Super Heloy

Fabrício Fernandes destaca habilidade de Heloy Júnior, o Super Heloy baiano


Heloy Júnior e sua categoria no Farol de Itapuã. Foto: Diego Freire.


Imagine a cena: um ilustre desconhecido (que havia vencido um campeonato em uma onda casca-grossa, em condições difíceis e também desconhecida - Farol de Itapuã, em Salvador), em um mar de 6 a 8 pés em Teahupoo, em um daqueles swells que a fúria do oceano vem toda no volume de uma onda.

Esse desconhecido rema no ponto mais crítico que se poderia imaginar, e no rabo da onda está ninguém menos que o nove vezes campeão mundial Kelly Slater, que, duvidando do talento do “desconhecido”, imaginou que este não conseguiria completar o drop.

Para a sua surpresa, o careca olhou para trás e viu o garoto em um grab rail perfeito. Ao sair da onda, Kelly elogiou a performance do SNI (surfista não identificado), cumprimentando-o e obviamente pedindo desculpas. Esse SNI era o Super Heloy baiano!
 
A primeira vez que encontrei Heloy Jr foi quando ele saía do mar num dia de ondas cascudas em Scar Reef e ele estava com um corte na testa. Enquanto o crowd insuportável se espremia nas direitas do pico, ele dava seu show sozinho em umas ondas de responsa.

Mas, vê-lo surfar mesmo, tive o prazer no Farol de Itapuã. A primeira onda foi um choque que me deixou de boca aberta. Uma esquerda entre 7 e 8 pés. No ínicio do drop ele já estava de grab, usando o braço como uma alavanca de apoio, igualzinho a Johnny Boy Gomes (o marrento!), e quando a onda começava a chupar na bolha, em frente à pedra, Heloy já estava dentro do tubo. Saiu na baforada e ainda mandou duas sólidas rasgadas com muita força!

"Pqp" foi o que eu gritei. Nunca tinha visto aquilo aqui na Bahia. Sem exagero, sensação igual só quando vi o tubo de Kelly no Barradoor em 97 (eu estava lá).

O baiano mostrando sua habilidade em Teahupoo, Tahiti. Foto: Arquivo pessoal.


Ainda vi mais algumas ondas dele e confesso que nem piscava impressionado com aquilo. Heloy é um talento nato. Como Rob Machado e Bruno Santos, ele faz a arte de entubar em ondas cascudas (quem conhece o Farol de Itapuã sabe o que estou falando) parecer fácil.

Enquanto a maioria surfa com pranchas próximas ou maiores que 7 pés, ele usa 6.1, 6.3 (alguma semelhança com o careca?). Me disseram que no campeonato de ondas grandes que rolou no próprio Farol com ondas de mais de 4 metros (confira na foto) Heloy usava uma simples 6.3!

Armando Daltro me falou da perícia e arte em entubar desse fenômeno. Muitos outros bons surfistas também rasgam elogios a ele.

Quando o encontrei no Farol, falei que iria escrever um texto sobre o super herói baiano e ele me respondeu sorrindo que todos nós somos heróis!

O Super Heloy baiano é um cara humilde, até introvertido, fala baixo, mas quando entra na água, seu surfe potente fala por ele.

Não tenho dúvidas que com patrocínio forte ele estaria correndo o mundo e surfando de igual para igual com caras como o nosso trio baiano Márcio, Danilo e Yuri em Jaws, nos tubos cascudos de Ghost Trees com Pato ou mesmo em Pipe e Teahupoo com Bruno Santos.

Enquanto isso, na sala de justiça, para o alto e avante!!!! É o Super Heloy!!!!!

PUBLICIDADE

Relacionadas

Alexandre Piza comenta postura da sociedade em relação às orientações do isolamento social nas praias de Salvador

Luciano Nunes relembra histórias do passado ao lembrar de surfistas das antigas de Salvador

Nosso colunista Lalo Giudice exalta a vitória de Italo Ferreira no Pipe Masters e a sua conquista do mundial

Nosso colunista Lalo Giudice analisa as chances dos candidatos ao título na última etapa do Circuito Mundial em Pipeline

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória de Italo Ferreira e a polêmica envolvendo Gabriel Medina e Caio Ibelli em Peniche

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória de Jeremy Flores na França e a ponta do ranking de Gabriel Medina

Nosso colunista Lalo Giudice analisa a vitória esmagadora de Gabriel Medina no Surf Ranch

Nosso colunista Lalo Giudice analisa a expectativa para a etapa nas ondas da piscina no Surf Ranch