O despertar do swell

Fabrício Fernandes comenta swell que invadiu litoral no último dia 28/2


Para compensar os quatro meses que tivemos de ventos fortes aqui em Salvador, no ano passado, o mês de janeiro, que normalmente é flat, veio com boas ondas.

Porém, logo depois, o mês de fevereiro trouxe um flat agoniante, e só no seu finalzinho resolveu trazer umas ondas. Mas o melhor estava para vir no último dia do mês.

Já havia olhado a previsão e mostrava uma subida razoável, mas não criei muita expectativa porque muitas vezes, na hora H, o swell passa por fora, o vento entra, etc...

Acordei às cinco da manhã no dia 28/2, fui conferir o mar, e o swell não tinha entrado. Voltei para casa meio decepcionado porque sempre fica aquela esperança lá no fundo.

Mesmo assim, às 10 horas, resolvi conferir de novo e, para minha alegria, o  swell estava começando a lamber as bancadas de coral de Stella Maris a Ipitanga.

Contactei meu amigo André e fomos para Aleluia. Eu, de 6'8, e ele, de 6'6. Para minha surpresa, não tinha ninguém no pico. De fora parecia ter 1,5 metros, mas logo ao entrar e tomar algumas na cabeça, já percebi que na série tinha pelo menos meio metro a mais.

Fizemos a cabeça, só nós dois no pico. Realmente não acreditava naquilo, era bom demais para ser verdade!

Altas direitas, sem exagero algumas chegando a 2,5 metros e só nós dois!

André, que antes não se sentia seguro em mares maiores, mostrou atitude e colocou para baixo nas da série. Pegamos muita onda boa e com tamanho!

Como em todo mar grande, tem sempre algum perrengue. Tomei uma série animal de umas quatro ondas na cabeça, reabri uma ferida pesada no joelho de uma queda de bike um mês atrás e uma quilha partiu em um bottom turn. Surfei uma hora sem uma quilha lateral.

No final de tarde, ainda dei uma outra queda, mas já morto de cansaço e quase escurecendo peguei apenas três ondas, mas com certeza valeram muito apena.

O mais hilário de tudo foi ver a cara de pânico do meu amigo S.L , que até tubarão inventou para sair do mar correndo, pegando apenas uma intermediária.

Hoje, primeiro de março, o mar tinha 2,5 metros sólidos. Às 7 da manhã, fomos eu e André de novo para o Aleluia. Liguei para S.L e ele estava com infecção intestinal. Bem no dia em que o mar cresce? Não sei, não!

Encontramos Gil, da Associação de Ipitanga, e de novo, para nossa surpresa, só tinha um cara na água.

Tenho a nítida impressão de que tava todo mundo no litoral norte, porque hoje, para orgulho dos baianos, o que não falta é gente com atitude para botar para baixo. É só lembrar de Abubakir e a galera do Farol de Itapuã!

Com a maré seca e eu estourado do surf do dia anterior, demorei muito para varar aquela arrebentação animal, e antes mesmo de pegar a primeira onda, quando sentava para descansar no que eu achava ser o outside, aparece aquela série de 8 pés bem lá no fundo.

O saldo foi mais um leash partido e a prancha lá na beira. Foram 15 minutos de nadada, mais 10 tentando dar um nó na cordinha e quase meia hora para voltar para dentro.

E nisso vi André pegar quatro bombas para a direita muito extensas. Depois de muita remada lutando contra a corrente e a arrebentação, junto com Gil, que passou o mesmo perrengue para varar. Consegui pegar umas cinco ondas junto com Gil e André, e saí amarradão da água.

Pena que não tinha um fotografo para registrar, mas a melhor fotografia fica na memória, nos momentos desfrutados com os amigos.

Ouvindo o som do Carbono 14 e olhando o mar no final de tarde em toda a orla de Salvador, da Barra a Ipitanga, fiquei imaginando como seria se sempre tivéssemos ondas desse tamanho.

Com certeza caras como Maurição, Jairo, Rodrigo e Cacau ficariam amaradões.

Eu só gostaria que tivesse ao menos um canalzinho, porque tomar essas bombas na cabeça não é mole, não...rssss

A previsão continua muito boa para amanhã. Que venham as ondas para alimentar nossos sonhos!
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