Hora de acordar

Fabricio Fernandes chama a atenção dos internautas para a passividade em Itacaré (BA)


Conheci Itacaré em 1989. Estava passando férias em Ilhéus, cidade onde nasci. Já tinha ouvido falar de um paraíso que dava altas ondas, com praias virgens, Mata Atlântica exuberante, cachoeiras e rios próximos das praias e quase ninguém para disputar as ondas.

Eu tinha 18 anos e resolvi me jogar nessa aventura. Não tinha internet para saber sobre o local e nenhum dos meus amigos havia ido lá. A única coisa que sabia era do acesso muito difícil.

Parti cedinho para a rodoviária com destino para Ubaitaba, e de lá, assim que cheguei, peguei o ônibus para Itacaré. Era uma multidão inacreditável, com galinha, frutas e tudo que se possa imaginar. Joguei minha prancha pela janela e entrei na marra, conseguindo um lugar para sentar.

A viagem foi a pior que eu poderia imaginar. Cinquenta e seis quilômetros em seis horas. Barro, poeira, buracos o tempo todo, solavancos, porradas de cinco em cinco minutos, galinha voando nos corredores e gente gritando para tudo que é lado.

Nessa viagem, puxei conversa com um casal que morava lá e perguntei como era a cidade. Joel, com sua esposa Hebe, que estava grávida, foi extremamente receptivo e acabei ficando em sua casa.

Passei dez dias no paraíso com altas ondas e Mata Atlântica por todos os lados. Acredite se quiser: surfei na Tiririca sozinho em alguns dias. Conheci praias como Rezende, Costa, Ribeira e Concha.

Andei até a Prainha, peguei carona para a Engenhoca, Havaizinho, e depois fui até Itacarezinho com o maior visual, já que não tinha nenhuma estrutura nessa época.

Jeribucaçu foi uma aventura à parte. Trilha com cachoeira, mangues e o lugar simplesmente um paraíso, com o encontro do rio com o mar. Para fechar com chave de ouro, 2 metros de ondas. Direitas que saiam do canto da pedra, muito show.

Para mim era o paraíso na terra. Lembro que tinha dinheiro no bolso para comprar um terreno por lá, mas tive medo porque o acesso era mesmo muito difícil.

Hoje continuo amando Itacaré, mas também continuo com medo de comprar qualquer coisa por lá (hoje é bem mais caro) por conta das drogas e da violência absurda.

O que mais me choca é que ninguém faz nada. Notícias saem a rodo, o tempo todo. São estupros, assaltos e até pessoas encontradas mortas. Lembram da notícia de que alguém foi encontrado morto em uma pousada alguns anos atrás? Acho que foi enforcado ou asfixiado...

O tráfico de drogas também é liberado e a imagem que fica é de uma terra sem lei, na qual os bandidos são quem comandam. Bem verdade, é um mini-retrato do país.

O que me irrita profundamente é a passividade da população, que aceita tudo sem se manifestar.

Foi como disse no Face meu amigo Rodrigo Menezes, de Ilhéus, que já morou em Itacaré. Na rua dele, teve atitude para expulsar todos os bandidos. Infelizmente essa corja tem que ser expulsa na marra, como fez Rodrigo.

Lugar de vagabundo é na cadeia. Itacaré não merece isso que está acontecendo. Escrevo com total indignação e deixo a pergunta: vamos continuar sem fazer nada?

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Pânico em Itacaré

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