Eu queria ser Mandinho
Fabrício Fernandes comenta trajetória de Armando Daltro e rasga elogios ao ídolo
Por: Fabrício Fernandes
Todas as pessoas, quando crianças, elegem algum herói na TV, estórias em quadrinhos, no meio em que vivem ou mesmo nos esportes.
Qual criança não sonhou em ser por um dia Super-Homem, Wolverine, Ronaldo Fenômeno ou mesmo aquele amigo que arrancava o suspiro das garotas?
Com os surfistas com certeza não é nada diferente, mesmo caras de 38 anos, como eu, se tornam eternas crianças sonhando em ser Kelly Slater, Tom Curren ou Fábio Gouveia.
Mas, na real, se fosse um conto de fadas e eu pudesse escolher, queria ser mesmo Armando Daltro! Mandinho, desde o início da sua carreira, sempre foi um grande exemplo e ídolo para muita gente.
Lembro que alguns meses atrás fui assistir às etapas do Nordestino e WQS que rolaram nas praias de Stella Maris e Jardim de Alah, respectivamente.
Vi Mandinho surfando com a mesma linha bonita que o fez ficar por sete anos no WCT. Torci junto com Kleber (que cuidava do site de Mandinho) e Vinícius Wichrestiuk, super talento da nova geração, que torcia por Armando como um verdadeiro tiete, nervoso e roendo as unhas.
Eu queria ser Armando Daltro para sair das merrecas do Sesc e conquistar o mundo!
Chegar à Califórnia, casa de Kelly Slater, e na primeira vez que cair com o eneacampeão do mundo derrotá-lo em frente à sua torcida e ainda de quebra também ganhar do campeão do mundo CJ Hoobgood.
Fecho os olhos e imagino o garoto humilde chegando a Pipeline e no meio dos marrentos havaianos dropar de grab rail uma da série colocar para dentro e sair seco com a baforada recebendo uma nota 7 (em Pipe é algo muito difícil!) e mandar para casa ninguém menos que Shane Dorian no seu auge!
A carreira de Mandinho me fascina por tudo que ele conquistou, pela raça, humildade, exemplo de atleta e principalmente como pessoa.
Atleta dedicado, esforçado, sendo sempre exemplo, nunca estando nem perto de nenhum tipo de drogas (quantos talentos se perdem por causa dessas porcarias?) e abdicando de quase todo tipo de diversão pelo prêmio de estar entre os melhores do mundo.
Mandinho, pupilo de Wagner Lancelot, da Blue Marlin, começou a surfar no Sesc, em Salvador, e quando Wagner ouviu de Paulo Marola sobre o seu talento não teve dúvidas em não só patrocinar o garoto, mas também em orientá-lo no mundo das competições.
Em pouco tempo, além do logo da Blue Marlin, já estampava na sua prancha marcas como Cyclone e Seaway.
Não o conheço há muito tempo, mas sempre acompanhei a sua escalada rumo ao sucesso. Mas, desde que nos conhecemos, aprendi muito com seu jeito de ser, responsabilidade e também com certeza com o seu apego à família, sempre estando com a mulher, filhos, seus pais, avós.
Sempre que viajava e quando a condição financeira permitia, a família estava junto com ele torcendo nos campeonatos.
Em várias das conversas que tivemos, ele - sempre humilde - me disse que mesmo quando grommet, nas grandes equipes da Cyclone e Seaway, não era a estrela. Mas indo pelas beiradas e com muito profissionalismo e consciência foi se superando até chegar ao circuito mundial.
No meio do caminho foi top 16 da Abrasp, campeão baiano, até em 1997 chegar à elite mundial e fazer parte dos top 44 correndo baterias com ícones como Kelly Slater, Rob Machado e Mark Occhilupo.
No ano em que entrou no circuito mundial, os organizadores fizeram sarcasmo, sem saber quem ele era, colocando uma foto de Elvis Presley, duvidando do seu talento.
Mas ele, como sempre, encarou tudo como estímulo e que tinha realmente que se mostrar para o mundo. E como se mostrou...
Mandinho fez final no WCT do Japão, semi na França. Ganhou seis etapas de WQS. Em 99 quase foi top 16 do WCT, só não atingiu seu objetivo por ter quebrado o braço jogando bola e ter ficado alguns meses afastado das competições.
Mas o seu auge foi mesmo no ano seguinte. Em 2000, Armando Daltro começou tudo do zero, e em vez de se abater, colocou como meta de novo o título mundial WQS, onde disputou bateria a bateria com Danny Wills e Andy Irons, até o último segundo em Sunset.
E como ele mesmo disse, se Andy Irons ganhasse aquele campeonato seria o campeão do mundo. Não aguentando a pressão, quando Andy chegou à final, Mandinho foi para casa e sozinho acompanhava as notas da internet (na época não havia imagens) e no silêncio do seu quarto, a quilômetros de distância da sua família e amigos, viu o arrogante havaiano perder a final e pôde comemar entre lágrimas a maior conquista da Bahia em campeonatos de surf. Campeão mundial WQS!
Em 20 anos de carreira, Armando Daltro colecionou títulos do Sesc ao Japão. Fez diversas amizades e nem mesmo um único inimigo. Surfou picos surreais, sofreu muitas vezes com a falta de patrocínio, contusões e saudades da família, mas escreveu seu nome na história do surf, sendo um vencedor, um campeão.
Aqui, agora, no seu quarto de troféus, segurando a taça de campeão mundial WQS, vendo-o autografar o seu pôster de um tubo animal em Teahupoo para o meu filho com a mesma humildade do começo da sua carreira vinte anos atrás, não tive dúvidas, o surfista que eu queria ser nos meus sonhos era Armando Daltro, campeão mundial WQS 2000 que hoje tenho a sorte de chamar de amigo!
