A arte de julgar
Confira entrevista concedida por Wilson Ribeiro ao site Ondulação
Por: Leonardo Menezes
O baiano Wilson Ribeiro, mais conhecido como "WR", tem larga experiência quando o assunto é julgamento.
Além de trabalhar em importantes eventos da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp), Federação Baiana de Surf (FBS) e ASP South America, Wilson é o head-judge do Nordestino Profissional, um dos mais importantes circuitos regionais do Brasil.
Semanas antes de o Cyclone Pro Nordeste abrir a temporada em Maracaípe (PE), WR concede uma entrevista a Leonardo Menezes, editor do site Ondulação.
Qual o projeto da ANS em relação à qualificação dos juízes de surf para 2009?
A ANS planejou e formalizou os cursos de qualificação e reciclagem de juiízes e comissão técnica em 2008. Passamos por alguns estados do Nordeste (Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte). A Associação Nordestina de Surf criou o primeiro cadastro de juízes de surf da região e nosso maior projeto para 2009 é formar os novos juízes junto às federações estaduais, pois assim podemos dar o suporte técnico necessário para os circuitos estaduais nordestinos, fortalecendo o quadro técnico de cada estado, além de nomear os novos árbitros para atuarem no ANS Tour 2009.
Em 2008 tivemos três surfistas nordestinos entre os cinco melhores do SuperSurf, o que mostra a potência do surf nordestino. Você acha que, além do talento desses atletas, o julgamento dado para eles em competições pelo Nordeste ajuda para o maior enquadramento dos atletas em competições de nível nacional e internacional?
Sem dúvida alguma os surfistas do Nordeste estão na melhor fase profissional, pois além de contarem com o maior circuito regional do Brasil, estão sendo analisados por uma comissão técnica que está sendo constantemente reciclada pela ANS, composta por juízes com experiências nacionais e internacionais. Portanto, esse é um ponto crucial para o enquadramento dos surfistas do circuito nordestino no critério de julgamento internacional.
Hoje em dia se fala muito o surf progressivo e moderno. Os surfistas a cada dia inventam novas manobras e acrobacias. Como vocês, membros de comissão técnica, veem essa evolução no que se refere a julgamento?
Os surfistas que integram a lista dos top 16 do ANS Tour são competidores experientes e muito bem integrados ao critério de julgamento internacional. Portanto, nas provas do circuito nordestino profissional fica nítida a competência desses surfistas no que se refere às manobras progressivas e acrobáticas. Sem sombras de dúvidas, encontramos no Nordeste os melhores surfistas do Brasil que se enquadram no critério de surf inovador e progressivo. As manobras aéreas e inovadoras dentro do critério elevam o patamar do julgamento e, consequentemente, o nível de surf dos nordestinos.
É possível observarmos em todos os campeonatos reclamações de atletas sobre o julgamento de suas ondas, devido a terceiros estarem presentes na praia e darem outra visão para o atleta sobre seu desempenho na bateria. O que você pode esclarecer para esses atletas sobre esse assunto?
Em quase todos os eventos de surf do mundo existem os “amigos juízes de praia”. São aquelas pessoas que apenas acompanham as ondas do seu amigo, companheiro ou parente sem comparar com as ondas dos demais competidores na bateria. Então, como o julgamento de qualquer bateria é feito comparando as ondas de cada surfista, geralmente os resultados dos amigos de praia não concordam com o julgamento oficial da prova. O que nós esclarecemos é que o profissional que está situado na praia, numa torre de julgamento com uma comissão técnica competente, comparando as ondas de todos os competidores, não deve ser desconsiderado por meros comentários sem base no critério de julgamento feitos por terceiros.
Um assunto que causa bastante desentendimento entre atletas é o critério de julgamento para categorias de níveis mais fracos. É comum vermos atletas dizendo “Como a atleta da categoria Feminino, com um nível de surf mais fraco, teve uma nota bem melhor que a minha, que fiz a onda melhor em minha bateria?”. Queria que você explicasse um pouco esse critério.
