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Braian Ramos fala sobre a vitória na Taça Futuros Campeões e seu atual momento nas competições


Braian Ramos foi o único baiano a vencer uma categoria na Taça Futuros Campeões - Troféu Adriano de Souza, no último final de semana, em Stella Maris. O talentoso atleta vem de origem humilde, local de Porto de Sauípe, no litoral norte, e aos 13 anos de idade, vive o sonho de se tornar surfista profissional. Para muitos, o garoto não é mais uma promessa, e sim uma realidade.

SurfBahia - Você ganhou a Sub 14 na Taça Futuros Campeões - Troféu Adriano de Souza, sendo o único baiano a vencer uma categoria no evento. Como foi a emoção de subir no lugar mais alto do pódio em um evento tão importante.

Braian Ramos - Foi uma emoção muito forte. Fiquei super feliz em poder vencer esse campeonato, onde tinham vários talentos do Brasil. Treinei e competi muito nesses últimos dois meses para chegar preparado e consegui alcançar meu objetivo, que foi a vitória. Na final, o mar estava bem balançado e fiquei meia hora estudando com Jadson Fio onde iria entrar. Vimos boas ondas quebrando para esquerda no lado direito do palanque e decidimos que ali era o lugar. No começo da bateria as ondas sumiram, mas tive paciência, esperei e elas começaram a subir de novo. Aproveitei três ondas boas, onde duas finalizei com sucesso. Fiquei feliz em ser o único baiano a ganhar uma categoria, mas também muito sentido por não ver meus amigos da Bahia nas outras categorias.

SB - Este ano você viajou pela primeira vez para competir fora do Estado (Ceará e Rio de Janeiro). Conte como foram essas experiências.

BR - No início do ano fui para o Ceará, saindo da Bahia pela primeira vez para competir o Brasileiro Pro Junior em Paracuru. Infelizmente não obtive um bom resultado, mas pude aproveitar cada segundo da viagem e entender como a nova geração se comportava nos campeonatos, além de observar o que vinha pela frente até o final do ano. Nas outras duas etapas fui mais focado, treinado e consciente dos meus adversários. Em Itacaré, rolaram altas ondas de qualidade e fiquei em 5º lugar, com sentimento de dever cumprido, pois no Ceará tinha ficado em último. Recentemente fui para o Rio de Janeiro, na última etapa, sabendo que tinha um descarte das três etapas, então fui  para fazer um bom resultado e consegui ficar entre os 4 melhores da Sub 14, categoria que ano que vem continuo e vou me preparar para chegar ainda mais longe.

SB - Faça um balanço do ano de 2107 até agora nas competições.

BR - Esse ano logo no começo foi bem difícil, pois subi de categoria e sabia que iria encontrar bastante dificuldade. Ano passado tive bons resultados e consegui ganhar o Circuito Novos Talentos, realizado por Armando Daltro. Estava ciente que esse ano seria o mais difícil e por isso estou tentando aproveitar ao máximo para chegar bem preparado em 2018, para disputar mais uma vez a Sub 14. Acredito que ano que vem essa dificuldade continue, já que temos vários garotos da nova geração super talentosos, que estão evoluindo. Estou procurando melhorar meu surf em cada treino e competição para acompanhar essa evolução dos meus adversários.

SB - Seu início nas competições foi cedo e você vem de um lugar humilde do litoral norte. Imaginou chegar onde chegou, vencendo eventos e sendo apontado como um grande talento baiano?

BR - Comecei a competir com 11 anos de idade e no meu primeiro campeonato fui campeão na Praia do Forte, onde recebi a premiacão de Bino Lopes, que me fez enxergar que o surfe poderia ser um bom caminho para mim. Sempre fui na praia ver meu irmão surfar com os amigos e ficava na vontade. Depois de um tempo tomei coragem e comecei. Venho de uma família humilde e minhas pranchas sempre foram aquelas sem bico, com duas quilhas, toda quebrada (risos). Certo dia, meu técnico Jadson Fio, que sempre foi amigo de minha família, foi em minha casa e perguntou se eu queria virar um surfista competidor. Fiquei feliz da vida e falei que era meu sonho, então, ele agilizou uma prancha nova e começamos a treinar e viajar para competir. Logo no começo tudo muito novo e difícil de entender, nunca tinha saído de Porto de Sauípe, isso me deixou muito acanhado e duvidoso de tudo. Graças a Deus estou fazendo boas participações nos campeonatos e feliz em saber que tem pessoas enxergando todo esse trabalho.

SB - Você iniciou um trabalho com o shaper Thiago Cunha, que já fez foguetes para atletas como o bi campeão mundial Pro Junior, Pablo Paulino e o top da elite, Filipe Toledo, entre outros. Como é sua relação com Thiago e como está sendo essa parceria?

BR - Quando voltamos do Ceará, percebemos que precisávamos mudar de equipamento para chegar no nível da galera, então meu técnico viajou para tentar uma nova parceria, onde pudesse agregar na minha evolução. Fechamos uma parceria com Thiago Cunha, que fez toda a diferença no resto do ano. Shaper de vários campeões, que sempre foram meus ídolos e sabendo disso, fiquei super feliz. Thiago veio pessoalmente trazer minha primeira prancha no Circuito Linha Verde e já fui campeão com a prancha, e Thiago assistiu na praia o meu surf, para cada vez mais melhorar o equipamento. O grande diferencial dele é que sempre está em contato, querendo saber o que pode melhorar na prancha, quais dificuldades estou tendo, quais os próximos campeonatos para poder fazer uma prancha adequada para o mar, isso faz muita diferença para quem quer evoluir e competir. Agradeço muito por ele acreditar no meu talento e feliz em saber que estou nas mãos de um shaper do nível dele.

SB - Você finalizou em 4º lugar no ranking do Brasileiro Pro Junior e está na briga pelos títulos baiano nas categorias Sub 14 e Sub 16. Como vem se preparando para essas competições decisivas?

BR - Muito feliz em terminar o ano entre os 4 melhores do Brasil. Depois da primeira etapa, não sabia do descarte e teria que treinar muito para fazer um bom resultado na segunda etapa. Com as pranchas TBC consegui evoluir nos treinos e nas competições, terminando o circuito com uma boa colocação. Falta pouco para se decidir os campeões baianos e estou na briga por duas categorias, vamos continuar os treinos e ir com tudo nas próximas etapas. No começo do ano comecei um trabalho com Lobão, treinador de Bino, mas a distância dificultou dar continuidade, mesmo assim, ele me passou vários exercícios, que vem me ajudando na minha parte física. Na parte técnica, tenho o acompanhamento de meu irmão, Geraldo e Jadson Fio, que sempre está comigo nos campeonatos me ajudando e acreditando no trabalho.

Quero agradecer ao SurfBahia pela oportunidade, estou amarradão com tudo que vem acontecendo, fruto de muito trabalho. Gostaria de agradecer meus patrocinadores, Alexandre, da South.Co, que acredita no meu potencial e não mede esforços para irmos nos campeonatos competir. Sei que hoje é muito difícil um surfista amador ter um patrocínio e somos grato por tudo que ele vem fazendo para esse trabalho ser desenvolvido. Tulio da Banana Wax, que também chega junto com os acessórios, aos empresários Bruno e Paulo da Casa Alemã, loja de Aracaju, que me ajuda sempre nas viagens e ao mais recente Guilherme Mascarenhas. Obrigado a comunidade do surf pelo carinho nos campeonatos, Aloha galera!

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