Pioneiro de Ilhéus
Luciano Piupa Amaral descreve Washington Soledade, lenda do surf Ilheense
Por: Luciano Amaral
Aos 62 anos de idade, Washington Soledade é uma espécie de testemunha do período de transição incrível que vem chacoalhando o cenário do surf ilheense no momento.
Artista plástico e pioneiro do surf ilheense, nasceu em 9 de maio de 1949 em Itapé. Aos 7 anos, devido ao problema de saúde do pai, Antônio Soledade Filho, foi morar com a família em Itabuna e dois anos depois em Ilhéus, onde começou seu contato com a praia, as ondas e o surf.
Com sua primeira prancha 7’8 de madeirite, presenteada por uma amiga, começou a mostrar seu surf clássico no estilo australiano, inspirado no tetracampeão mundial Mark Richard.
Aprendeu a surfar nas praias elitizadas de Ilhéus, antiga praia do Fontes, praia de Santa Clara e praia do Souza, hoje mais conhecidas como praia da Avenida Soares Lopes.
Naquela época, por causa do surf, todos queriam estar ao lado dele e por ciúmes acabou sendo odiado por uns e querido por outros.
Deslizar nas ondas da terra da Gabriela nos tempos dos coronéis do cacau não foi nada fácil para Washington, que aos 12 anos contava com a ajuda da irmã, Vilma Soledade (in memorian), para carregar a prancha até a praia.
Com o seu estilo despojado, imitando o ídolo surfista californiano Mike Purpus, usava cabelos compridos e ia de pijama para as festas. Foi perseguido por onde passava e vaiado na igreja e no cinema por ser cabeludo.
Sem contar a fama que levava de marginal e maconheiro. Se não fosse sobrinho de Herval Soledade, ex-prefeito de Ilhéus, teria sido "crucificado".
Ser surfista naquela época não era nenhuma tarefa fácil, tudo era motivo de discriminação.
“Perseverei, pois com o surf não existe isso. O surf faz com que a gente reative a vida, reative a alma. Então, sem palavras!”, conta Soledade.
“Quero homenagear todos os meus amigos que começaram comigo. Várias pessoas que também levaram o surf a sério. A família Argolo levou o surf para o Brasil e para o mundo. Para todos conhecerem Zé Marcos, campeão baiano. Mesmo que eu parta daqui, o surf vai continuar porque outras pessoas vão estar em meu lugar e farão o meu trabalho”, discursou Washington ao receber o troféu de Honra ao Mérito em 2010, no Oscar do Surf promovido pela Bivolt e Backdoor no Hotel Jardim Atlântico.
É verdade, o surf nos transforma. Nos deixa leve e em paz...
Mas o pior caldo de Washington Soledade não foi apenas o preconceito ou a discriminação, e sim a perda da irmã, do sobrinho e dos pais.
A marolinha que veio pela frente se transformou em um tsunami e levou quatro dos seus entes queridos.
No carnaval de 1978, um trágico acidente tirou a vida da sua irmã, grávida de oito meses. Dias depois, perdeu os pais, que não suportaram a dor da perda da filha tão querida.
Da família Soledade restou apenas o irmão mais velho, Wilson Soledade Filho.
O mar voltou a ficar bravo e o tempo voltou a fechar para Washington. Assim como o pai, ele também tentou se suicidar. No momento exato, recebeu uma visita inesperada de um desconhecido que mudou para sempre a sua vida.
“Foi um mensageiro de Deus. Tive um encontro com o Senhor”, conta Soledade, com os olhos cheios de lágrimas.
Com o novo renascimento, Washington estacionou a prancha e passou a apreciar a natureza malhando, andando de bicicleta e dando umas corridinhas nos finais de tarde.
Soledade está escrevendo sua autobiografia, prevista para chegar às livrarias em janeiro de 2012.
Com um pedaço de melancia numa mão e a faca na outra, ele diz: "Olha, Piupa, a natureza corrige duro. Quem vai com arrogância toma logo um caldo".
Artista plástico e pioneiro do surf ilheense, nasceu em 9 de maio de 1949 em Itapé. Aos 7 anos, devido ao problema de saúde do pai, Antônio Soledade Filho, foi morar com a família em Itabuna e dois anos depois em Ilhéus, onde começou seu contato com a praia, as ondas e o surf.
Com sua primeira prancha 7’8 de madeirite, presenteada por uma amiga, começou a mostrar seu surf clássico no estilo australiano, inspirado no tetracampeão mundial Mark Richard.
Aprendeu a surfar nas praias elitizadas de Ilhéus, antiga praia do Fontes, praia de Santa Clara e praia do Souza, hoje mais conhecidas como praia da Avenida Soares Lopes.
Naquela época, por causa do surf, todos queriam estar ao lado dele e por ciúmes acabou sendo odiado por uns e querido por outros.
Deslizar nas ondas da terra da Gabriela nos tempos dos coronéis do cacau não foi nada fácil para Washington, que aos 12 anos contava com a ajuda da irmã, Vilma Soledade (in memorian), para carregar a prancha até a praia.
Com o seu estilo despojado, imitando o ídolo surfista californiano Mike Purpus, usava cabelos compridos e ia de pijama para as festas. Foi perseguido por onde passava e vaiado na igreja e no cinema por ser cabeludo.
Sem contar a fama que levava de marginal e maconheiro. Se não fosse sobrinho de Herval Soledade, ex-prefeito de Ilhéus, teria sido "crucificado".
Ser surfista naquela época não era nenhuma tarefa fácil, tudo era motivo de discriminação.
“Perseverei, pois com o surf não existe isso. O surf faz com que a gente reative a vida, reative a alma. Então, sem palavras!”, conta Soledade.
“Quero homenagear todos os meus amigos que começaram comigo. Várias pessoas que também levaram o surf a sério. A família Argolo levou o surf para o Brasil e para o mundo. Para todos conhecerem Zé Marcos, campeão baiano. Mesmo que eu parta daqui, o surf vai continuar porque outras pessoas vão estar em meu lugar e farão o meu trabalho”, discursou Washington ao receber o troféu de Honra ao Mérito em 2010, no Oscar do Surf promovido pela Bivolt e Backdoor no Hotel Jardim Atlântico.
É verdade, o surf nos transforma. Nos deixa leve e em paz...
Mas o pior caldo de Washington Soledade não foi apenas o preconceito ou a discriminação, e sim a perda da irmã, do sobrinho e dos pais.
A marolinha que veio pela frente se transformou em um tsunami e levou quatro dos seus entes queridos.
No carnaval de 1978, um trágico acidente tirou a vida da sua irmã, grávida de oito meses. Dias depois, perdeu os pais, que não suportaram a dor da perda da filha tão querida.
Da família Soledade restou apenas o irmão mais velho, Wilson Soledade Filho.
O mar voltou a ficar bravo e o tempo voltou a fechar para Washington. Assim como o pai, ele também tentou se suicidar. No momento exato, recebeu uma visita inesperada de um desconhecido que mudou para sempre a sua vida.
“Foi um mensageiro de Deus. Tive um encontro com o Senhor”, conta Soledade, com os olhos cheios de lágrimas.
Com o novo renascimento, Washington estacionou a prancha e passou a apreciar a natureza malhando, andando de bicicleta e dando umas corridinhas nos finais de tarde.
Soledade está escrevendo sua autobiografia, prevista para chegar às livrarias em janeiro de 2012.
Com um pedaço de melancia numa mão e a faca na outra, ele diz: "Olha, Piupa, a natureza corrige duro. Quem vai com arrogância toma logo um caldo".
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