Sapulha comenta nova fase

Vitor Sapulha fala em entrevista sobre sua carreira na Califórnia


Depois de um ano residindo na Califórnia, Estados Unidos, Vitor Sapulha, figura ilustre do surf baiano, retornou à Bahia para visitar seus familiares e em sua curta passagem pela capital baiana, concedeu uma entrevista exclusiva ao portal SurfBahia.

Sapo, como é conhecido entre os amigos, se mudou para a Califórnia a convite da fábrica Keahana, uma das mais conhecidas em produção de pranchas epoxi, onde assumiu a gerência de produção da fábrica e desenvolve um belo trabalho há pouco mais de um ano. 

Na entrevista, o soteropolitano fala da sua nova função na Califórnia, sua empresa de intercâmbio, o fato inusitado que ocorreu com o top brazuca do WCT, Heitor Alves, além de analisar o mercado baiano de pranchas.

Como surgiu a oportunidade de você assumir o cargo de gerente de produção da fábrica Keahana na Califórnia?

Sapo - Depois de alguns meses trabalhando com o material Keahana na Bahia, fui convidado para dar continuidade a este trabalho na Califórnia e passar minhas experiências para os laminadores de lá.

Como é seu relacionamento com os shapers? Eles estão sempre em contato com você?

Sapo - Geralmente não! Os shapers de fora são os que mais visitam a fábrica quando estão na cidade, como foi o caso do havaiano Christian Budroe e os brasileiros Simon e Kroning. O mais normal é a busca das pranchas shapeadas na própria fábrica dos shapers.
 
E o Xanadu e o Al Merrick?
 
Sapo - O Xanadu é um grande amigo dos donos da Keahana e nos vemos constantemente. Já o Al Merrick mandou recentemente algumas pranchas de Santa Bárbara para laminarmos.

Neste primeiro ano você deve ter adquirido bastante experiência. Qual o balanço que você faz do mercado de pranchas da Bahia nesses 15 dias em que esteve aqui?

Sapo - O problema do mercado de pranchas da Bahia não está na mão de obra, pois neste quesito não nos falta qualidade, creio que o nosso problema seja político e principalmente cultural. Ainda não conseguimos disputar com um mercado de pranchas de primeiro mundo.

Você tem uma marca de pranchas aqui na Bahia, a Sapo Boards. Ela ainda está em funcionamento ou está parada devido à sua saída do país?

Sapo - A Sapo Boards acabou se transformando na Sapo Connections, que é uma empresa que fundei na Califórnia junto com minha esposa. Essa empresa promove intercâmbio de esportes radicais e dança entre Brasil e Estados Unidos, além de continuar vendendo produtos de surf online.

Você tinha planos de trazer alguns shapers conceituados para conhecer o estado da Bahia e produzir algumas pranchas em Salvador. O que fez mudar de idéia?

Sapo - Estava tudo certo, mais infelizmente soube que a máquina de shape não se encontra mais em Salvador. Este fato inviabilizou o negócio, pois tínhamos uma encomenda para Venezuela com prazo e não podíamos deixar de cumprir.

Você teve uma participação importante no desempenho do top brazuca Heitor Alves na etapa de Trestles. Conte para os internautas do SurfBahia como foi essa história.

Sapo - Na quinta-feira, antes de começar o campeonato em Trestles, o Simon (shaper do atleta) chegou do aeroporto lá na fábrica dizendo que o Heitor estava chegando de Portugal sem nehuma prancha e tínhamos que fazer algumas para ele competir. Depois dessa notícia foi aquela correria, pois as pranchas de epoxi precisam de mais tempo para serem confeccionadas. No sábado ele estava na água testando as pranchas feitas às pressas, que no final das contas foi o seu melhor resultado no tour em 2008 (quinto colocado).

E a história da quilha quebrada?

Sapo - Isso foi num dia em que ele caiu cedinho para fazer um treino e acabou se batendo com outro surfista e não percebeu que tinha quebrado sua quilha. Heitor continou com essa prancha, avançou duas fases e só veio perceber o problema em sua quilha quando estava dando uma entrevista para um programa de televisão local.

Quando pretende retornar à Bahia?

Sapo - O mais rápido possível (risos)! Estou aguardando a chegada de uma nova máquina para levar alguns shapers californianos para o nosso estado. Na etapa do WQS da Praia do Forte também estarei presente com alguns atletas americanos que correm o circuito na íntegra.

Deixe uma mensagem para os internautas do site SurfBahia, o portal do surf baiano.

Sapo - Proteja as praias, pois precisamos delas para praticar esse esporte maravilhoso. Valorize o nosso produto baiano, as pranchas, roupas, acessórios, etc. Muita paz!
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