Jaws, a mandíbula

Fabrício Fernandes descreve poder das ondas de Jaws


“Te liguei tanto de Jaws, foi emocionante, tive vontade de chorar vendo aquilo, nunca imaginei que fosse daquele jeito. Vou botar hoje as fotos no Orkut”.

Recebi esse e-mail da minha irmã, Vanessa Fernandes, que está morando em Maui, falando sobre a fantástica experiência de assistir ao surf em Peahi ou Jaws, a mandíbula, como é popularmente conhecida.

Fiquei como uma criança olhando as fotos no Orkut me imaginando no lugar dela sentado na montanha respirando o espírito aloha havaiano e assistindo aos guerreiros do surf despencando naquelas ondas gigantes. Assistir aos baianos Yuri Soledade, Marcio Freire, Danilo Couto ou outras lendas vivas como Carlos Burle, Rodrigo Resende e Laird Hamilton.

Olhava as fotos, cada detalhe, para eternizar aquilo na minha mente e no silêncio do meu quarto imaginava o espetáculo das séries de 40, 50, 60 pés plus entrando na bancada. As duplas de jet-ski se posicionando...

Nada pode sair errado. Piloto e surfista têm de estar em sintonia, harmonizados com os tsunamis que abrem suas mandíbulas para ao menor erro engolir os minúsculos homens sem nenhuma piedade!

O barulho das montanhas de água é ensurdecedor, a velocidade da onda é impressionante. São toneladas de água movendo-se a mais de 60, 80 quilômetros por hora e o surfista é rebocado para dentro da mandíbula enquanto aquela massa atinge o seu ponto crítico crescendo cada vez mais mostrando todo o poder da natureza.

E o pontinho que se torna o homem que risca a parede da onda nos mostra como nos tornamos pequenos diante desse fenômeno divino.

Mas, em vez de medo, a adrenalina leva o diminuto ser ao êxtase, acelerando sua prancha e passando por dentro do cilindro mágico em uma simbiose perfeita e a mais de 80 quilômetros ele sai ileso com a baforada, escapando da morte por frações de segundos.

Alguns mais destemidos, beirando a insanidade, como o herói baiano Márcio Freire, dispensam a máquina e desafiam a mandíbula na unha domando a montanha líquida apenas com o seu talento e coragem.

Jaws é o Nirvana do surf de ondas grandes, o ponto máximo do esporte. Mas que não permite erros, fazendo que o sonho possa se tornar o pior dos pesadelos em frações de segundos.

Surfar a onda de Peahi exige talento, treino, preparo físico, psicológico, coragem e acima de tudo muita humildade, porque por mais preparados que estejamos, a mãe Yemanjá sempre será soberana!

Aloha, minha irmã, tudo de bom para você!

PUBLICIDADE

Relacionadas

Alexandre Piza comenta postura da sociedade em relação às orientações do isolamento social nas praias de Salvador

Luciano Nunes relembra histórias do passado ao lembrar de surfistas das antigas de Salvador

Nosso colunista Lalo Giudice exalta a vitória de Italo Ferreira no Pipe Masters e a sua conquista do mundial

Nosso colunista Lalo Giudice analisa as chances dos candidatos ao título na última etapa do Circuito Mundial em Pipeline

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória de Italo Ferreira e a polêmica envolvendo Gabriel Medina e Caio Ibelli em Peniche

Nosso colunista Lalo Giudice comenta a vitória de Jeremy Flores na França e a ponta do ranking de Gabriel Medina

Nosso colunista Lalo Giudice analisa a vitória esmagadora de Gabriel Medina no Surf Ranch

Nosso colunista Lalo Giudice analisa a expectativa para a etapa nas ondas da piscina no Surf Ranch