História de surfista

Ilheense Luciano Piupa Amaral relata história fascinante sobre o real espírito surf


Agora pouco eu estava na Venus, fábrica e conserto de pranchas, conversando com Coca, Joca, Zoião, Victor Gós, Igor, Manchinha, Manga e Gary.

Era uma linda noite de sexta, o céu estava tão perfeito que parecia um pano preto estampado de diamantes.

No ar, somente uma leve brisa percorria em nossa volta, enquanto o nosso papo fluía. Estávamos todos morgados. Fazia poucas horas que saímos do mar. Havíamos surfado o dia todo.

Acordamos bem cedo, o sol surgia no horizonte. Pegamos a prancha e fomos passando na casa de cada um como havíamos combinado. Caminhamos pela praia do Sul.

Passamos pela ponta, AABB, Renascer e finalmente chegamos à Pedra da Cachorra, um point alucinante que fica no Jardim Atlântico. A maré estava cheia e as ondas cada uma melhores que as outras. Entramos no mar e apresentamos um cardápio de manobras variadas até o inside. Cada um com seu estilo próprio e engraçado.

Surfamos até uma hora da tarde. Depois pegamos o caminho de volta pra casa e com uma larica daquelas...

Às 4h voltamos à praia. Dessa vez, o pico foi Praia do Miache. Sentido contrário ao pico da Pedra da Cachorra. A maré estava seca, e o mar deu uma baixada. Enquanto aguardávamos a série, conversávamos uns com os outros.

Lá de dentro dava para ver as pessoas caminhando pela orla de um lado para outro. E assim as horas iam passando, a noite ia caindo e nos preparávamos para sair do mar.

Não há nada melhor que um dia de surf. Não há preço que pague. Para alguns, o surf é apenas um esporte. Pra mim, o surf é uma terapia. Um ponto de encontro com Deus, com a natureza e com a rapaziada.

Esse agora pouco que eu comecei a escrever no início do texto, onde eu dizia estar na fábrica de Coca, na verdade já faz uns vinte e cinco anos, foi na década de 80, mas parece que foi hoje, lembro perfeitamente de cada detalhe...

Chega um certo tempo em que nós, free surfers, passamos a estar menos no mar. Dedicamos-nos aos estudos, trabalho, família, etc. Hoje eu sinto saudades das minhas pranchas, das trips, da galera, do corsa branco de zoião.
 
Faz um ano que não pego onda. Não é por falta de prancha, mas por falta de tempo. Você, que está sempre no mar, aproveite cada segundo, pois quando o tempo passar vão restar apenas as lembranças...

Boas ondas, um forte abraço e até a próxima história de surfista.

Luciano Piupa Amaral.
Escritor e Pensador.
Jornalismo12@hotmail.com
(0xx73) 8843-9613
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