Raio-X do Tour

Fabrício Fernandes analisa tops do World Tour e dá palpites para ranking final


Com tantas mudanças no Tour deste ano, o jogo tem ficado bastante emocionante e com certeza novos nomes como Jadson, Jordy e Dane já chamam a atenção e incomodam a posição da velha guarda.

Com o break de dois meses depois do Prime em Trestles (EUA), só voltando o World Tour em 15 de julho, a maioria dos tops fica em stand by, aguardando o show começar de novo.

Mas, quem são os novos nomes no Tour, quem realmente tem chance de concorrer ao título?

Depois do corte do World Tour em Trestles, quem irá se manter entre os top 32? Quem cai e quem sobe? Vamos às análises por ordem do ranking:

Kelly Slater: O careca, liderando aos 38 anos, mostra que sempre será o cara a ser batido. O melhor de todos os tempos em qualquer condição se adaptou facilmente às novas regras e só está esperando o mar subir e as ondas de Pipe e Teahupoo darem o ar da graça para mostrar seu show particular.

Jordy Smith:  Finalmente parou de apenas falar e resolveu mostrar surf. Linha polida, manobras fortes e inovadoras. Junto com Reynolds, lidera o ataque contra a velha guarda. Apesar da idade, já é um mestre em Jeffreys. Se tiver atuações sólidas em Teahupoo e Pipeline, deve disputar o título.

Taj Burrow: O eterno vice, eterna promessa aussie, terminou e começou o ano arrasador, surfa bem em qualquer condição e não se intimida com nenhuma manobra da nova geração. Sua vitória em Pipe o credencia como um ícone do surf mundial. Se conseguir manter o foco, disputa o título.
 
Mick Fanning: The Fire conquistou dois títulos mundiais de forma fenomenal. No último, tirou o doce da boca do seu amigo Parko. É o surfista mais veloz de todos os tempos. Tem se mostrado muito focado depois que largou as festas e o álcool. Sempre será candidato.

Jadson André: uma grata surpresa brasileira, o menino prodígio de Natal, de apenas 19 anos, conseguiu o feito de ganhar de Kelly em uma final do WT e pelo menos momentaneamente figurar entre os top 5 empatado com The Fire em quarto. Tem o aéreo 360 de front side mais potente do Tour e uma excelente batida de backside. Ainda é muito cedo para falar em título, deve cair algumas posições no ranking, mas se mantém fácil entre os tops por um longo tempo. Precisa polir a linha e mostrar serviço nos tubos casca-grossas. Tem como vantagem ser frontside para as ondas mais fortes do circuito.

Bobby Martinez: O chicano é um cara gente boa, já ganhou em Teahupoo, Mundaka e tem uma batida de back mortal. Mas não o vejo disputando título mundial. Em poucos anos deve deixar de figurar entre os primeiros colocados.

Dane Reynolds: Surf explosivo, progressivo, inovador e bonito, mas não tem sangue de competidor. Fica nas cabeças, mas não disputa o título.

Joel Parkinson: O estilo mais polido do Tour. Depois do ano passado, quandoe teve o título em suas mãos, vai ser difícil recobrar o ânimo para entrar de cabeça na corrida novamente. Surf tem de sobra.

Adriano de Souza: O nosso garoto de ouro. Faz qualquer tipo de manobra, encara qualquer um em qualquer condição e sempre está nas cabeças, mas ainda não acho que este seja o seu ano. Espero sinceramente que eu pague a língua ao final do circuito porque torço muito por ele.

Bede Durbidge: O gigante gente boa não precisa provar nada mais para ninguém, sempre entre os top 5, já ganhou de Kelly em uma final na casa dele, também levou o título em Pipeline (estava pequeno e mexido, mas era Pipe!). A partir desse ano começa a cair no ranking.

Owen Wright: O garoto “porra loka” da Austrália faz parte dessa nova geração que deve tomar de assalto o Tour. Tem como mérito o ano passado, quando como convidado fez a mala de Kelly Slater por três vezes. Mas calma, ainda não é a sua hora. Deve ser top 20.

Michel Bourez: Esse taitiano tem um surf muito forte e muitas vezes atua como a zebra, como aconteceu na sua vitória em Sunset. Título? Sem chance. Deve figurar entre os 32.

