Lição de vida
Fabricio Fernandes narra a incrível história de superação de Paulo Aagaard, o Pauê
Quantas pessoas você conhece que são bonitas, tem tudo na vida, mas não conseguem ser felizes?
Agora pare para pensar e imagine como seria sua vida se você perdesse as duas pernas. O que você faria? Provavelmente iria começar a correr, pedalar, nadar, praticar canoagem e também surfe. Loucura? Pelo menos foi assim que Pauê, o Paulo Aagaard, reagiu a maior prova que alguém poderia passar na vida.
Foi no dia 8 de junho do ano 2000. Estava em um restaurante com minha família comemorando meu 29° aniversário em Salvador. Há 2000 km dali, um jovem garoto de 18 anos, que estava indo para a natação, atravessou uma linha de trem desativada, na cidade de São Vicente. Infelizmente, alguém nesse dia, naquele momento, resolveu passar com um trem, sem nenhuma luz acesa. Pauê não só foi atropelado, mas arrastado por vários metros, tendo as duas pernas dilaceradas do joelho para baixo.
Ali, naquele exato momento, começava sua luta. Ele mostrava o quanto era guerreiro e sem se entregar, se agarrou em partes metálicas do trem para não ser sugado para baixo e consequentemente morto.
No hospital, sofreu duas paradas cardíacas, dores insuportáveis e meses de fisioterapia. Depois, precisou adaptar-se a prótese e em todo esse tempo, só perguntava aos pais, amigos e médicos se poderia voltar a surfar. E imaginem o que fez esse garoto após todo esse período? Caminhou na areia com suas pernas curtas, remou com sua prancha e surfou.
A partir daí, nadou como nunca e com o uso das próteses, pedalou e correu.
Hoje, Pauê faz diversos esportes de aventura, sempre está ministrando palestras de motivação pelo Brasil, ajudando instituições de caridade, estimulando pessoas amputadas a viverem, e muitas vezes, é convidado pelas grandes emissoras para participar de programas de Tv.
Escreveu um livro contando sua história, intitulado "Caminhando com as próprias pernas" e hoje, roda o Brasil nas pré-estreias de "Os passos de um vencedor", filme que conta sua vitoriosa trajetória de vida.
Pauê poderia ter escolhido morrer em vida, revoltado com o que aconteceu, mas preferiu sorrir, e com sua garra, nos dar o seu exemplo de que a vida é simples, bela e que deve ser vivida em toda a plenitude, com dignidade, valores humanos e principalmente fazendo o bem.
Pauê, você é meu herói!