Hora de Bali

Nosso colunista Lalo Giudice analisa os favoritos para o título da etapa do Circuito Mundial em Keramas


A direita de Keramas é o palco da terceira etapa do Circuito Mundial. Foto: WSL

 

Estamos na véspera da terceira etapa do Circuito Mundial de Surf Profissional, o Bali Protected, que acontecerá entre os dias 13 a 25 de maio, nas divertidas e performáticas ondas de Keramas, situada na Ilha de Bali, Indonésia.

Acredito que já esquecemos o evento de Bells, marcado por inúmeras controvérsias, erros de julgamento e uma certa pitada de parcialidade nas notas do havaiano John John Florence, que não tem nada a ver com isso, inclusive vem surfando muito, página virada.

Então, foquemos em Keramas. Temperatura da água super agradável, culinária riquíssima, além de uma mega estrutura dentro do próprio Komune Resort, hotel que vem patrocinando a etapa balinesa do Circuito Mundial desde 2013, além de alguns mundiais Pro Juniors.

Às vezes me pergunto, brigamos tanto para ter uma etapa do Circuito Mundial na Indonésia, o arquipélago das ondas mais perfeitas do mundo, conhecida pela simetria, principalmente de suas esquerdas, e a WSL nos coloca em mais uma onda pra direita? Snapper, Bells, Keramas, Margareth. São quatro etapas iniciais surfando pra direita. Se Saquarema der Barrinha, como ano passado e depois vem J-Bay, vira um primeiro turno, uma metade de circuito surfando só para a direta. Pode isso Arnaldo?

Claro que sabemos que a WSL tem uma grande parceria com o Komune Hotel de longo prazo e que o mesmo deve suportar muito bem esta etapa. Mas, não poderia a WSL buscar parceria com outros resorts e hotéis nas melhores e mais perfeitas esquerdas do mundo na própria Indonesia? Não acabamos de ver um evento 3000 do Qualifying em Krui, onde o próprio Medina foi competir? A Corona não esta patrocinando pelo segundo ano consecutivo esta etapa, além de ao todo duas etapas do Circuito Mundial, Keramas e J-Bay, incluindo outros eventos como patrocinadores de cotas menores? Acredito que sim.

Voltando ao surf e a grande expectativa em torno das performances do nosso esquadrão brazuca para este inicio de ano, as atenções continuam voltadas para Gabriel Medina, Italo ferreira e Filipe Toledo.

Gabriel, atual bi campeão mundial, está surfando demais, aparentemente melhor que o ano passado, mesmo sendo barrado nos quatro eventos que disputou esse ano nas quartas de finais, duas no CT e duas no QS. Precisa sair dessa quinta colocação, que lhe assombra neste ano e ter um melhor primeiro turno que o ano passado. Se conseguir esse feito, vamos pro tri. Tem total condição de levantar o caneco de campeão em Keramas, já que, a meu ver, tem o melhor backside do mundo disparado.

Italo Ferreira, que já ganhou uma etapa este ano, vem para defender seu titulo do ano passado, onde trucidou as direitas do pico com muita autoridade. Vem surfando muito também e de acordo com as previsões do mar para o inicio da janela, 1 metro de onda com um ventinho contra, Italo pode muito bem vencer novamente e pegar a tão desejada lycra de cor amarela pela segunda vez no ano.

Filipinho Toledo, que acabou de fazer uma final com John John Florence em Bells Beach, vem em ascensão no ranking. Sempre favorito para este tipo de condição, o surfista mais veloz do Circuito Mundial vem para mostrar seu variado arsenal aéreo nas rampas de Keramas. Se permanecer a previsão é o grande favorito da etapa.

Para o restante dos brasileiros, uma boa chance de subir na tabela, exceto Willian Cardoso, que está em décimo no ranking, uma honrosa posição de inicio de ano. Peterson Crisanto, Michael Rodrigues e Yago Dora podem ser beneficiados pelo tipo de onda, com muito espaço para manobras progressivas e inovadoras. Jessé Mendes, que derrotou JJF ano passado com um super aéreo neste mesmo evento, Jadson André, Deivid Silva, Caio Ibelli, também terão grandes chances nas direitas de Keramas.

Uma grande novidade para esta etapa é o retorno da nossa guerreira Silvana Lima, que volta de lesão desde o ano passado, fortalecendo nossa nação com duas meninas nesta categoria.

Pra finalizar, vou contar apenas uma curiosidade para vocês: Antes de escrever as matérias, sempre dou uma revisada ou uma pescada nas nossas próprias colunas, para verificar se esqueci algo ou me passei de alguma forma.

O fato é que estamos indo para nossa quinta Seção Critica do ano, falando do Circuito Mundial e nem se quer citamos, em nenhuma delas, o nome, o retorno, algum feito ou as performances do maior surfista de todos os tempos, Robert Kelly Slater.

Sabemos que o último titulo do Slater foi em 2011 e que de lá pra cá muitas coisas foram feitas pelo ET do esporte. Disputou título com Parko, com Fanning, com Medina, venceu Pipe, Teahupoo, deu um aéreo 540º , pra uns 720º, pegou tubos incríveis em Fiji, construiu a melhor piscina de ondas do mundo, montou sua marca de roupas, criou sua marca de pranchas.

Porém, se falarmos do ano passado e principalmente deste ano, nosso mito maior não fez nada muito expressivo que realçasse seu inestimável brilho. Vou parar de dar voltas e seguirei para a constatação que me entristece um pouco, é nostálgico, arrepiante, mas ao mesmo tempo triste. Não dá mais pro Kelly.

Fico imaginando o KP, vestido de Tiago Leifert, com uma bela oratória resumida: Hoje quem sai é o maior surfista de todos os tempos, vem pra cá Kelly, o seu tempo na casa acabou. Não dá mais. Você está eliminado.

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