Aqui vou abrir espaço para pular o ranking e falar dos coadjuvantes: Fred Patacchia, Chris Davidson, Roy Powers, Kai Otton, Daniel Ross, Luke Stedman, Luke Munro, Tom Whitaker, Travis Logie, Kekoa Bacalso, Matt Wilkinson, Adam Melling, Jay Thompson, Blake Thornton.

Quando a gordura for cortada, a maior parte dessa turma volta a correr apenas WQS. Aliás, com tantos caras bons no mundo, o que é que essa turma ainda faz no World Tour?

Adrian Buchan: Surfa veloz e bonito, mas muito previsível, não enche os olhos. Se mantém entre os 32.

Taylor Knox: O vovô do circuito tá aí na raça e garra, mas tem seus dias contados no circuito. Esse ano ainda se mantém entre os 32 por causa do seu surf polido. O apetite por ondas grandes vai adiar sua aposentadoria profissional por muitos anos.

CJ e seu irmão gêmeo Damien Surfam muito, entubam muito, mas nos últimos anos o circuito não tem dado onda de verdade, então fica difícil os dois se manterem entre os dez primeiros. Mas sempre podem surpreender ganhando uma etapa ou outra.

Tiago Pires: O Gajo é gente boa e se o mar tiver grande joga muita água para fora, tem seus momentos de estrela como quando derrotou Slater em Padang, mas não tem o algo mais para chegar a top 5.

Jeremy Flores: Também surfa muito, mas no meio das novas estrelas Jordy e Dane, fica apagado. Tem que parar com a mania de achar que é prejudicado pelos juízes. Top 20

Kieren Perrow: Pirou mesmo, louco, atirado, não mede consequências. Surfa condições extremas como se estivesse surfando a valinha de meio metro do quintal de casa. Mas o circuito não rola em condições extremas. Se mantém.

Andy Irons: A pergunta é "O que esse cara está fazendo tão lá embaixo?". Três títulos mundias, o único que conseguiu amedrontar Kelly por anos. Doma Pipe e Teahupoo como poucos. No prime de Trestles, mostrou que está se encaixando aos poucos novamente nas competições. Pode chegar aos 16.

Patrick Gudauskas Arrepiou com seu irmão Tanner no WQS do ano passado, tirando aéreos e rodeo clows muito altos. O que aconteceu com os dois esse ano? Devem se manter.

Dusty Paine: Falou, falou e até agora não mostrou nada. Pior do que a opinião dele sobre o Brasil são seus resultados. Se não se cuidar vai embora sem nem estrear.

Brett Simpson: O homem de 100 mil dólares vem mostrando que o seu surf é mesmo de WQS. Sem muito diferencial, deve se manter entre os últimos.

Neco Padaratz: Decidiu muito tarde ser profissional. Nos anos 90 poderia ter feito bonito durante muitos anos no circuito, mas hoje, apesar de guerreiro e de jogar muita água para fora nas suas rasgadas, só tem isso no seu repertório. Se classifica pelo Prime.

Dean Morrison: Um dos cooly kids tem talento como seus parceiros Parko e Fanning, mas não a mesma dedicação. As baladas jogaram sua carreira no lixo. Se não se cuidar vai embora esse ano.

Mick Campbell: Esse cara gosta de uma cervejinha, quase foi campeão do mundo em 98, mas o vergonhoso surf que apresentou em Pipe, acabou com suas chances. Está na hora de se aposentar!

Ben Dunn: Excelente nos filmes de Taylor Steele, mas péssimo em competições. Corre sério risco de ir embora no corte depois de Trestle.

Drew Courtney: lindo estilo, mas  isso por si só não basta. Não dura entre os tops.

Marco Polo: É um guerreiro, muito batalhador, fez o que muitos achavam impossível, chegar ao WT. Lembro dele muito novo surfando o shorebreak de Waymea cabuloso. É um big rider nato. Deveria estar com caras como Danilo Couto e Burle, não no WT.

Como a ASP tem tomado diversas decisões no meio do caminho, não se sabe se depois da quinta etapa do WT ficarão os 22, mais 10 do ranking de acesso, ou se permanecerão os 32 do ranking atual.

Por isso vale a pena citar a dupla de brasileiros que tem assombrado o mundo: Supermandina e Alejo Muniz. Os dois com uma linha muito bonita. Medina inovador e extremamente competitivo e Alejo com um surf forte, de manobras sólidas, bem polido, devem ser as próximas armas brazucas muito em breve na primeira divisão.

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