A busca por patrocínio

Alexandre Piza fala sobre a falta de reconhecimento aos novos talentos baianos


Final de ano é a época certa para os atletas renovarem seus contratos, conversarem com seus atuais patrocinadores (isso os que têm algum patrocínio) e fecharem os acertos para 2010.

Muita gente já viu pelos campeonatos regionais alguns garotos que estão quebrando a vala e estão sem patrocínio. Treinam forte, correm atrás com incentivos da família e de poucos apoios que aparecem por aí.

Um nome que sempre chama a atenção de todos é Vinícius Wichrestiuk. Garoto de apenas 16 anos que mora e treina em Stella. Sua rotina de preparação é muito intensa, e junto com seu parceiro de treinos, Mazinho, está sempre filmando e conversando a respeito das sessions na água.

Mazinho ainda é um que tem pouca experiência e ainda não despertou o interesse da mídia e de patrocinadores, na real praticamente ninguém ainda o conhece, mas é uma boa aposta para os que querem um cara mais novo. Com 13 anos de idade, ele evolui dia-a-dia e com um pouco mais de incentivo, tem grandes chances de virar um bom competidor.

Voltando a falar de Vinícius, ele é uma realidade, não uma promessa, mas ainda tropeça na falta de apoio e de preparação adequada. Muita gente que o vê no free surf tem certeza de que ele pode subir como um foguete dentro também das baterias.

Seus resultados são expressivos quando veste uma lycra de competição, mas ainda bem abaixo do que pode realmente apresentar.

É comum a opinião de que o garoto ainda precisa amadurecer mais quando toca a buzina e precisa mostrar serviço para os juízes. Apesar de ter grandes nomes por trás de sua preparação, é fato que ainda sinta falta de algo mais incisivo em seu cotidiano de treinos.

Mas não é simples de correr atrás de tudo isso sem investimento, não só para Vinícius, mas para muitos outros garotos da Bahia que estão aí como grandes talentos e restritos aos circuitos pequenos regionais e acabam com uma visibilidade limitada dentro da mídia e, sendo assim, ficam longe de serem descobertos por grandes empresas.

O resultado estamos carecas de saber: quem poderia ser um grande nome nos circuitos maiores, acaba finalizando precocemente a carreira e largado no seu pico local somente como um grande free surfer.

Muitas vezes esses caras acreditaram tanto no surf que deixaram um pouco de lado os estudos e demoraram a perceber que vida bem remunerada dentro de nosso esporte é para poucos, muito poucos mesmo.

Lamentações à parte, o que devemos alertar é que algumas marcas têm sim verba disponível para preparar melhor esses atletas para que eles alcancem vôos mais altos. Estou falando a princípio das marcas locais, grandes redes de lojas e até mesmo fabricantes de pranchas. E por que não incluir nesse bolo também grandes empresas que podem utilizar o surf como ferramenta de marketing? Como grandes redes de hotéis, construtoras, redes de supermercados e muitos outros.

Sei que surgirão comentários dizendo que a realidade é essa mesmo, que essa choradeira já é antiga e nada muda e por aí vai. Mas se nos acomodarmos e deixarmos o conformismo coletivo tomar conta da situação, o que poderemos pleitear daqui pra frente?

Que somente 10 em cada mil bons atletas locais da Bahia é que terão uma pequena chance de destaque no cenário nacional e mundial?

Que vamos viver de ícones mais afortunados como Danilo Couto, Armando Daltro, Spirro e mais meia dúzia que tiveram a grande sorte de conhecerem as pessoas certas e estarem no lugar certo e na hora certa?

Não é isso que queremos para o surf baiano e não adotaremos o conformismo como ferramenta de explicações. E não é incorporando o pessimismo histórico que iremos baixar a cabeça e deixar de bater na porta de quem pode apoiar o surf, seja na mídia, seja no apoio aos atletas, seja onde for.

Quem tem compromisso com o surf, precisa estar ligado e apoiando o surf e não somente abrindo e fechando o caixa no final do dia só sugando o que um esporte pode proporcionar.

Vinícius, Mazinho e tantos outros estão aí esperando nas praias uma chance de mostrar ao mundo a sua marca, o seu incentivo, a sua certeza de que o atleta faz sim vender mais camiseta e bermuda.

Aloha!

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