida, com certeza.

Na quinta-feira à noite, já em nossa segunda semana, começamos a escutar o barulho das ondas em frente à nossa pousada. O swell estava vindo com força total e todos estávamos adrenalizados.

Acordei às 5 horas da manhã devido ao barulho das ondas, que estava ainda mais intenso. Fui checar o mar na varanda da pousada e vi uns 4 caras entrando na água ainda escuro. Começamos a preparar as pranchas, tomamos café e fomos para a água.

O mar estava de sonho. Verde, tubular, liso e com algumas séries que chegavam aos 2,5 metros. O crowd estava bem concentrado no pico e era preciso ter muita paciência para pegar as melhores da série. Alguns surfistas profissionais marcavam presença no pico e batalhavam forte pelos tubos mais perfeitos.

Além da gente e de diversos locais e estrangeiros, estavam na água surfistas famosos como os australianos Wade Goodall e James Woods e o free surfer norte-americano Phillip Goodrich, frequentador assíduo de Nias há anos. Phil, que costuma passar 5 meses por ano na ilha, deixou todos boquiabertos com seu talento. O cara surfa com uma fish biquilha, só vai nas melhores ondas e dificilmente cai da prancha. Um legítimo soul surfer.

André foi um dos melhores surfistas da ilha, sem sombra de dúvidas. Pegou muitos tubos, arrebentou nas manobras e exibiu uma linha impecável nas difíceis ondas de Lagundri Bay. Vendo as imagens, as ondas parecem ser fáceis, mas elas têm uma força impressionante e os tubos são muito rápidos e às vezes estreitos.

Depois de acompanhar seu show em Lagundri, tive ainda mais certeza de que Andre merece uma chance numa marca de surfwear. Poucos surfistas brasileiros têm uma linha de surf tão polida quanto a desse guerreiro baiano. Ele evoluiu muito desde que foi morar na Austrália e tem feito muitas manobras modernas.

Guto também se destacou bastante nas sessões de free surf. Partiu pra cima das ondas com muita força de vontade e logo ganhou respeito no outside. Era sempre o último de nós a sair da água e raramente deixava de fazer duas sessões de surf por dia. Impressionante a instigação dessa figura!

Voltamos para a Gold Coast de cabeça feita e com ótimas lembranças dessa direita mágica chamada Lagundri Bay. Em 2010, a meta é explorar as ondas de Mentawaii, com fé em Deus!
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