Cabelo, barba e bigode

Nosso colunista Lalo Giudice exalta a vitória de Ítalo Ferreira na Austrália


Ítalo Ferreira vence e larga na frente na corrida pelo título mundial. Foto: @wsl


Neste início de semana ensolarado na capital baiana, viemos por meio desta, divulgar a mais nova empresa brasileira do ramo de cosméticos, beleza e entretenimento, o Salão Coiffeur Surf Brazil, empresa genuinamente brasileira, que está no ramo desde o ano passado, com filiais no Hawaii, Indonésia, Tahiti, África do Sul, EUA e agora com duas lojas na Austrália, a primeira situada em Victoria, fundada desde o ano passado e a mais nova, localizada em Tweed Heads.

O crescimento significante desta empresa em curtíssimo prazo se deve a não atender seus clientes, e sim surpreende-los na prestação de suas atividades em excelência. Dentre os principais serviços prestados estão a barba, o cabelo e o bigode. São 11 acionistas: Gabriel Medina, Filipe Toledo, Ítalo Ferreira, Willian Cardoso, Michael Rodrigues, Yago Dora, Peterson Crisanto, Jessé Mendes, Deivid Silva, Jadson André, além de Adriano de Souza (sob afastamento médico), Mateus Herdy (o jovem aprendiz) e Caio Ibelli, um terceirizado.

Brincadeiras à parte, começamos o ano como terminamos ano passado, em um belo salão de beleza, fazendo barba, cabelo e bigode. E o grande responsável por mais um show do surf brasileiro, vencendo a primeira etapa do Circuito Mundial de surf profissional, encerrado ontem em Duranbah, foi nosso frenético potiguar Ítalo Ferreira, que com seu surf pra lá de radical, assegurou sua quarta vitória em quatro finais disputadas em mundiais, e de quebra faturou a primeira etapa do Red Bull Airbone.

Porém, antes de analisarmos esta bela vitória de Ítalo e as performances dos brasileiros, precisamos dar um parêntese em alguns acontecimentos relevantes que marcaram a primeira etapa do Circuito Mundial de Surf.

Ao dar mais tempo de férias aos atletas, o início de circuito começa um pouco mais tarde, deixando de ser em março, para se iniciar em abril. É exatamente nesta época, entre março e abril, que os ciclones tropicais australianos ocorrem com mais frequência. Neste ano foram três, o que deixou a bancada de Snapper Rocks muito funda, sem areia. Curiosamente, tive oportunidade de morar na Austrália, exatamente em Tweed Heads, durante um ano, chegando no inicio de abril e voltando na mesma época. Cheguei com ciclone e chuva, e fui embora um ano depois com ciclone e chuva.

Outro fato que me chamou atenção, foi a não importância ou significância que os atletas deram para as Olimpíadas. Não vi nenhum surfista em suas entrevistas almejando a inserção nos Jogos Olimpícos de Tóquio em 2020, e sim a conquista do título mundial apenas. Talvez por ser muito cedo ainda, vamos aguardar.

Não poderei deixar de expressar minha opinião também em um assunto muito batido e que com certeza é o maior desafio para a entidade máxima do esporte, já publicado até no próprio site da WSL, relatado pela proprietária da Liga, Sophie Goldsmith. Como prender a audiência em uma competição que toda hora pára, que não tem hora certa para iniciar e para finalizar? Como conseguir mais patrocinadores, já que as audiências são fraquíssimas, em decorrência de não se ter um horário definido antecipadamente.

Nesta primeira etapa, sinceramente, as palavras que mais se encaixam ao ocorrido são ridículo e amador. Terminaram um evento no sábado, às 11:45 da manhã, dando altas ondas, sendo que a proposta seria terminar o evento em Snapper no dia seguinte, já que se teria uma boa previsão. O fato é que no domingo Snapper amanheceu ruim. Inúmeras chamadas foram feitas e o evento não aconteceu. D-Bah estava clássico, enfim.

