Esquenta a briga

Nosso colunista Lalo Giudice analisa o duelo acirrado entre Gabriel Medina e Filipe Toledo pelo título mundial


Filipe Toledo e Gabriel Medina travam duelo pela liderança ao título mundial. Foto: WSL / Poullenot


Filipe ou Medina, Medina ou Filipe? Essas são as principais apostas para a 9º etapa do Circuito Mundial de Surf, o Quicksilver Pro France, que tem janela de espera entre os dias 3 e 14 de outubro, em Cul Nus, na França. Mas, espera aí, não temos mais 34 surfistas neste evento? Além de alguns campeões mundiais como Joel Parkinson e Adriano de Souza, sendo que pelo menos três dessa grande maioria de fato tem surf pra ganhar, como Julian Wilson, Jordy Smith e Owen Wright?

Sim, temos, mas não acredito. Nesta altura do campeonato, onde conquistamos sete etapas das oito em disputa, ficou muito difícil acreditar em mais alguma vitória de um “gringo” nesta temporada. Australianos, americanos, havaianos, polinésios e europeus, nenhum deles. Talvez um japonês, que com novos equipamentos sobre seus pés, fornecido pelo brasileiro Márcio Zouve, chega no auge de sua carreira, fazendo um ano brilhante no QS e também no CT, com um amadurecimento vistos por todos. Este japonês chama se Kanoa Igarashi, que pra quem não sabe, fala o bom português mais do que muito brasileiro.

Voltando ao esquadrão brazuca e ao ranking, Filipinho segue líder. Com um ano brilhante, precisa esquecer o final da temporada passada, onde obteve três 25º colocações seguidas nas últimas etapas do ano (França, Portugal e Hawaii). Com um surf completamente mais maduro e comprometido com o novo critério de julgamento da entidade, Toledo deve manter a constância e avançar as fases finais deste evento. Caso isso não ocorra e o mesmo perca nas fases iniciais, vai ver um trator passar pela sua frente e fazer parar lo será quase impossível.

O trator neste caso é o vice líder do ranking, o fenômeno paulista, primeiro brasileiro campeão mundial de surf, único brasileiro vencedor da Triplice Coroa Havaiana, o maior brasileiro vencedor de etapas válidas pelo CT, o melhor e mais completo surfista do mundo na atualidade e rei da França, Gabriel Medina.

Com um retrospecto impressionante nas ondas francesas desde amador, Medina é sem sombra de dúvida o maior favorito ao titulo do Quicksilver Pro 2018. São três vitórias, dois vice campeonatos e seu pior resultado em toda sua carreira como integrante da elite mundial de surf foi um quinto lugar. Além de todo esse retrospecto, vem de duas vitórias seguidas,em Teahupoo, no Taiti e na inédita etapa na piscina de ondas do mito Kelly Slater, que por sinal, não irá participar, enfim. Fez um “treininho” semana passada, participando da etapa Prime de Ericeira, em Portugal, ficando na terceira colocação. Fiz questão de mencionar sobre sua participação neste Prime de Portugal, pois tenho certeza que faz parte de seus treinamentos visando mais o longo do que o curto prazo.

A curto prazo, a necessidade de se manter no rip já estando na Europa e a longo prazo um perfeito treinamento para o que todos nós sabemos que é seu calcanhar de aquiles, ondas um pouco mais cheias para a direita. Surfou muito, perdendo para o australiano Ryan Callinan em uma bateria de poucas ondas na semi final.

Italo Ferreira, o 4º do ranking, também vai com tudo para a etapa francesa e o resto da temporada. Com chances de titulo mundial ainda, Ferreira deverá apostar em sua máquina avassaladora de fabricar patadas de backside. Já de frontside, precisara arriscar em seus aéreos e rabetadas, já que seu link de manobras e abordagem surfando para este lado da onda não é dos melhores, comparados a alguns surfistas do Circuito Mundial, como o próprio Medina, além do australiano Owen Wright.

O restante do esquadrão brazuca vai com tudo para esta etapa. Uns brigando pelo prêmio simbólico de Rookie of the Year, como é o caso de Willian Cardoso e Michael Rodrigues, outros brigando para permanecer ou entrar na briga do G-22 (os primeiros 22 atletas do ranking que se garantem para o ano que vem), como Yago Dora, Tomas Hermes, Jesse Mendes e Ian Gouveia.

Miguel Pupo e Wiggolly Dantas novamente competirão na elite e o resto do ano de convidados, podendo ser até um atalho para qualificação do ano que vem pelo próprio CT, principalmente Miguel, que já correu 6 etapas este ano, tendo até uma quinta colocação. Dificil, mas tudo pode acontecer quando se tem ainda 30.000 pontos em jogo.

Por fim, vai minha torcida para uma pessoa que batalha muito, bastante focado e que tem condições de nos dar muita alegria ainda. Exemplo de ser humano e atleta e que nesta reta final tenho certeza que irá engrenar e espantar a "zica" das oitavas de final. Com muito surf no pé, precisa resgatar a confiança, garra e solidez na qual é sua marca registrada. Sinto muita falta das vibrações e os famosos “claims” de Adriano de Souza.

Dessa forma, nos próximos dias e no restante do ano, estaremos todos enviando vibrações positivas e torcendo por você, Capitão!

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