Go Parko
Australiano Joel Parkinson é o novo campeão da divisão de elite do surf mundial
O australiano Joel Parkinson, 31 anos, é o novo campeão mundial da ASP. O seu primeiro título na carreira foi confirmado quando o seu compatriota, Josh Kerr, 28, derrotou Kelly Slater, 40, na semifinal.
E para fechar com chave de ouro a conquista do caneco de número 1 do mundo, Parko venceu o Billabong Pipe Masters na sexta-feira de ondas de 2 metros em Pipeline e no Backdoor, na ilha de Oahu, no Havaí. "Este é o lugar onde eu queria estar no final do ano", vibrou Parkinson, no pódio.
"Trabalhei por isso durante toda a minha vida e nem consigo descrever o que estou sentindo agora. Eu tive vários vice-campeonatos, vivi bons e maus momentos, fui ao inferno e voltei. Eu amo o Havaí, estou muito feliz por botar a Austrália no topo do mundo de novo e quero agradecer a todos que me apoiaram".
Parkinson completou a sua 12.a temporada no WCT, já venceu onze etapas da divisão de elite do ASP World Tour e o Billabong Pipe Masters foi a primeira em cinco finais neste ano.
O australiano foi vice-campeão mundial quatro vezes, em 2002, 2004, 2009 e 2011, mas agora finalmente festejou o seu primeiro título para consolidar a carreira como um dos melhores surfistas de todos os tempos.
"Um dia você acorda se sentindo bem e no dia seguinte um perdedor", conta Parkinson. "Esta manhã eu acordei me sentindo um campeão. Como o Andy (Irons) sempre dizia: ´Eu tenho isso, hein?´ Eu dedico este título para o meu pai, que sempre me levava para os campeonatos desde quando eu tinha 10 anos de idade, para a minha esposa, minha mãe, meus filhos, isso é tudo pra nós".
Após festejar o título mundial, Joel Parkinson voltou ao mar para derrotar o compatriota Josh Kerr na final, coroando a conquista com vitória no Billabong Pipe Masters em memória a Andy Irons. Mesmo vencendo só uma etapa no ano, o australiano fez uma das temporadas mais impressionantes da história do ASP World Tour, apresentando um índice de 73,4% de aproveitamento dos pontos nos oito resultados computados no ranking.
Campeão do Billabong Pipe Masters Kelly Slater chegou a assumir a ponta do ranking na sexta-feira, quando derrotou o brasileiro Miguel Pupo na última repescagem para as quartas de final, com um novo e definitivo recorde de 19,27 pontos. Nas quartas de final, tirou sua primeira nota 10 no campeonato para superar por pouco o havaiano Shane Dorian com o segundo maior placar do Billabong Pipe Masters, 18,73 a 18,20 pontos.
Porém, na semifinal não achou nada de ondas e Josh Kerr levou a melhor porque começou bem com um tubaço no Backdoor que valeu nota 9,20. "Veio tudo de uma vez só, título mundial, Pipe Master, é surreal isso", continuou Parkinson.
"Achei que ia ser aquela pressão toda como anos atrás. Eu sabia que não tinha nada que eu pudesse fazer. Eu tinha que fazer a minha parte e ele (Slater) a parte dele, que tinha a bateria com o local do pico, Shane Dorian, e eu sabia que o (Josh) Kerr era um perigo para ele. Quando o Kerr pegou aquele tubo no início, senti um negócio como se fosse vomitar e não consegui controlar minhas emoções naqueles momentos finais. Foi tudo muito louco".
Apesar da derrota na semifinal e de não conseguir o 12.o título mundial em 2012, Slater foi reflexivo e gracioso em honrar Joel Parkinson no palco, para a multidão que lotou Pipeline na sexta-feira. "Eu perdi a etapa do Brasil porque tive um corte no meu calcanhar e não conseguia realmente surfar", lembrou Kelly Slater, sobre sua ausência no Billabong Rio Pro.
"Pensei apenas em descansar e ficar focado nas próximas etapas. Venci em Fiji, mas o pior foi em Teahupoo. Eu fiz dois ou três erros consecutivos contra o Ricardo (dos Santos), que tirou um 9,8 nos últimos segundos para me vencer. Depois ganhei em Trestles e na França, mas tudo começou a desmoronar em Portugal, onde não fui bem e nem em Santa Cruz (EUA). Por alguma razão, foi tudo na direção do Parko. Ele está no circuito por 10, 11 anos, sempre na caça do título mundial desde o começo, é um surfista incrível, um cara que faz tudo parecer fácil, então parabéns a ele pelo título".