Alguns jornalistas renomados, colunistas e editores próximos nos informaram que existia uma cláusula em que o evento deveria acontecer, pelo menos um dia na estrutura principal, já que havia muito recurso despendido, além de que teria uma pressão muito grande dos governantes locais, já que Snapper fica no estado de Queensland e D-Bah em New South Wales.

Alguns surfistas ficaram bastantes insatisfeitos com esta decisão e Gabriel Medina foi um deles, além de Wade Carmichael, que indignado usou a palavra "vergonhoso". Neste ponto, a meu ver, a WSL deixou os surfistas de lado para se abraçar com a política e parceiros da entidade.

Em compensação, precisamos relatar as melhorias que aconteceram nesta primeira etapa, como as baterias simultâneas, ou overlapping heats, o que deixou o evento muito mais dinâmico para nós, espectadores, além do novo display de notas e apresentações dos atletas. Ficou muito mais limpo, televisivo e profissional.

Voltemos à nossa empresa, o Salão Coiffeur Surf Brazil, para explicar e salientar a vitória para lá de emocionante de nosso acionista Ítalo Ferreira.

Ítalo está surfando muito, mais elétrico, mais confiante, vem de um ano brilhante, além de uma pré temporada para lá de trabalhosa, como pudemos acompanhar em suas redes sociais. Foi o vencedor de três etapas ano passado e vai pra cima este ano, já que a próxima etapa é em Bells, onde ele defende o titulo, além de Keramas, a terceira etapa, onde ele também ganhou ano passado. Curiosamente, o atleta mais "energético" do circuito não tem em sua prancha uma logomarca do segmento "energetic drinks". Não dou dois meses para uma do grande do segmento patrocinar "It a Lot".

Nosso bicampeão mundial, acionista principal da empresa, mostrou que está surfando mais que todo mundo. Gabriel Medina, mesmo com uma quinta colocação, começou o ano melhor do que a temporada passada, onde abriu o circuito com uma 13º colocação. Vai para a segunda etapa em uma onda que, para mim, é a que menos se encaixa no seu surf, mesmo fazendo um terceiro na temporada de 2018. O fenômeno de Maresias perdeu para o sul-africano Jordy Smith em uma bateria com pouquíssimas oportunidades.

O prodígio ubatubense Filipe Toledo, segundo alguns especialistas, quando sua cabeça não está legal, não consegue trabalhar direito. Esteve pouco inspirado em D-Bah e talvez sua patente na empresa possa estar ameaçada, talvez por um outro prodígio, que também vem fazendo muita hora extra, além de entender sobre o segmento com muita facilidade, Yago Dora. Vamos dar mais uma chance para Toledo.

Dora vem de um vice-campeonato no QS de Noronha, além de uma boa perna havaiana ano passado, o que lhe deu muita confiança para este ano. Começou a temporada com um nono e vem para brigar por vaga nas Olimpíadas em 2020.

O restante da brazucada espero poder escrever nas próximas etapas, já que os resultados não saíram nesta primeira, não havendo um destaque relevante, a não ser Willian Cardoso, nosso Panda, que abocanhou uma honrosa nona colocação nas marolas de Duranbah.

Em relação à gringalhada, destaque para a volta às competições do príncipe havaiano John John Florence, que, mesmo sem muita inspiração, foi passando suas baterias até ser barrado pelo seu amigo Kolohe Andino nas semis. Grande resultado para o havaiano, que terá pela frente agora mais três etapas surfando de frente para onda, seu ponto forte. Outro havaiano que surfou muito bem nas marolas de D-Bah foi Seth Moniz, que, com uma quinta colocação, já dispara para o prêmio simbólico de estreante do ano.

Agora é esperar Bells Beach, que acontece entre os dias 16 e 26 de abril para nós no Brasil, e de 17 a 27 na Austrália, e que nosso time esteja mais afiado do que uma navalha, uma gilete e uma tesoura. Já estou imaginando mais uma barba, cabelo e bigode. Até a próxima!

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