Escassez de talentos

Alexandre Piza questiona renovação do surf baiano e escassez de atletas no Eco Festival


A realização do principal campeonato de surf da nova geração do Brasil, o Billabong Eco Festival, é de nossa responsabilidade. Que bacana, né?

E quando sediamos um evento esportivo de grande porte, além de bons organizadores, o que mais você gostaria de ter?

Ondas boas? Também. Moças bonitas na areia? Sim, claro! Sol, água quente, alto astral? Especialidade baiana! Shows, entretenimento na areia, brindes? Opa, por que não? O que mais?

Gostaria de uma seleção de baianos inscritos no campeonato, que realmente te dessem esperança de fazer frente aos outros atletas? Poxa, me desculpe, mas isso ficaremos devendo!

Tenho uma série de questões. Onde está a nova geração baiana? O que está faltando? Patrocínio? Seriedade por parte dos atletas e dos dirigentes?

Será possível organizarmos um evento desse porte e só termos Marco Fernandez dando uma dura na galera?

E não contarmos com nenhuma representante feminina? Não é de dar mais vergonha?

Nenhuma crítica aos inscritos. Lamarão, Ian e Erick Moraes surfam muito e tiveram azar de serem eliminados nas primeiras fases, mas mesmo assim é nítido que ainda estamos longe dos tops dessa geração.

Se quisermos mudar isso a curtíssimo prazo, teremos que correr atrás “pra ontem”!

Treinamento forte, foco, muito foco nas competições! Vejo essa molecada surfando muito e sem acompanhamento algum, um ou outro tem um pai “palpiteiro” interessado que acha que é um bom treinador e na verdade tem pouco ou nenhum embasamento para realmente fazer a diferença.

O surf moderno já está muito longe do coronelismo e da camaradagem de outrora, onde meia dúzia ditava o ritmo da panelinha e só entrava quem era apadrinhado.

Hoje, quem quer um lugar ao sol precisa ralar muito, precisa ser o melhor entre muitos, pois quando o intercâmbio interestadual acontece, sentimos que estamos bem defasados. Não quero nem imaginar no intercâmbio internacional.

Dificuldades financeiras, desorganização de associações? Podem ter certeza de que isso também acontece nos outros estados, mas, mesmo assim, a força do conjunto daqueles que trabalham em prol do surf faz a diferença quando vemos os resultados dos outros atletas.

Sabe o que eu acho? Que não estamos afim, que queremos ser free surfers e só organizarmos eventos para os outros levarem os prêmios e se divertirem na boa terra.
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