Brasileiros Os brasileiros não conseguiram aproveitar as duas chances de classificação para as quartas de final e terminaram em nono lugar no Billabong Pipe Masters. Eles até surfaram bons tubos no último dia, mas Gabriel Medina perdeu por pouco para o australiano Yadin Nicol no placar encerrado em 13 a 12 pontos, enquanto Miguel Pupo não teve qualquer chance contra um inspirado Kelly Slater, que surfou dois tubos incríveis para fazer o recorde de pontos neste ano no templo sagrado do esporte na ilha de Oahu.
Com o encerramento da temporada 2012, cinco brasileiros se classificaram para o WCT do ano que vem. Como Gabriel Medina não conseguiu passar para as quartas de final em Pipeline, Adriano de Souza permaneceu no seleto grupo dos top-5 da ASP e ele em sétimo lugar.
O também paulista Miguel Pupo foi o 17.o e o catarinense Alejo Muniz o 18.o no ranking que garantia até o 22.o colocado na divisão de elite do ASP Tour. A novidade no time verde-amarelo é o jovem ubatubense Filipe Toledo, que foi um dos dez indicados pelo ranking unificado.
O carioca Raoni Monteiro também continua no WCT, pois recebeu um dos dois wildcards (convites) que a ASP reserva para os atletas que se contundiram na temporada completarem os top-34 do ASP Tour.
O cearense Heitor Alves e o potiguar Jadson André não conseguiram confirmar suas permanências em nenhuma das duas listas classificatórias e saíram da elite.
Já o catarinense Willian Cardoso terminou pelo segundo ano consecutivo como segundo "alternate" para substituir alguma ausência nas etapas. O primeiro é o norte-americano Patrick Gudauskas.
Lista dos top 34 para o WCT 2013
1 Joel Parkinson (Aus) - 58.700 pontos
2 Kelly Slater (EUA) - 55.450
3 Mick Fanning (Aus) - 47.000
4 John John Florence (Haw) - 44.350
5 Adriano de Souza (Bra) - 42.350
6 Taj Burrow (Aus) - 41.900
7 Gabriel Medina (Bra) - 41.350
8 Josh Kerr (Aus) - 38.900
9 Julian Wilson (Aus) - 35.900
10 Owen Wright (Aus) - 33.600
10 Jeremy Flores (Fra) - 33.600
12 Jordy Smith (Afr) - 27.900
13 C. J. Hobgood (EUA) - 26.650
14 Adrian Buchan (Aus) - 25.400
15 Michel Bourez (Tah) - 24.250
16 Damien Hobgood (EUA) - 21.750
17 Miguel Pupo (Bra) - 19.450
18 Alejo Muniz (Bra) - 18.450
19 Kieren Perrow (Aus) - 18.200
20 Bede Durbidge (Aus) - 16.250
20 Travis Logie (Afr) - 16.250
22 Kai Otton (Aus) - 16.200
Wildcards da ASP por contusão
28 Raoni Monteiro (Bra) - 13.500
32 Dusty Payne (Haw) - 7.750
G-10 do ASP World Ranking
1 Kolohe Andino (EUA) - 16o lugar no ranking com 22.395 pontos
2 Matt Wilkinson (AUS) - 17o com 22.350
3 Sebastien Zietz (HAV) - 19o com 21.810
4 Glenn Hall (IRL) - 24o lugar com 18.905
5 Brett Simpson (EUA) - 25o com 17.310
6 Filipe Toledo (Bra) - 26o com 16.700
7 Adam Melling (Aus) - 26o com 16.690
8 Nat Young (EUA) - 29o com 16.365
9 Fredrick Patacchia (Haw) - 30o com 15.850
10 Tiago Pires (Por) - 31o com 15.820
Primeiros alternates para 2013
1 Patrick Gudauskas (EUA) - 32o lugar com 15.030 pontos
2 Willian Cardoso (Bra) - 33o com 14.820
3 Jean da Silva (Bra) - 35o com 14.470
4 Heitor Alves (Bra) - 36o com 14.020
Saíram da elite mundial
26 Yadin Nicol (AUS) - 14.950 pontos
27 Heitor Alves (Bra) - 14.750
31 Taylor Knox (EUA) - 9.000
32 Jadson André (Bra) - 7.750
32 Patrick Gudauskas (EUA) - 7.750