Nas provas do ANS Tour existe exclusivamente a categoria Profissional, portanto o mesmo critério de julgamento e conceitos de notas. O que acontece é que em alguns eventos de surf, geralmente eventos amadores, existe uma distribuição maior de categorias e, portanto, existem categorias que necessitam utilizar uma escala diferenciada de notas, como forma apenas de adequar as notas ao nível de surf daquela categoria. Mas a comissão técnica deve ter o cuidado para nao exagerar nas considerações das categoria básicas (Feminino, Master, Iniciante, etc) e desconsiderar principalmente as notas altas (high-scores) surfadas pela categoria principal da prova.
Como foi discutido em seu curso de capacitação para juízes, os atletas têm obrigação de saber as regras do esporte que praticam. Essa falta de interesse prejudica não só aos atletas desinformados, mas também a comissão técnica. Qual a visão que você tem sobre esse assunto?
Em 26 anos atuando em campeonatos de surf, descobrimos que a maioria dos competidores desconhece regras básicas do Livro de Regras. Então, a sugestão que posso passar é que os surfistas devem ler mais os critérios de julgamento e, sempre que possível, entrar em contato com a comissao técnica do seu estado ou região para esclarecer dúvidas antes da realização das provas.
Qual a importância do curso para capacitação de juízes para os membros de uma comissão técnica e para os atletas?
Acredito que a maior importância dos cursos de capacitação e formação de juízes de surf da ANS é que os competidores serão avaliados completamente dentro do critério, isso leva a minimizar os erros, os resultados das baterias tornam-se justos, as reclamações no palanque diminuem e o sucesso do evento fica aparente, pois o sucesso do campeonato de surf na praia está associado ao nivel do julgamento apresentado.
Qual a importância de um site como o Ondulação.com.br no que se refere em mostrar e divulgar as novidades, as competições e informá-los o que está acontecendo no mundo desse esporte?
O surf é um dos poucos esportes no mundo que se adequou à tecnologia, principalmente informática e cibernética. É fácil termos provas de surf sendo transmitidas a cada dia em tempo real (online) via internet, com imagem, som e comentários ao vivo para todo o planeta. Então, um site como o Ondulação, que consta de matérias super atuais, entrevistas esclarecedoras, imagens e vídeos de surf com nível internacional, tem grande importância para o fortalecimento e estruturação do surf no Brasil, além de ser um portal de divulgação gratuita para os surfistas.
Fonte Ondulacao
Além de trabalhar em importantes eventos da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp), Federação Baiana de Surf (FBS) e ASP South America, Wilson é o head-judge do Nordestino Profissional, um dos mais importantes circuitos regionais do Brasil.
Semanas antes de o Cyclone Pro Nordeste abrir a temporada em Maracaípe (PE), WR concede uma entrevista a Leonardo Menezes, editor do site Ondulação.
Qual o projeto da ANS em relação à qualificação dos juízes de surf para 2009?
A ANS planejou e formalizou os cursos de qualificação e reciclagem de juiízes e comissão técnica em 2008. Passamos por alguns estados do Nordeste (Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte). A Associação Nordestina de Surf criou o primeiro cadastro de juízes de surf da região e nosso maior projeto para 2009 é formar os novos juízes junto às federações estaduais, pois assim podemos dar o suporte técnico necessário para os circuitos estaduais nordestinos, fortalecendo o quadro técnico de cada estado, além de nomear os novos árbitros para atuarem no ANS Tour 2009.
Em 2008 tivemos três surfistas nordestinos entre os cinco melhores do SuperSurf, o que mostra a potência do surf nordestino. Você acha que, além do talento desses atletas, o julgamento dado para eles em competições pelo Nordeste ajuda para o maior enquadramento dos atletas em competições de nível nacional e internacional?
Sem dúvida alguma os surfistas do Nordeste estão na melhor fase profissional, pois além de contarem com o maior circuito regional do Brasil, estão sendo analisados por uma comissão técnica que está sendo constantemente reciclada pela ANS, composta por juízes com experiências nacionais e internacionais. Portanto, esse é um ponto crucial para o enquadramento dos surfistas do circuito nordestino no critério de julgamento internacional.
Hoje em dia se fala muito o surf progressivo e moderno. Os surfistas a cada dia inventam novas manobras e acrobacias. Como vocês, membros de comissão técnica, veem essa evolução no que se refere a julgamento?
