Educação nas praias

Alexandre Piza critica falta de educação de esportistas nas praias de Salvador


Depois do texto que gerou muita polêmica entre os kitesurfistas e surfistas, publicado recentemente no SurfBahia, tenho recebido alguns e-mails com poucas críticas e muitas mensagens de incentivo.

Algumas pessoas disseram que quis fomentar a rivalidade e disputa territorial entre esportes semelhantes, que podem, sim, dividir o mesmo espaço, e outras críticas que respeito, mas não concordo.

Cada um com seu ponto de vista e é por isso que o site tem o espaço democrático do fórum e endereço de e-mail onde todos podem enviar seus pontos de vista.

Ainda nessa onda de e-mails, teve um que me chamou a atenção. Não tem ligação total com o surf, mas foi escrito por uma surfista que faz o boletim das ondas no site Waves. É uma pessoa de muita consciência e atitude ecológica e social, por isso merece todo nosso respeito.

Estamos falando de Sandra Campos, que enviou o relato abaixo que encaminho na íntegra para, mais uma vez, discutirmos a educação, bom senso e coerência dos esportes que ocupam nossas praias. Tirem suas conclusões e façam seus comentários.

“Domingo, depois do carnaval, praia de Aleluia lotada de turistas e não turistas procurando um refúgio para um dia tão quente. Fui parar na barraca “Bora Bora”, pois umas amigas que vieram de São Paulo encontraram uns conhecidos. Não iríamos ficar ali, pois havia muita gente aglomerada, mas resolvemos dar um mergulho antes de sair.

Deixei minha bolsa na mesa desses conhecidos de minhas amigas e quando viro a caminho do mar para dar um mergulho, recebo uma forte pancada na cabeça. Era uma bola de frescobol. Antes de me recuperar, vem um sujeito, pega a bola e nem desculpas me pede por ter errado tão feio. Eu, que estou grávida, fiquei pensando que se ele tivesse acertado minha barriga com aquela força, certamente eu poderia ter um problema na gestação ou mesmo um aborto.

Nervosa, chamei-o de “prego”. Quando vi, eram quatro duplas de homens jogando frescobol e a todo o momento acertavam alguém. Muitas pessoas estavam descontentes com isso. Um homem que também estava jogando tomou as dores do colega e veio me perguntar de onde eu era e avisar que ali era área de frescobol.

Engraçado, moro há nove anos na Bahia, quatro deles em Stella Maris, e nunca vi ali ser uma área de frescobol. Ora, onde estava a placa com esse aviso? Porque se eu tivesse visto uma placa em frente à barraca de praia com um aviso que ali era área de frescobol, jamais passaria por ali. Jamais. E também acredito que a barraca não estaria ali.

Fiquei pensando onde o mundo vai parar. As pessoas não pensam mais nas outras, não têm mais noção de bom senso, generosidade, gentileza, solidariedade. Ora, por que esses jogadores de frescobol não estavam 3 metros abaixo, onde há água e a bola quando cai não quica e dessa maneira eles não acertariam ninguém? Talvez para poderem gritar: “Eu sou daqui e determinei que eu vou jogar aqui e vocês turistas ou desavisados que se danem!”. Talvez por puro exibicionismo, apesar de que a bola acertou tantas pessoas que não há como se exibir assim, apenas pagar mico.

Esta reflexão é para que os amantes de esportes na praia e todos, de uma maneira geral, pensem no próximo. Principalmente porque Salvador é uma cidade que vive basicamente do turismo e precisa de turistas. Então, se os moradores daqui começarem a espantar os turistas dessa maneira, o que será feito da vida de quem depende dos turistas diretamente? Além disso, vamos praticar a solidariedade, a generosidade, o bom senso, sentimentos tão esquecidos nos dias atuais, e nos esforçar para melhorar como seres humanos".

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