Sempre em primeiro

Fabricio Fernandes conta a história do amigo e surfista baiano Inaldo Segundo


O campeonato era Baiano de Surf Master e o ano era 2010, na praia do Surf, em Vilas do Atlântico. As condições estavam muito difíceis, com 2,5 metros, ventando e muita correnteza.

O goofy footer desceu uma direita de costas para onda,  aplicou um carve muito bonito e seguiu fazendo a linha aplicando duas patadas de backside no crítico da onda, tirando a prancha quase toda da superfície desta e voltando mostrando as quilhas.  A nota foi 8,5 pontos e foi a maior do campeonato.

A bateria era uma das quartas de final e eu assistia da areia. Um garoto olhou para mim e perguntou: quem é esse cara? Eu respondi sorrindo - É meu amigo Inaldo Segundo e eu sou o técnico dele!

Talvez muita gente não conheça Inaldo, mas ele é um cara que já fez história no surf e que até hoje respira o esporte.

Já venceu baterias contra Emerson Marinho, Joca Júnior e Rodrigo Trajano, grandes nomes do surf brasileiro nos anos 80 e início dos 90. O  primeiro campeonato que competiu foi como convidado do colégio Lassale, fazendo a final contra Marlos Viana, sagrando-se vencedor.

Em um baiano amador no final dos anos 80, a bateria final era entre ele, Cristiano Spirro, Armando Daltro e Márcio Thola. Inaldo era o azarão, a surpresa do campeonato. Seus três adversários eram os maiores nomes do surf baiano e dois deles chegariam ao WCT. Não tomou conhecimento de ninguém e com rasgadas e batidas fortes foi o campeão da etapa, levando mais um troféu para casa.

Inaldo sempre foi um fissurado por surf, já tendo morado na Gold Coast australiana, surfando  as ondas de Kirra, Snappers e Superbanks. Também viajou para surfar as direitas de Bells Beach e vários picos remotos da Indonésia.

Há três anos atrás, em um mar casca grossa em Jacuípe, com ondas de quase três metros, durante um campeonato entre amigos, ao voltar de uma manobra sentiu uma dor insuportável nas costas saindo do mar carregado. O diagnóstico foi uma hérnia de disco, o que o deixou de molho por mais de um ano, quando decidiu operar e, como brinco com ele, colocar uma “coluna de titânio”.

Após isso foram meses de fisioterapia e recuperação, que acompanhei de perto, até ajudando em algumas caminhadas. O primeiro surfe depois de mais de dois anos parado foi em Busca Vida, em um mar liso de meio a um metro, onde juntamos os amigos para festejar esse retorno.

Na sua primeira onda depois desse tempo todo parado, dropou de backside já mandando suas conhecidas patadas e aproveitando a onda até o final.

Realmente Segundo estava de volta e renovado na vontade de pegar ondas, já fez mais duas viagens internacionais. Uma para Trestles ano passado para assistir a etapa o WCT e surfar altas ondas, e outra para o Peru, onde surfou uma esquerda em Chicama que foi cronometrada em dois minutos e meio de tempo na onda. Coisas de Inaldo Segundo? Não, de primeiro!

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