Impunidade havaiana
Fabrício Fernandes comenta episódios no Hawaii e critica ASP International
Fiquei realmente pasmo e indignado ao saber que Mineirinho teve que ser escoltado ao entrar na água durante o Pipeline Masters e que não pôde nem ao menos sair de casa por conta de um incidente com Dustin Barca.
Até quando esses abusos irão acontecer sem que a ASP tome alguma tipo de providência?
Desde os anos 70 essas atrocidades acontecem e nada foi feito. O ex-campeão mundial e ex-presidente da ASP, Wayne Bartholomew, foi espancado no fim da década de 70 e nos anos 80 seguiu-se uma série de brutalidades com os estrangeiros em terras havaianas e todos “fingiam” não ver nada!
Fast Eddie aterrorizou os brasileiros por lá e quase duas décadas depois veio ao Brasil e foi recebido como ídolo. Como se não bastasse, seu filho Makua, seguindo seu grande exemplo, ao sair de uma bateria, deu uma bofetada na cara de Paulo Moura.
Neco Padaratz teve que fugir de uma bateria para não ser espancado pelo ex-presidiário Sunny Garcia. Peterson Rosa também já precisou ser escoltado para não apanhar de Shawn Brilley.
O baiano Bacalhau, por ser lutador de jiu-jitsu, colocou Johnny Boy Gomes e dois amigos para dormir, mas recebeu uma paulada que causou um profundo corte em sua cabeça e teve que fugir do Hawaii.
Kala Alexander e sua Wolf Gang agora são os black trunks e amedrontam qualquer estrangeiro que chega às areias do Hawaii para surfar.
Quando os campeonatos chegam ao Hawaii, todas as regras são rasgadas e mudam-se formatos . Por pressão dos locais, como em nenhum lugar do mundo, dezenas de havaianos são “convidados” para os campeonatos.
Como se não bastasse, todos esses novatos, Payne, Barca e Rothman, falam mal e diminuem a imagem do nosso país lá fora. É claro, não é segredo que muitos brasileiros são mal-educados, arruaceiros, podemos ver isso na frente de nossas casas, e realmente ninguém gosta de pessoas que causem confusão em frente a sua casa, mas os atletas e a maioria dos free surfers são pessoas de paz e que procuram apenas curtir as ondas tornando suas viagens inesquecíveis.
Sanções por parte do órgão máximo do surf deveriam ser aplicadas com urgência! Penas severas, como são aplicadas em outros esportes, como banimento e suspensão de atletas. Exclusão do local para promoção de eventos (será mesmo que com ondas como G-Land, Teahupoo, Fiji e Shipstern Bluff, Pipeline ainda é a rainha?).
O público também deveria mostrar a sua indignação não apoiando esses arruaceiros e nem mesmo comprando produtos de marcas que dão suporte aos mesmos.
Por exemplo, quando o Neco foi atacado pelo ex-presidiário Sunny, em entrevista a uma revista de surf ele citou que uma marca, que ele não queria citar o nome, patrocinava toda a bagunça.
Se queremos criar um esporte sério, temos que ser sérios com as nossas atitudes em relação ao esporte, não tolerando em hipótese alguma, violência, drogas ou a falta de compromisso de certos atletas.
Há muito tempo deixei de escrever matérias polêmicas ou acusações, mas em certas horas não podemos ficar calados porque, como diz Falcão, do Rappa, paz sem voz não é paz é medo!