E agora?
Fabrício Fernandes critica demolição das barracas de praia em Salvador
Por: Fabrício Fernandes
Hoje, pela manhã, quando saí para pedalar, o susto foi grande. Eram pneus, pedaços de madeira e entulhos queimando por toda a orla de Stella Maris e Ipitanga. Fiquei sabendo que o mesmo estava acontecendo em Patamares e alguns outros locais da orla de Salvador.
Nunca vi tantos policiais e fiscais reunidos. Era Polícia Federal, de Choque, PM e fiscais da prefeitura. Carros, motos, helicópteros e, é claro, repórteres, faziam o cenário tão belo da orla de Stella Maris parecer local de uma guerrilha.
Realmente quem esteve em um desses locais pôde ver cenas muito tristes. Sempre fui ecologista e muito chato quando se refere a questões ambientais. Eu me preocupo muito, apesar da pequena parte que faço pela sociedade.
Acho que há muito a cidade de Salvador precisa rever seu plano diretor e os impactos ambientais que estamos causando constantemente, mas nunca serei a favor dessa forma brutal de agir destruindo as barracas de praia.
Como disse, sou ambientalista, hasteio essa bandeira com unhas e dentes, e sei o quanto as barracas poluem de todas as formas, desde o impacto visual, sonoro e o despejo do lixo in natura nos oceanos, trazendo forte desequilíbrio ecológico. Mas famílias inteiras não só viviam, como utilizavam esses locais como moradias.
Vi muitas pessoas realmente desesperadas. Mulheres com crianças no colo chorando e perguntando o que seria da vida deles a partir de hoje. Quem tem essa resposta?
A lei é clara, diz que não pode haver construções a 33 metros do mar tendo como ponto inicial a média da maré alta e baixa. Mas, se a lei é clara, então por que foi liberado ou feito vista grossa para as construções à beira mar?
E se a lei deve ser cumprida, então por que os políticos corruptos, maior causa da sangria do nosso país, estão impunes? Por que então a Paralela, que é o pedaço de Mata Atlântica que ainda resta na cidade de Salvador, está sendo devastada violentamente pela especulação imobiliária?
Por que um estádio de futebol que causa enorme impacto às espécies endêmicas deste entorno é mantido na área?
E os condomínios e mansões à beira mar, que, além do impacto visual, despejam esgotos in natura nas lagoas e oceanos, aumentando a quantidade de coliformes fecais e comprometendo os lençóis freáticos e as praias?
Analisando o setor econômico, com a saída das barracas, a queda vai ser grande. Se por um lado diminui-se a quantidade de vendas de drogas lícitas (leia-se álcool), por outro diminui-se em muito a venda de alimentos e bebidas.
Ou seja, menos pescadores vendendo seu produto, menos distribuidores ofertando alimentos e bebidas e o efeito dominó é enorme, impactando em todo o mercado.
Saindo do macro para o micro, muitos surfistas não terão onde tomar banho, guardar seus pertences (aqueles que vão de ônibus) ou mesmo deixar seus carros porque os locais vão estar desertos.
Além de muitas pessoas utilizarem esses locais para seu lazer, mesmo esse lazer muitas vezes causando as já citadas poluições sonoras, visuais e gerando enorme quantidade de lixo, não se pode mudar a cultura de um povo da noite para o dia.
É claro que as barracas precisam sair, a orla vai ficar mais bonita, mais limpa, mas não se pode fazer isso sem criar condições para que essas pessoas tenham alguma alternativa de subsistência e moradia.
Muito precisa ser feito em todos os setores da sociedade, mas para criarmos melhorias precisa-se de planejamento, seriedade, educação e, principalmente, união, para que todos entendam que só assim progrediremos.
Nunca vi tantos policiais e fiscais reunidos. Era Polícia Federal, de Choque, PM e fiscais da prefeitura. Carros, motos, helicópteros e, é claro, repórteres, faziam o cenário tão belo da orla de Stella Maris parecer local de uma guerrilha.
Realmente quem esteve em um desses locais pôde ver cenas muito tristes. Sempre fui ecologista e muito chato quando se refere a questões ambientais. Eu me preocupo muito, apesar da pequena parte que faço pela sociedade.
Acho que há muito a cidade de Salvador precisa rever seu plano diretor e os impactos ambientais que estamos causando constantemente, mas nunca serei a favor dessa forma brutal de agir destruindo as barracas de praia.
Como disse, sou ambientalista, hasteio essa bandeira com unhas e dentes, e sei o quanto as barracas poluem de todas as formas, desde o impacto visual, sonoro e o despejo do lixo in natura nos oceanos, trazendo forte desequilíbrio ecológico. Mas famílias inteiras não só viviam, como utilizavam esses locais como moradias.
Vi muitas pessoas realmente desesperadas. Mulheres com crianças no colo chorando e perguntando o que seria da vida deles a partir de hoje. Quem tem essa resposta?
A lei é clara, diz que não pode haver construções a 33 metros do mar tendo como ponto inicial a média da maré alta e baixa. Mas, se a lei é clara, então por que foi liberado ou feito vista grossa para as construções à beira mar?
E se a lei deve ser cumprida, então por que os políticos corruptos, maior causa da sangria do nosso país, estão impunes? Por que então a Paralela, que é o pedaço de Mata Atlântica que ainda resta na cidade de Salvador, está sendo devastada violentamente pela especulação imobiliária?
Por que um estádio de futebol que causa enorme impacto às espécies endêmicas deste entorno é mantido na área?
E os condomínios e mansões à beira mar, que, além do impacto visual, despejam esgotos in natura nas lagoas e oceanos, aumentando a quantidade de coliformes fecais e comprometendo os lençóis freáticos e as praias?
Analisando o setor econômico, com a saída das barracas, a queda vai ser grande. Se por um lado diminui-se a quantidade de vendas de drogas lícitas (leia-se álcool), por outro diminui-se em muito a venda de alimentos e bebidas.
Ou seja, menos pescadores vendendo seu produto, menos distribuidores ofertando alimentos e bebidas e o efeito dominó é enorme, impactando em todo o mercado.
Saindo do macro para o micro, muitos surfistas não terão onde tomar banho, guardar seus pertences (aqueles que vão de ônibus) ou mesmo deixar seus carros porque os locais vão estar desertos.
Além de muitas pessoas utilizarem esses locais para seu lazer, mesmo esse lazer muitas vezes causando as já citadas poluições sonoras, visuais e gerando enorme quantidade de lixo, não se pode mudar a cultura de um povo da noite para o dia.
É claro que as barracas precisam sair, a orla vai ficar mais bonita, mais limpa, mas não se pode fazer isso sem criar condições para que essas pessoas tenham alguma alternativa de subsistência e moradia.
Muito precisa ser feito em todos os setores da sociedade, mas para criarmos melhorias precisa-se de planejamento, seriedade, educação e, principalmente, união, para que todos entendam que só assim progrediremos.
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