O cara do áudio

Confira entrevista com Dalmo Meireles sobre sua primeira temporada na Indonésia


Dalmo Meireles é uma figura carismática do surfe baiano, competidor nato e presença constante em eventos pelo Brasil todo. Local do Guaibim, em Valença, e conhecido também como "Gargamel", Dalmo fez recentemente sua primeira surf trip para a Indonésia, onde conheceu as ondas de Bali e Mentawai.

Foi na Indonésia também que Dalmo viu a repercussão de um áudio seu rodar o mundo e seu desabafo ir parar em grupos do Brasil e do mundo. Batemos uma papo animado com o o surfista de Valença para saber detalhes de toda essa aventura.

SurfBahia - Como surgiu a oportunidade de viajar para a Indonésia?

Dalmo Meireles - Sempre tive o sonho de conhecer Bali, sou da época que se colecionava revistas de surfe e nelas via fotos de Gerry Lopez, Rizal e outros na Meca dos tubos. Tenho amigos como Thor, de Itacaré, que já tinha ido e sempre botava pilha para conhecer e tal. O problema sempre foi o custo da viagem, pois com menos dinheiro poderia viajar para lugares como Peru e Chile, mas surgiu a promoção ano passado e não só eu, mas muitos brasileiros tiveram a chance de comprar por um preço menor. Acabamos formando um grupo e embarcamos.

SB - Depois da viagem confirmada, qual foi a preparação para encarar as ondas?

DM - Minha vida é uma loucura, sempre no ritmo das competições. Vim de uma sequência de campeonatos, então minha preparação foi mais no sentido de testar as pranchas maiores e com mais volume.

SB - Explique a sensação de pisar na Indonésia pela primeira vez.

DM - A adrenalina já começa no momento em que você sai de casa. Graças a Deus eu tenho o apoio da minha família, minha avó inclusive foi uma das incentivadoras da viagem, meu irmão foi me levar no aeroporto, meus filhos, minha esposa, que são minha alegria e que quando estou viajando sinto falta. Foi uma viagem longa e cansativa, mas quando você está no caminho, dentro do avião, conexões, fuso horário, bate aquela adrenalina, aquela ansiedade e a vontade de chegar logo. Chegamos de noite e fomos recepcionados por um amigo, que explicou um pouco sobre a ilha, as ondas, os corais, o trânsito, dando dicas que foram úteis para chegar bem. Fomos em grupo, o que também foi bom, pois nos ajudávamos, e logo pela manhã fomos checar Uluwatu, que estava bombando.

SB - Qual foi a impressão das ondas? Conte um pouco da sua experiência na ilha.

DM - Eu senti logo o power das ondas na minha primeira queda em Uluwatu. Uma onda que mesmo pequena, arremessa o lip, a mesma coisa que senti em Noronha. Ondas oceânicas batendo na bancada com alto impacto e um crowd absurdo. O cara que é mal educado e vai remar na onda sem olhar quem vem nela, vai amar Uluwatu. Agora, se você é um cara educado, que respeita as leis da prioridade, vai saber esperar a sua e pegar sua onda, mas é um crowd complicado, o calderão ferve (risos). Foi uma experiência maravilhosa, fiz muitos amigos, desde o cara do táxi até o pessoal da pousada, e muito por esse meu jeito divertido, gosto de conversar, cativar, e isso me favoreceu. O povo de Bali é receptivo, muito místico, e sabendo chegar, tendo educação, a viagem vai ser tranquila.

SB - Quais foram as maiores dificuldades?

DM - Rapaz, eu cresci desbravando Itacaré e os picos ali da região, morei em Salvador e frequentava o litoral norte, mas quando você chega lá e se depara logo com a força de uma onda como Uluwatu, com um alto grau de risco de se machucar seriamente, o que pode acabar com sua trip, além de um monte de gente se machucando na bancada, saindo esfolada, gente se batendo uns nos outros por causa do crowd, confusão, tudo isso deixa o cara receoso.

SB - Como foi a trip para as ilhas Mentawai?

DM - Meus amigos botaram a pilha, consegui um preço bom pra ir e tudo deu certo. Foi uma coisa mágica, pois quase perco a carona pra ir ao aeroporto, depois quase perco o voo por causa de um engarrafamento, e após uma peregrinação de ferry, carro, e tudo mais, cheguei na pousada. No outro dia alugamos um barco e fomos para uma esquerda cabulosa, uns corais expostos, mas as condições estavam muito perigosas e acabamos indo checar outros picos, pois o swell tinha um tamanho bom. Durante a trip surfamos Riffles, Beng-Beng, E-Bay, Pitstop e outros. Depois de sete dias eu já tinha feito amizade com os locais e quando eu remava eles gritavam "Go Garga", numa energia positiva incrível.

SB - Seu depoimento em áudio repercutiu por grupos em todo o mundo. O que você achou dessa repercussão toda?

DM - Foi um lance natural, as pessoas estavam cobrando as fotos das ondas, dos tubos e eu tive que falar a real nesse áudio. A galera curtiu, pois foi sincero e verdadeiro, não é brincadeira, as pessoas podem se machucar, como eu vi se machucando feio, inclusive um amigo meu. Graças a Deus voltei ileso, fiz minhas orações, pedi proteção e deu tudo certo. Não esperava tanta repercussão. Mandei num grupo de amigos do Guaibim, em Valença, e correu o mundo. Eu não podia abrir a boca que já vinha alguém perguntar se eu era o cara do áudio, ou seja, me tornei mais popular ainda, amigo de todo mundo. Os locais da Prainha (RJ) tiraram foto comigo, Ricardo Bocão me parou pra tirar foto também e até o Gabriel O Pensador disse que vai fazer uma música pra mim (risos). Na volta ainda fui reconhecido no avião e tive que gravar um depoimento pra galera.

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