Medina é o cara

Nosso colunista Lalo Giudice exalta a vitória espetacular de Gabriel Medina em J-Bay


 
 Gabriel Medina deu uma aula de backside em J-Bay. Foto: WSL


Medina é o cara. Acredito que por mais 10 anos falarei esta frase. Sim, ele é o cara, independente se está na sétima colocação do ranking, se será campeão mundial novamente ou por quantas vezes mais. O que vimos nas finais em J-Bay foi um verdadeiro espetáculo do fenômeno de Maresias, que deu um show para ficar com o titulo, de forma inédita, da sexta etapa do Circuito Mundial, ocorrida nas perfeitas ondas de Jeffrey´s Bay, na África do Sul.

Começou o dia batendo seu amigo Owen Wright nas quartas, depois o atual líder do circuito, o americano Kolohe Andino, nas semis, além de seu grande amigo e rival, Italo Ferreira, na final, em um embate jamais visto em J-Bay. Para não perdermos o foco na espetacular vitória de Gabriel e dos brasileiros, não gastarei meu tempo falando desta bendita semifinal entre Medina e Kolohe, em que alguns amigos me enviaram mensagem achando que o americano havia virado na onda do alley oop. Eu particularmente nem me preocupei com esta onda, pequena, lenta, sendo o tal do alley oop sem rotação completa e uma junção teoricamente fácil.

Citaremos com certa brevidade também a diferença absurda de se ter um diretor de prova local, conhecedor do pico, experiente e ex competidor. Pela primeira vez na temporada, as chamadas foram bastante coesas, sendo aproveitados os bons momentos, os melhores dias, tudo perfeito. Parabéns para Travis Logie, que mostrou mais uma vez seu olhar clinico, apurado, de grande conhecedor do pico.

Rapidamente também frisaremos o fato inédito, histórico, passado e repassado por todas as mídias, canais de comunicação, sobre uma vitória de um atleta goofy, quase 35 anos que isso não acontecia ou de uma única final com atletas que surfam com essa base, fato este que nunca aconteceu. Se é histórico, inédito, singular, é por que é muito difícil se ganhar de backside em J-Bay. Deste modo, qual a dificuldade de se colocar mais esquerdas no tour? Não está nítido tamanha desigualdade? Está todo mundo de olho.

Voltemos ao fenômeno de Maresias, Gabriel Medina e sua inédita vitória na África do Sul. Cavadas imensas, floaters gigantes, batidas verticais. Se alguém acha que John John Florence surfa de “terno”, acredito que Gabriel usa um “blazer” com uma xicara de café na mão, pois pra surfar com aquela maestria não existe. JJF surfa o fino também, mas de backside nunca vi, ou melhor, a WSL nunca quis ou não quer mostrar.

Agora temos mais cinco etapas pela frente, onde Medina já venceu todas, e fez no mínimo, duas finais em cada. Virou a chave mais cedo em relação ao ano passado e vem com tudo para o segundo semestre, como de costume.

Italo Ferreira saiu com uma honrosa segunda colocação, surfando muito também. Tirou todo mundo: Slater, Kanoa Igarashi, Filipinho nas semis, até se esbarrar com Gabriel Medina na final. Vem evoluindo muito seu link de manobras, drives e projeções, o que o deixava um pouco atrás dos tops do circuito. Vai para o Taiti para buscar o titulo da etapa com certeza.

Filipinho foi outro também que surfou muito em J-Bay. Por um momento chegamos a pensar que Toledo seria imbatível nessa onda. Com apresentações sensacionais, deixava todo mundo em situação delicada em suas baterias. Pegou um Italo inspirado, perdendo nas semis. Terá um grande desafio para a próxima etapa, que é domar as ondas de Teahupoo, seu ponto fraco. Ano passado chegou a ficar em terceiro, mas as ondas não chegaram nem aos 5 pés de face.

O restante do pelotão brazuca é focar neste segundo semestre, galgar grandes resultados para não ir para o Havaii desesperado.

Que venha o Taiti, com seus slabs cabulosos, ocos e com muita potência. Que o Brasil venha com tudo para abocanhar mais um tento no ano. Agora são três vitórias em seis disputadas em 2019 e que vença o melhor, Gabriel, Filipe ou Italo, por que o resto, é resto.

Uma última noticia acaba de chegar também. Deu tão certo colocar o Travis Logie, um local do pico, para ser diretor de prova da sexta etapa do Circuito Mundial, que a entidade resolveu fazer o mesmo em todas as etapas restantes, colocando um diretor local.

Acho válido colocar o Kierren Perrow ou o Pat O´Connel em algumas etapas, mas não no Taiti por favor. Talvez no Rancho seria mais apropriado. E sem Surfline, obrigado.

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