Olho em John John

Fabrício Fernandes analisa etapa brasileira do World Tour, vencida por John John Florence


Dia 20 de abril de 2012. Recebo a notícia que havia passado em um concurso e que teria de me transferir para o Rio de Janeiro em duas semanas, chegando exatamente uma semana antes do Billabong Rio Pro e morando na Barra da Tijuca. A sorte realmente estava ao meu lado.

Dias antes do campeonato, fui correr na praia da Barra e, ao passar pelo condomínio Barramares, voltei quinze anos no tempo e me lembrei do último WCT que assisti no Rio.

"Barradoor", com o tubaço de Slater seguido de um floater absurdo (alguém tem o link ou filmagem dessa onda?). Realmente esse campeonato ficou para a história. Altas ondas, Curren, Teco e Fabinho como convidados e final entre Kelly e Occy, no primeiro ano do retorno de Occy.

Mas o momento agora é outro... No dia 8, fui buscar a minha credencial e no elevador me bati com Parko e Fanning, que, diga-se de passagem, subiam o elevador com frutas e água na mão - para aqueles que falam que no circuito só tem doidão...

Ainda assisti a um rápido free surf e vi um tubaço de Raoni. Assistindo às finais femininas, fiquei impressionado com o nível das garotas, com batidas de backside muito potentes e rasgadas invertendo tudo. A virada de Sally foi estilo Slater.

Falando nele, foi o grande desfalque. Frustrando a expectativa de muita gente, inclusive a minha. Quem não quer ver o mago fazer coisas impossíveis e viradas milagrosas no último segundo? O corte no pé do rei nos frustrou!

Mas, confesso que frustração maior foi ver Medina, depois da super atuação em Trestles, perder por causa da falta de organização da ASP. Absurdo!

Pelo menos a derrota foi para o garoto prodígio Peterson Crisanto, com um canudo muito bonito.
Jadson mostrou-se um herói com tantas contusões, ainda conseguindo surfar e dar uma dura em Brett “Bart” Simpson.

Mineiro, Alejo e Pupo vararam a primeira fase, enquanto Crisanto e Heitor Alves passaram pela repescagem.
Alejo fez uma bateria impressionante no round 4 contra Fanning e Parko, indo direto paras as quartas, e Mineiro fez um tubaço nota 10 unânime, mas nenhum dos dois passou das quartas.

Um cara que não passou baterias, mas que empolgou muito, com drops insanos na laje do Postinho, foi Matt Wilkinson.

O garoto John John, com apenas 19 anos, vem se mostrando um surfista versátil e mais que completo em qualquer condição. Destruiu as baterias com notas altíssimas e manobras inovadoras. Abram o olho. Potencial campeão do mundo!

Esse é o show do WT. Manobras e tubos impossíveis para simples mortais. Onde enxergamos cracas, os tops acham tubos. Onde visualizamos buraqueiras, eles imaginam rampas de decolagens. Assim é o Olimpo do surf.

A cidade maravilhosa proporcionou boas ondas, tubos e festas alucinantes. O show continua em Fiji. Kelly, John John, Mineirinho e Kerr são alguns dos nomes que eu apostaria. E você, aposta em quem?

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