Qual criança não sonhou em ser por um dia Super-Homem, Wolverine, Ronaldo Fenômeno ou mesmo aquele amigo que arrancava o suspiro das garotas?
Com os surfistas com certeza não é nada diferente, mesmo caras de 38 anos, como eu, se tornam eternas crianças sonhando em ser Kelly Slater, Tom Curren ou Fábio Gouveia.
Mas, na real, se fosse um conto de fadas e eu pudesse escolher, queria ser mesmo Armando Daltro! Mandinho, desde o início da sua carreira, sempre foi um grande exemplo e ídolo para muita gente.
Lembro que alguns meses atrás fui assistir às etapas do Nordestino e WQS que rolaram nas praias de Stella Maris e Jardim de Alah, respectivamente.
Vi Mandinho surfando com a mesma linha bonita que o fez ficar por sete anos no WCT. Torci junto com Kleber (que cuidava do site de Mandinho) e Vinícius Wichrestiuk, super talento da nova geração, que torcia por Armando como um verdadeiro tiete, nervoso e roendo as unhas.
Eu queria ser Armando Daltro para sair das merrecas do Sesc e conquistar o mundo!
Chegar à Califórnia, casa de Kelly Slater, e na primeira vez que cair com o eneacampeão do mundo derrotá-lo em frente à sua torcida e ainda de quebra também ganhar do campeão do mundo CJ Hoobgood.
Fecho os olhos e imagino o garoto humilde chegando a Pipeline e no meio dos marrentos havaianos dropar de grab rail uma da série colocar para dentro e sair seco com a baforada recebendo uma nota 7 (em Pipe é algo muito difícil!) e mandar para casa ninguém menos que Shane Dorian no seu auge!
A carreira de Mandinho me fascina por tudo que ele conquistou, pela raça, humildade, exemplo de atleta e principalmente como pessoa.
Atleta dedicado, esforçado, sendo sempre exemplo, nunca estando nem perto de nenhum tipo de drogas (quantos talentos se perdem por causa dessas porcarias?) e abdicando de quase todo tipo de diversão pelo prêmio de estar entre os melhores do mundo.
Mandinho, pupilo de Wagner Lancelot, da Blue Marlin, começou a surfar no Sesc, em Salvador, e quando Wagner ouviu de Paulo Marola sobre o seu talento não teve dúvidas em não só patrocinar o garoto, mas também em orientá-lo no mundo das competições.
Em pouco tempo, além do logo da Blue Marlin, já estampava na sua prancha marcas como Cyclone e Seaway.
Não o conheço há muito tempo, mas sempre acompanhei a sua escalada rumo ao sucesso. Mas, desde que nos conhecemos, aprendi muito com seu jeito de ser, responsabilidade e também com certeza com o seu apego à família, sempre estando com a mulher, filhos, seus pais, avós.
Sempre que viajava e quando a condição financeira permitia, a família estava junto com ele torcendo nos campeonatos.
Em várias das conversas que tivemos, ele - sempre humilde - me disse que mesmo quando grommet, nas grandes equipes da Cyclone e Seaway, não era a estrela. Mas indo pelas beiradas e com muito profissionalismo e consciência foi se superando até chegar ao circuito mundial.
No meio do caminho foi top 16 da Abrasp, campeão baiano, até em 1997 chegar à elite mundial e fazer parte dos top 44 correndo baterias com ícones como Kelly Slater, Rob Machado e Mark Occhilupo.
No ano em que entrou no circuito mundial, os organizadores fizeram sarcasmo, sem saber quem ele era, colocando uma foto de Elvis Presley, duvidando do seu talento.
Mas ele, como sempre, encarou tudo como estímulo e que tinha realmente que se mostrar para o mundo. E como se mostrou...
Mandinho fez final no WCT do Japão, semi na França. Ganhou seis etapas de WQS. Em 99 quase foi top 16 do WCT, só não atingiu seu objetivo por ter quebrado o braço jogando bola e ter ficado alguns meses afastado das competições.
Mas o seu auge foi mesmo no ano seguinte. Em 2000, Armando Daltro começou tudo do zero, e em vez de se abater, colocou como meta de novo o título mundial WQS, onde disputou bateria a bateria com Danny Wills e Andy Irons, até o último segundo em Sunset.
E como ele mesmo disse, se Andy Irons ganhasse aquele campeonato seria o campeão do mundo. Não aguentando a pressão, quando Andy chegou à final, Mandinho foi para casa e sozinho acompanhava as notas da internet (na época não havia imagens) e no silêncio do seu quarto, a quilômetros de distância da sua família e amigos, viu o arrogante havaiano perder a final e pôde comemar entre lágrimas a maior conquista da Bahia em campeonatos de surf. Campeão mundial WQS!
Em 20 anos de carreira, Armando Daltro colecionou títulos do Sesc ao Japão. Fez diversas amizades e nem mesmo um único inimigo. Surfou picos surreais, sofreu muitas vezes com a falta de patrocínio, contusões e saudades da família, mas escreveu seu nome na história do surf, sendo um vencedor, um campeão.
Aqui, agora, no seu quarto de troféus, segurando a taça de campeão mundial WQS, vendo-o autografar o seu pôster de um tubo animal em Teahupoo para o meu filho com a mesma humildade do começo da sua carreira vinte anos atrás, não tive dúvidas, o surfista que eu queria ser nos meus sonhos era Armando Daltro, campeão mundial WQS 2000 que hoje tenho a sorte de chamar de amigo!
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