Por um Tour melhor
Fabrício Fernandes volta a criticar formato do Circuito Mundial
Começo o meu texto de fim de ano com a citação de Túlio Brandão em um site especializado em surf: "A vitória de Slater, entretanto, não simboliza a superioridade do americano sobre Mick Fanning. O campeão da temporada foi mais regular em ondas desprezíveis, mas reais no circuito. O calendário do mundo real – e não do ideal – está posto para quem quiser enfrentá-lo, a despeito das vitórias mais belas e emblemáticas do ano terem saído dos pés e pranchas do americano.”
Sem criticar Túlio, pois ele apenas fala a realidade, então quer dizer que é nisso que vamos focar? Ser regular em ondas desprezíveis?
E não me venha com o papo de que surfista bom tem que saber surfar qualquer tipo de onda, porque se você entrevistar dez entre dez surfistas, todos vão dizer que não querem surfar ondas ruins, mexidas. Alguns até vão dizer que preferem ondas pequenas, mas a maioria vai citar que prefere ondas acima de 1 metro.
E o que dizer então dos melhores do mundo? Alguém vai dizer que prefere ver esses caras surfando em um mar de meio metro mexido a vê-los em Fiji com 8 a 10 pés?
Outro dia escrevi uma matéria na qual narrava o histórico da ASP e a necessidade urgente de mudanças. Se queremos realmente que o esporte cresça e se torne atrativo, é preciso mexer, dar uma sacudida nessa fórmula atual.
Ninguém vai dizer que a final do título mundial não foi emocionante, mas só foi porque aconteceu em Pipeline 12 pés!
E se fosse no mar de Portugal, com ondas mexidas que não passavam de meio metro, onde Slater perdeu na repescagem para Frederico Morais?
Repararam que neste ano Slater só perdeu quando o mar ficou ruim? Ok, em Keramas também perdeu com um mar perfeito, mas essa foi a exceção!
É unanimidade, todos querem ver os melhores do mundo nas melhores ondas, e o Dream Tour de hoje está longe de ser o real circuitos dos sonhos.
Escolher os locais a dedo, colocar as etapas em épocas nas quais as ondulações são mais constantes, com um bom período de espera e a monitoração do swell, não é certeza de que o show vai ser garantido, mas potencializam e muito as possibilidades.
É claro que por trás de tudo isso existe o bom e velho capitalismo e as marcas que patrocinam o esporte estão longe de ser entidades filantrópicas e querem retorno financeiro, muito retorno financeiro. Por isso, muitas alegam que a praia tem que estar cheia para o eventom e sendo assim este teria que ser em grandes cidades e no verão, mesmo conceito que vem sendo usado desde os anos 80.
Mas, ficam algumas perguntas. Qual foi a audiência da transmissão via web do Pipeline Masters no sábado, 14 de dezembro? Qual o retorno de mídia da Billabong com um evento em ondas tubulares de 12 pés?
Por quanto tempo esse evento será comentado?
Campeonato de circuito mundial de surf não tem que só ter onda boa; tem que ter onda perfeita, pista de manobras e tubos, muitos tubos! Indonésia, México, Peru, Austrália, África do Sul e Hawaii têm onda para todos os gostos!
O circuito tem que ser realmente unificado, não só o Grand Slam contar para o título. As etapas de ondas perfeitas necessitam de uma pontuação maior, as vitórias, como foi feito no futebol, podem ser mais valorizadas. E, para tornar a coisa mais dinâmica, o dual heat mais utilizado.