Medina espetacular

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória e o título mundial de Gabriel Medina


Gabriel Medina ergue o troféu de campeão em Pipeline. Foto: WSL


Foi sensacional, glamorosa, heróica, majestosa, inspiradora, lendária, épica e mais um monte de adjetivos que poderiam completar uma página inteira dessa coluna, a vitória do nosso, agora 2 X campeão mundial e campeão do Pipe Master, Gabriel Medina.

Havíamos falado na matéria de abertura do evento, que tínhamos total convicção em seu título mundial, com ou sem drama. Que este tão sonhado título viria de qualquer jeito, mas ninguém imaginou que seria do jeito que foi, principalmente eu, que tive o dia mais angustiante dos últimos anos. Mesmo sabendo da qualidade do fenômeno de Maresias, bateria é bateria e tudo pode acontecer quando se tem limite de tempo.

O fato é que o maior surfista da atualidade e agora bicampeão mundial, ama esse tipo de situação de muita pressão, platéia e mares desafiadores. Foi disparado o melhor surfista do evento com apresentações impecáveis e viradas emocionantes, dignas de quem é fenômeno.

Sem falar que o adjetivo "fenômeno" é para poucos. A cada bateria passada, principalmente no Round 3 contra o havaiano Seth Moniz, nas quartas contra Conner Coffin e na semi contra o sul-africano Jordy Smith, em que começou perdendo no placar, mas de forma esmagadora virou as baterias com incrível maestria.

Me fez lembrar dos dois maiores surfistas de todos os tempos em minha opinião, Kelly Slater e Andy Irons. Kelly para ser campeão mundial em 1995, se encontrou com Rob Machado nas semis, onde quem ganhasse era campeão mundial. Assim como em 1998, com o mesmo Rob, mas desta vez nas quartas. Verdadeiro ímpeto de campeão.

O Andy em 2003, "quase fez chover" no Hawaii. Lá atrás do ranking, ficou em segundo em Sunset, na época era válido pelo CT e precisava ganhar Pipe. Foi lá e mostrou como se faz, como se deve comportar um fenômeno, um verdadeiro campeão mundial.

Medina não ganhou três titulos ainda, mas mostrou pro mundo que esta próximo disso e quando se fala em tubo, é o melhor na atualidade. Em compensação, se igualou as duas lendas, Kelly e Andy, como os únicos que ganharam Teahupoo, Fiji e Pipe.

Todos os outros estão abaixo, inclusive John John Florence, que entuba muito, mas nunca ganhou em Pipe, Teahupoo e Fiji. Um dia possa até ganhar, mas enquanto isso não chega, prefiro colocar números, indicadores e vitórias na frente de achismos e fanatismos, fotos e vídeos de surf. Inclusive, estou ancioso para ver como John John vai se comportar no ano de 2019. Para mim já deu. Melhor velejar e curtir a vida viajando. Os velhos e bons empurrões no havaiano não irão adiantar neste próximo ano.

O vice campeão deste ano, o australiano Julian Wilson, é realmente o maior adversário do brasileiro Gabriel Medina. É impressionante sua cautela, concentração e talento. Agora estão empatados em finais, 3 x 3. Gabriel venceu na Franca, em Portugal e em Pipe, enquanto Julian ficou com a taça de campeão também em Pipe e Portugal, e Taiti. Acredito que o australiano virá com tudo para 2019 na busca do tão sonhado título mundial.

Nosso prodígio Filipe Toledo fez um ano brilhante, deixando escapar a liderança do circuito e talvez o titulo nas três últimas etapas do circuito, como de costume. Não é de agora que Filipinho vai mal na Franca, Portugal e Hawaii. Ano passado foram três 25º e este ano três 13º. Amadureceu muito em relação ao ano passado, mas ainda falta o verdadeiro "feeling" para ondas de consequência. Fez um terceiro este ano em Teahupoo em ondas de 5 pés, o que não o colocou a prova.

Perdeu a cabeça em Portugal, chegando até a esmurrar sua prancha e chegou no Hawaii baqueado. Era nítido. Discutiu com seu pai e técnico após ter ido para a repescagem em Pipe e chegou na bateria contra Kelly no Round 3 mordendo os beiços de tão nervoso que estava ao pegar a lycra de competição. Verdade seja dita, Filipinho amadureceu, está surfando muito, está mais forte, mas muito abaixo de Gabriel, muito mesmo, principalmente quando o assunto é tubo. Se for para esquerda então, a diferença entre os dois se torna quase um canal abissal, sem fundo. Gabriel é muito melhor, sem dúvidas.

Agora basta saber se Filipe tem a capacidade de evoluir mais em tubos e ondas de consequência e em um futuro próximo se tornar campeão mundial. Nosso medo é que ele se torne mais um Taj Burrow, eterna promessa ao titulo, mas até nisso ele está atrás ainda, já que o próprio Taj ganhou Pipe e Teahupoo. Estamos na torcida.

Missão cumprida amigos, temos o melhor surfista do mundo, Gabriel Medina , o campeão da Tríplice Coroa havaiana, Jessé Mendes, o campeão mundial Pro Junior, Mateus Herdy, ganhamos 9 das 11 etapas do Circuito Mundial e estamos sobrando, essa é a mais pura e simples verdade.

Aproveito a oportunidade para desejar um feliz natal a todos e um próspero ano novo. Agradecimentos em especial aos nossos leitores e a toda equipe do Surfbahia por mais um ano de trabalho e dedicação a esse esporte que tanto amamos e que temos o prazer de passar a noticia da melhor forma possivel.

Obrigado surf brasileiro pelo ano maravilhoso. Obrigado Gabriel Medina por nos dar este presentão de fim de ano.

Um grande abraço a todos e nos vemos em abril.

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