Os surfistas que integram a lista dos top 16 do ANS Tour são competidores experientes e muito bem integrados ao critério de julgamento internacional. Portanto, nas provas do circuito nordestino profissional fica nítida a competência desses surfistas no que se refere às manobras progressivas e acrobáticas. Sem sombras de dúvidas, encontramos no Nordeste os melhores surfistas do Brasil que se enquadram no critério de surf inovador e progressivo. As manobras aéreas e inovadoras dentro do critério elevam o patamar do julgamento e, consequentemente, o nível de surf dos nordestinos.
É possível observarmos em todos os campeonatos reclamações de atletas sobre o julgamento de suas ondas, devido a terceiros estarem presentes na praia e darem outra visão para o atleta sobre seu desempenho na bateria. O que você pode esclarecer para esses atletas sobre esse assunto?
Em quase todos os eventos de surf do mundo existem os “amigos juízes de praia”. São aquelas pessoas que apenas acompanham as ondas do seu amigo, companheiro ou parente sem comparar com as ondas dos demais competidores na bateria. Então, como o julgamento de qualquer bateria é feito comparando as ondas de cada surfista, geralmente os resultados dos amigos de praia não concordam com o julgamento oficial da prova. O que nós esclarecemos é que o profissional que está situado na praia, numa torre de julgamento com uma comissão técnica competente, comparando as ondas de todos os competidores, não deve ser desconsiderado por meros comentários sem base no critério de julgamento feitos por terceiros.
Um assunto que causa bastante desentendimento entre atletas é o critério de julgamento para categorias de níveis mais fracos. É comum vermos atletas dizendo “Como a atleta da categoria Feminino, com um nível de surf mais fraco, teve uma nota bem melhor que a minha, que fiz a onda melhor em minha bateria?”. Queria que você explicasse um pouco esse critério.
Nas provas do ANS Tour existe exclusivamente a categoria Profissional, portanto o mesmo critério de julgamento e conceitos de notas. O que acontece é que em alguns eventos de surf, geralmente eventos amadores, existe uma distribuição maior de categorias e, portanto, existem categorias que necessitam utilizar uma escala diferenciada de notas, como forma apenas de adequar as notas ao nível de surf daquela categoria. Mas a comissão técnica deve ter o cuidado para nao exagerar nas considerações das categoria básicas (Feminino, Master, Iniciante, etc) e desconsiderar principalmente as notas altas (high-scores) surfadas pela categoria principal da prova.
Como foi discutido em seu curso de capacitação para juízes, os atletas têm obrigação de saber as regras do esporte que praticam. Essa falta de interesse prejudica não só aos atletas desinformados, mas também a comissão técnica. Qual a visão que você tem sobre esse assunto?
Em 26 anos atuando em campeonatos de surf, descobrimos que a maioria dos competidores desconhece regras básicas do Livro de Regras. Então, a sugestão que posso passar é que os surfistas devem ler mais os critérios de julgamento e, sempre que possível, entrar em contato com a comissao técnica do seu estado ou região para esclarecer dúvidas antes da realização das provas.
Qual a importância do curso para capacitação de juízes para os membros de uma comissão técnica e para os atletas?
Acredito que a maior importância dos cursos de capacitação e formação de juízes de surf da ANS é que os competidores serão avaliados completamente dentro do critério, isso leva a minimizar os erros, os resultados das baterias tornam-se justos, as reclamações no palanque diminuem e o sucesso do evento fica aparente, pois o sucesso do campeonato de surf na praia está associado ao nivel do julgamento apresentado.
Qual a importância de um site como o Ondulação.com.br no que se refere em mostrar e divulgar as novidades, as competições e informá-los o que está acontecendo no mundo desse esporte?
O surf é um dos poucos esportes no mundo que se adequou à tecnologia, principalmente informática e cibernética. É fácil termos provas de surf sendo transmitidas a cada dia em tempo real (online) via internet, com imagem, som e comentários ao vivo para todo o planeta. Então, um site como o Ondulação, que consta de matérias super atuais, entrevistas esclarecedoras, imagens e vídeos de surf com nível internacional, tem grande importância para o fortalecimento e estruturação do surf no Brasil, além de ser um portal de divulgação gratuita para os surfistas.
Fonte Ondulacao
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