Profissão fotógrafo
Fabricio Fernandes enaltece o trabalho dos profissionais da fotografia no surfe
Estamos acostumados com matérias falando das performances dos atletas nas competições e de ondas grandes, que são histórias que nos atraem e nos fazem torcer pelos atletas de nossa preferência.
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Decidi mudar um pouco o meu enfoque e fazer algumas matérias mostrando outras questões que envolvem o surf. Os bastidores, os profissionais envolvidos com o staff e organização do esporte, escolinhas de surf, salvamentos aquáticos e outros esportes como kite, tow-in, wakeboard e SUP.
Resolvi começar com algo que me fascina há algum tempo, a fotografia de surf. A arte de clicar o momento mágico, aquela manobra que vai se tornar eterna e que pode fazer um desconhecido se tornar uma página dupla ou uma capa em uma revista de surf, não é algo para qualquer um. É preciso técnica, conhecer o esporte, ter disposição para ficar por horas sob o sol na areia ou mesmo na água gelada, tomando ondas na cabeça em plena zona de impacto, enquanto os surfistas pegam altas ondas. E acima de tudo, tem que gastar uma grana alta para ter um bom equipamento.
Isso é apenas uma parte da dificuldade do fotógrafo, pois ele tem que torcer para que esteja dando onda, que a luz esteja boa, e se for dentro d´água, que as correntes estejam ajudando. E muitas vezes, dependendo do lugar e da situação, corre sérios riscos do seu equipamento ser danificado por uma série mais forte se escapar de suas mãos.
E será que é fácil ficar por horas na areia, com o olho no visor sem poder piscar para não perder o momento exato, ou mesmo nadar por muito tempo tentando fazer aquela foto mágica de dentro d´água? Tem que ter muita disposição, atitude, coragem e gostar do que faz.
Conheci o Wagner meio que por acaso. Olhando um site de surf, vi os seus clicks de umas ondas da Macumba e gostei muito. Entrei em contato com ele via e-mail para marcarmos de fazermos uma matéria, e em uma dessas coincidências da vida, antes do encontro marcado, quando saía do mar para colocar uma lycra por cima do long John, sou abordado por um cara me falando que tinha clicado uma onda minha - quando perguntei seu nome, ele me disse que era Wagner e ali mesmo marcamos a matéria para o outro dia.
Wagner tem 25 anos, dez dedicados ao surf, o que é uma grande vantagem para fazer fotografia do esporte. Ele já morou no Chile e em Ilha Grande, onde começou a fotografar por acaso, quando o dono de uma pousada disse que precisava de um fotógrafo. Isso foi há cinco anos e Wagner se apaixonou pela profissão e nunca mais parou de clicar, desenvolvendo inclusive a sua marca Consol. Hoje, ele faz parte da nova geração da fotografia e sonha em viajar pelo mundo fazendo seus clicks, não só de surf, mas também de mergulho, paisagens e lógico, de belas modelos para ensaios.
No dia seguinte a nossa conversa, logo cedo passei em sua casa na Macumba, e ele apareceu com outro fotógrafo, seu parceiro Alexandre - o Alê - um cara gente finíssima e que também faz altas fotos.
Checaríamos os picos, Wagner faria as fotos de dentro d´água durante um tempo e enquanto isso, Alê faria as da areia.
Resolvi dar uma queda no posto Nove, pico que mais gosto de cair, mas infelizmente estava impossível, fechando tudo. Depois fizemos um check até Grumari e resolvemos cair ao lado do Secreto, pois no pico o crowd não estava fácil. Wagner foi para água, fez umas imagens aquáticas. O que é muito difícil, pois o fotógrafo de água tem que saber se posicionar embaixo do pico, para poder pegar o surfista no momento certo.
Depois saiu do mar, fez uns clicks da areia e no final, ainda pegamos umas ondas juntos. Foi um dia muito proveitoso e que por conviver de perto com o fotógrafo, passei a admirar ainda mais a arte da fotografia.